Libertadores

Fábio Mahseredjian tranquiliza torcida do Flamengo sobre desgaste: ‘Temos elenco suficiente’

Preparador físico do Flamengo concedeu entrevista exclusiva à Trivela antes do jogo contra o Bolívar, na temida altitude de La Paz

O Flamengo terá um desafio e tanto nesta quarta-feira (24), quando subirá os 3640 metros da altitude de La Paz para enfrentar o Bolívar, pela terceira rodada da fase de grupos da Libertadores. O desgaste já tem sido tema desde o início deste mês, mas, sem dúvida, ele será amplificado diante das condições adversas do jogo. Para entender melhor o tamanho do desafio, a Trivela teve um excelente professor.

Fábio Mahseredjian, preparador físico do Flamengo, respondeu algumas perguntas às vésperas da partida e explicou um pouco mais sobre os problemas que a equipe enfrentará. Mesmo que esteja ciente das dificuldades, ele cravou que o elenco rubro-negro tem totais condições de superar as expectativas em La Paz.

Confiança em alta

A maratona enfrentada pelo Flamengo em abril é grande: são seis jogos em 22 dias, algo próximo de um a cada três, o tempo de descanso mínimo exigido pelas principais entidades do futebol mundial. O desgaste é grande e aparece para o torcedor, já que Tite precisou preservar pelo menos um titular nos últimos quatro jogos do Rubro-Negro. Para Mahseredjian, no entanto, isso é comum por conta do calendário.

Perguntado se a importância dada ao Carioca teria prejudicado o planejamento do Flamengo, o preparador físico foi incisivo para afirmar que o elenco montado pelo clube está preparado para enfrentar todas as adversidades. Ele ainda voltou a citar o estudo que mencionou na coletiva do último compromisso, diante do Palmeiras, em São Paulo, no qual se explica que a intensidade dos jogos aumentaram bastante.

— Não, não prejudicou em nada. O Flamengo é um clube grande que entra para conquistar todas as competições que disputa. Esse desgaste físico é natural. Todos os times têm. Agora, nós temos elenco suficiente para suplantar isso. A intensidade do jogo aumentou, e isso faz com que o atleta se desgaste mais — disse.

Núcleo de saúde unido

Ninguém faz nada sozinho, e no Flamengo não é diferente. Para identificar o desgaste, a comissão técnica de Tite conta com um time de fisiologia amplamente preparado. O trabalho do Núcleo de Saúde e Alto Rendimento do clube, inclusive, tem sido muito elogiado internamente. Fábio Mahseredjian explicou um pouco mais sobre o processo.

— Não tem como dosar cansaço. Para determinar o desgaste físico dos atletas, as demandas físicas deles, a gente faz o acompanhamento da minutagem de cada um. Esse acompanhamento está rigorosamente descrito em planilha, e o Tadashi (Hara, fisiologista) vai nos monitorando com as demandas métricas deles nos jogos, além das respostas de cada atleta individual, no que diz respeito a dosagem bioquímica. Tudo isso faz com que a gente tome algumas decisões, mas nada é uma coisa só, é sempre multifatorial — analisou.

Como mencionado pelo preparador físico, a preservação dos atletas vai da questão física de cada um. Jogadores como Fabrício Bruno, por exemplo, conseguem suportar mais minutos dentro de campo sem perder o nível, enquanto outros vão precisar de mais descanso. Tudo isso está sendo pensado para o jogo contra o Bolívar, em La Paz.

Altitude de La Paz é a mais perigosa

A cidade sede do governo boliviano tem um dos estádios mais altos do continente. Os 3637 metros acima do nível do mar funcionam como uma grande vantagem, tanto para o Bolívar, adversário do Flamengo nesta rodada, quanto para o The Strongest, outro time que joga no local. Só cinco praças superam o Hernando Siles na América do Sul.

  • Daniel Alcides Carrión (estádio) – Cerro de Pasco (cidade) – Unión Minas (time) – 4.738 metros
  • Municipal de El Alto – El Alto – Always Ready – 4.090
  • Víctor Agustín Ugarte – Potosí – Real Potosí – 3.967
  • Guillermo Briceño Rosamedina – Juliaca – Binacional – 3.825
  • Jesús Bermúdez – Oruro – San José – 3.735
  • Hernando Siles – La Paz – Bolívar e The Strongest – 3.637

Mahseredjian já comentou diversas vezes sobre como as altas altitudes prejudicam o organismo do atleta de futebol. Da hiperventilação aos sintomas mais pesados, como dor de cabeça intensa, náusea, ânsia de vômito, o Flamengo precisará tomar muito cuidado com o chamado mau agudo da montanha. A comissão técnica de Tite já viveu esse tipo de situação em outras cidades bolivianas, como Oruro.

Por isso, é fundamental que o Flamengo chegue a La Paz poucas horas antes da bola rolar, a fim de diminuir ao máximo os efeitos da altitude. Se desembarcar, jogar e retornar em curto espaço de tempo, o elenco sentirá pouco. Fábio Mahseredjian destrinchou a estratégia do Rubro-Negro, no intuito de sair com os três pontos de La Paz.

— (A altitude) é muito difícil de você enfrentar, porque você tem que chegar muito perto da hora do jogo. Dentro do que o regulamento permite, é o melhor a fazer. Nós vamos chegar com seis horas de antecedência aproximadamente porque, a partir da sexta hora de exposição à altitude, os efeitos mais agudos aparecem. Nós vamos tentar traçar estratégias no âmbito técnico, tático e físico para tentar suplantar essa alta altitude de La Paz — finalizou.

Ainda que chegue em La Paz poucas horas antes da partida contra o Bolívar, o Flamengo estará em solo boliviano a partir desta terça-feira (23). O elenco treinará pela manhã e, após o horário de almoço, a comissão técnica definirá quem tem condições de subir as montanhas. A delegação do Rubro-Negro dormirá em Santa Cruz de La Sierra, cidade próxima que fica ao nível do mar.

Tite e Fábio Mahseredjian precisarão fazer escolhas antes de Flamengo x Bolívar, em La Paz (Foto: Marcelo Cortes/CRF)

A bola rola para Flamengo e Bolívar a partir das 21h30 (de Brasília), no Hernando Siles, e a Trivela estará presente para acompanhar todos os detalhes deste jogo importantíssimo. Se vencer, o Rubro-Negro assume a liderança do Grupo E, mas, se perder, vê o rival boliviano disparar.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme Xavier

É repórter na cobertura do Flamengo há três anos, com passagens por Lance! e Coluna do Fla. Fã de Charlie Brown Jr e enxadrista. Viver pra ser melhor também é um jeito de levar a vida!
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