Por que o Flamengo vai romper com ideias de Filipe Luís se escolher Leonardo Jardim
Rubro-Negro faria troca brusca de estilo e deixaria ainda mais dúvidas sobre decisão controversa de demitir ex-lateral
O Flamengo demitiu Filipe Luís na madrugada desta terça-feira (3), após uma incrível goleada por 8 a 0 sobre o Madureira, pelo jogo de volta da semifinal do Campeonato Carioca. A direção rubro-negra surpreende não só pela decisão, mas pelo nome que ganha força nos bastidores para substituí-lo: Leonardo Jardim.
O português deixou o Cruzeiro no fim da última temporada após boa campanha com os mineiros — inclusive, tendo ótimos resultados contra o próprio Flamengo. No entanto, a troca de estilos seria curiosamente brusca e sem um raciocínio claro, seguindo o histórico do clube.
Flamengo quer ‘se afastar’ de Filipe Luís
Segundo apurou a Trivela nesta manhã, foi o presidente Luiz Eduardo Baptista, o BAP, e o diretor de futebol José Boto que decidiram demitir o ex-lateral. A dupla teve uma conversa particular, sem contato com jogadores ou demais membros da direção, antes de oficializar.
Filipe Luís deixa o Flamengo como o segundo treinador mais vitorioso da história do clube e com um legado que fez seu trabalho ser um dos mais elogiados da América. Os resultados, inclusive, vão na contramão da demissão: títulos nacionais, continentais e boas participações contra adversários europeus.
Ao demitir seu antigo jogador, o Rubro-Negro não só corta uma relação que rendeu ao clube cinco títulos, mas também vai contra toda a filosofia de jogo construída no último ciclo. Principalmente levando em consideração que o nome mais provável para substituí-lo é o de Leonardo Jardim.

O Mundial de Clubes disputado nos EUA foi uma vitrine do estilo de Filipe em um contexto maior. Na competição, o Flamengo se mostrou uma das equipes de fora da Europa mais corajosas e organizadas taticamente. Das que mais pressionam, defendem alto e tentam controlar o jogo com a posse de bola.
Em termos nacionais e continentais, os cariocas também dominaram, e o time se tornou uma máquina de manipular e criar espaços. Na final da Libertadores contra o Palmeiras, por exemplo, conseguiu criar oportunidades arrastando os marcadores que passaram praticamente o jogo inteiro em pressão individual.
A equipe de Filipe Luís mostrou ao futebol brasileiro como o Jogo de Posição não é rígido. Se tornou um time que mexe no posicionamento da defesa adversária com atacantes móveis e pontas que se aproximam da bola, criando superioridade numérica. Além de volantes com muita qualidade no passe que descem entre os zagueiros para criar um 3-2 na saída de bola.
Em termos táticos, o Flamengo parece querer romper com um jogo de domínio através da bola, muito volume no último terço com mobilidade e criação de chances com troca de posições e ataque aos espaços criados com a movimentação dos seus atletas.
Flamengo sob o comando de Filipe Luís:
⚔️ 101 jogos
🚥 64V – 22E – 15D (!)
📊 70.6% aproveitamento (!)
⚽️ 184 gols (!)
🚫 68 gols sofridos (!)
🧤 46 jogos sem sofrer gols
🥅 266 grandes chances (!)
👟 8.5 finalizações p/ marcar gol
⚠️ 13.9 finalizações p/ sofrer gol (!)
⏳… pic.twitter.com/hPh8JvfBKr— Sofascore Brasil (@SofascoreBR) March 3, 2026
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O que o Flamengo pode ter com Leonardo Jardim
Jardim fez uma ótima temporada no Brasil com o Cruzeiro em 2025. Teve a segunda melhor defesa e foi o segundo time que menos perdeu jogos no Brasileirão (atrás, em ambos os casos, do Flamengo). No entanto, foi um trabalho muito diferente no campo das ideias.
O português levou ao time mineiro um estilo que já tem consolidado desde o Monaco: um futebol de contra-ataque eficaz, com linhas defensivas sólidas que anulam adversários. O treinador prefere um jogo no qual a equipe atrai o adversário e utiliza a velocidade, sem depender de longas trocas de passes.
Ao contratar Jardim, o Flamengo teria um técnico cujo último trabalho teve sucesso defendendo em bloco baixo, com menos posse de bola do que a grande maioria dos seus adversários e saindo forte em transição. Uma antítese do que vinha sendo feito.

As transições ofensivas do Cruzeiro eram lideradas por uma excelente dupla: Matheus Pereira e Kaio Jorge. Um armador dinâmico, com boa condução e visão de jogo, e um centroavante com ótimos indicadores de ataque à profundidade. Kaio Jorge, inclusive, foi alvo do Rubro-Negro, mas ficou em BH.
É injusto dizer que o trabalho de Leonardo Jardim foi carregado por essa dupla. Mas é fato que o choque de estilos deve incomodar a torcida flamenguista, independentemente das reclamações que possam ter com Filipe em 2026.
Jardim pode montar uma equipe propositiva, claro, mas não foi esse seu último cartão de visitas no futebol brasileiro. Se mantiver o estilo do seu tempo de Cruzeiro, sofrerá pressão por transformar o principal elenco da América em um time retraído? E como será sua transição sem um camisa 9 de ruptura como Kaio Jorge?
Filipe e Jardim têm muitas diferenças e o Flamengo pode não estar pensando no que acontece dentro de campo,, a base dos resultados positivos. A decisão de demitir o ex-lateral já é curiosa, mas a de seu possível sucessor é ainda mais.


