Mundial de Clubes

Flamengo x Bayern: Por que o brasileiro ‘mais europeu’ tentará dividir o domínio com gigante

Rubro-negro enfrenta os bávaros em confronto de dois dos times mais dominantes da competição

O Flamengo garantiu o primeiro lugar no Grupo D do Mundial de Clubes e, com a classificação, enfrentará o Bayern de Munique nas oitavas de final da competição. A partida está marcada para o próximo domingo (29), às 17h no horário de Brasília.

Os gigantes bávaros, que surpreendentemente acabaram em segundo lugar no seu grupo, aplicaram a maior goleada da história do Mundial, no 10 a 0 diante do Auckland. E a expectativa é de um jogo entre duas das equipes mais agressivas e dominantes do torneio.

Flamengo x Bayern de Munique – Mundial de Clubes

  • Data e horário: domingo, 29 de junho, às 17h (horário de Brasília)
  • Local: Hard Rock Stadium, Miami, Flórida;
  • Transmissão: Globo (TV aberta), SporTV (TV fechada), CazéTV (YouTube) e DAZN (streaming). 

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Flamengo surpreende como um dos times mais dominantes do Mundial

Durante a fase de grupos, o time de Filipe Luís se mostrou uma das equipes de fora da Europa mais corajosas e organizadas taticamente. Das que mais pressionam, defendem alto e tentam controlar o jogo com a posse de bola.

Em todos os jogos até aqui, inclusive contra o Chelsea, o Rubro-Negro pressionou mais do que o rival. Quando não tinha a bola, a equipe passou, em média, 14,3% do seu tempo pressionando médio ou alto, segundo dados da Fifa.

Flamengo se impôs contra o Chelsea (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)
Flamengo se impôs contra o Chelsea (Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)

Em média, o Flamengo defendia em bloco alto com 50,4 m de distância do seu próprio gol e, quando precisava defender em bloco baixo, era sempre muito compacto: média de 32 m de largura — amplitude sempre inferior ao tamanho da grande área.

Esses números são um reflexo do modelo defensivo de Filipe Luís: pressiona alto e defende, em grande parte, em bloco médio ou alto. Quando precisa defender mais baixo, é compacto e força o adversário para as laterais, onde há menos espaço e mais chance de sucesso na pressão.

É por isso, por exemplo, que os jogadores rubro-negros que mais tiveram pressões diretas ao adversário no Mundial foram dos lados: contra o Espérance, foi o lateral-direito Varela; contra Chelsea e LAFC, foi o ponta pela esquerda da ocasião, primeiro Luiz Araújo, depois Everton Cebolinha.

A pressão têm resultado no ataque. Contra o LAFC, por exemplo, oito das 19 finalizações do Flamengo no jogo vieram depois de uma bola dividida. Contra o Chelsea, foram quatro.

Tão ‘europeu’ quanto o Bayern?

Com a bola, a equipe é bem “europeia” para os padrões brasileiros: tenta sempre manter a posse com calma, progredir como unidade e tenta poucos dribles. Um time que constrói com muita amplitude para abrir espaços na defesa, mas que mantém jogadores atrás para reciclar a posse e inibir contra-ataques.

Em média, o Flamengo tem 52 m de amplitude durante a fase de construção mais ofensiva, antes de entrar no último terço — é o mesmo número do dominante Bayern.

No entanto, o último jogador de linha da equipe fica, geralmente, a 34 m de distância do último, o que simboliza o cuidado mesmo quando está perto do gol adversário. Os bávaros, por exemplo, tem média de 25,6 m (ou 28,5 m, descontando o jogo contra o Auckland, em que o time passou 56% do tempo com a bola no último terço).

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Quão alto e amplo construiu o Flamengo diante do LAFC (Foto: Divulgação/Fifa)

Quando tenta furar a marcação adversária, o time brasileiro é incisivo para fazê-lo com passes. Foram, em média, 139 tentativas de quebrar as linhas adversárias, menos do que os 160 de média dos bávaros.

No entanto, ao ser levemente menos “sufocante”, o Flamengo tem espaço para tentar essa quebra de linhas pelo chão e verticalmente, diferente do Bayern, que fura bloqueios mais vezes de forma diagonal ou lateral. A média rubro-negra para quebras de linha verticais é de 47 vezes por jogo, contra 40 do time de Vincent Kompany.

E se por um lado a criação de finalizações é positiva no pós-perda flamenguista, é curioso ver como o time raramente finaliza a partir de dribles. O gol de Wallace Yan contra o LAFC foi o único momento em que o Flamengo gerou uma finalização após um drible naquele jogo — e apenas a ocasião em todo o Mundial.

Sem colocar a goleada contra o Auckland na conta, o Bayern não finalizou a partir de dribles nos jogos contra Benfica e Boca Juniors. Contra os argentinos, inclusive, tiveram dificuldade de criar pelo chão e metade das finalizações do time vieram em cruzamentos, escanteios ou faltas.

Prováveis escalações de Flamengo x Bayern de Munique

Flamengo: Rossi; Varela, Danilo, Léo Ortiz, Alex Sandro; Pulgar, Jorginho; Gerson, Arrascaeta, Luiz Araújo; Pedro. Técnico: Filipe Luís.

Bayern de Munique: Neuer; Boey, Tah, Stanisic, Guerreiro; Kimmich, Pavlovic; Olise, Müller, Coman; Kane. Técnico: Vincent Kompany.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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