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Até onde o Carioca contribuía para os números absurdos da defesa do Flamengo?

Setor defensivo do Flamengo não sofreu nenhum gol em fevereiro e março, mas só não foi vazado em duas partidas em abril

A defesa do Flamengo é uma das melhores do Brasil em números, mas, em abril, teve uma queda de rendimento com relação ao início da temporada. O Rubro-Negro continua sofrendo poucos gols, é verdade, mas a quantidade aumentou de maneira significativa neste mês. Tite e companhia tiveram mais jogos com a meta vazada do que limpa.

É uma situação incomum para quem acompanhou o Flamengo desde o início da temporada. A solidez defensiva é uma das marcas de Tite, mas, em meio à maratona de jogos neste mês, o sistema tem se mostrado um pouco mais frágil. A Trivela explica o que mudou neste período.

Nível das competições aumentou

Antes de qualquer coisa, é necessário levar em conta que o nível técnico dos adversários do Flamengo aumentou bastante neste mês. Se em fevereiro e março, meses em que passou sem sofrer um gol sequer, o Rubro-Negro disputava apenas o Carioca, abril reservou estreias na Libertadores e no Brasileirão. Por mais que o Estadual tenha os seus clássicos regionais, as nuances são completamente diferentes.

Na Libertadores, por exemplo, o Flamengo enfrentou a altitude duas vezes e foi vazado em ambas, esse fator precisa ser considerado. Em outros jogos, como diante do São Paulo, por exemplo, o Rubro-Negro poderia ter terminado sem sofrer gols.

  • Millonarios 1 x 1 Flamengo – Fase de grupos da Libertadores
  • Flamengo 1 x 0 Nova Iguaçu – Final do Carioca
  • Flamengo 2 x 0 Palestino – Fase de grupos da Libertadores
  • Atlético-GO 1 x 2 Flamengo – Brasileirão
  • Flamengo 2 x 1 São Paulo – Brasileirão
  • Palmeiras 0 x 0 Flamengo – Brasileirão
  • Bolívar 2 x 1 Flamengo – Fase de grupos da Libertadores

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Análise dos gols sofridos pelo Flamengo

Ao todo, o Flamengo sofreu cinco gols em abril, em contraste com o único entre janeiro e março. O primeiro foi justamente no teste que inaugurou, de fato, o 2024 para o clube, diante do Millonarios, na altitude de Bogotá. Esse talvez seja o tento mais lamentado pelo Rubro-Negro, já que aconteceu quando a equipe ganhava por 1 a 0 e tinha um jogador a mais.

É difícil falar em erro defensivo claro quando o fator que originou o gol foi a saída de bola errada de Rossi, em conjunto com Pulgar. A zaga não estava posicionada corretamente e, quando o chileno foi driblado na lateral, o gol parecia questão de segundos.

Contra Atlético Goianiense e São Paulo, os fatores foram bem diferentes. Ambos vieram de jogadas pelo lado esquerdo de defesa, em que a marcação frouxa possibilitou cruzamento na segunda trave e cabeçada adversária em cima do lateral direito. Em Goiânia, Ayrton Lucas estava improvisado e não pôde conter o avanço de Luiz Fernando, enquanto no Maracanã, Varela deixou Ferreira em condições de diminuir o placar.

Para piorar, ambos vieram em momentos que o Flamengo tinha clara vantagem na partida. Diante do Atlético-GO, a equipe vencia por 1 a 0 e tinha um jogador a mais, depois da expulsão do zagueiro Alix Vinicius e, contra o São Paulo, o Rubro-Negro vencia por 2 a 0 e dominava totalmente o duelo. Essas nuances podem indicar oscilação na concentração da defesa.

A altitude de La Paz é ainda maior do que a de Bogotá e precisa ser considerada na análise dos gols do Bolívar, especialmente o primeiro. Por mais que Matheus Bachi tenha feito um aquecimento longo nas bolas aéreas, o tempo é muito diferente a 3640 metros. Sem isentar, também, o erro de posicionamento dos defensores, que foram pegos no contrapé pelo cruzamento boliviano, que encontrou a cabeça de Chico da Costa.

O segundo gol pouco tem a ver com erros da defesa como um todo. A sucessão de erros individuais, passando por De La Cruz, Wesley e Igor Jesus, deixaram os três zagueiros do Flamengo em sinuca de bico, e Bruno Sávio, cara a cara, venceu Rossi para dar números finais ao duelo.

Desgaste físico também é fator

Partindo da escalação base da defesa do Flamengo, que conta com uma linha de quatro jogadores, formada por Varela, Fabrício Bruno, Léo Pereira e Ayrton Lucas, Tite teve que mexer bastante. O time só teve os quatro em campo contra São Paulo e Palmeiras, pelo Campeonato Brasileiro, além do segundo jogo da final do Campeonato Carioca, diante do Nova Iguaçu.

Léo Pereira e Ayrton Lucas poupados contra o Millonarios e Bolívar. Varela não jogou diante Atlético-GO e Bolívar, enquanto Fabrício Bruno não esteve em campo na vitória sobre o Palestino. David Luiz, Léo Ortiz, Matias Viña e Wesley foram utilizados para substituir os titulares ao longo das partidas citadas, com resultados que agradaram, mas também irritaram o torcedor rubro-negro.

A defesa do Flamengo melhorou muito desde a chegada de Tite ao Flamengo (Foto: Reprodução/Canal GOAT)

Tite, inclusive, já havia citado que precisaria de todos os jogadores do elenco em diversas entrevistas coletivas. Do jovem ao mais experiente, do jogador de Seleção ao que nunca entrou entre os profissionais.

— É humanamente impossível trabalhar com competições de tamanha grandeza, e a equipe se repetindo quarta e domingo. Hoje entrou o Léo Ortiz, Fabrício estava com seis jogos seguidos, duas viagens. Nessa valorização do grupo, é importante que todos estejam preparados. Vamos precisar de todos — analisou, após a vitória sobre o Palestino.

A defesa do Flamengo continua sendo uma das, senão a melhor do Brasil em números, com apenas seis gols sofridos. O jogo contra o Bolívar, inclusive, foi o primeiro em que o Rubro-Negro foi vazado mais de uma vez. A fim de juntar os cacos e manter o clean sheet por mais uma partida (seria a 17ª da temporada), Tite e companhia terão um clássico diante do Botafogo, neste domingo (28), no Maracanã.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme XavierSetorista

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.

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