Brasil

Entenda melhor as duas formações utilizadas por Tite no Flamengo neste início de 2024

Tite entrou em campo com dois esquemas diferentes, que renderam resultados igualmente distintos ao Flamengo em 2024

O Flamengo é um dos únicos clubes que ainda estão invictos em 2024, e a sequência interessante passa muito pelo trabalho de Tite. Desde que chegou, o treinador soube gerir um elenco em frangalhos, após uma temporada bastante turbulenta, a fim de transformá-lo em potência novamente. Agora, o Rubro-Negro já começa a colher os frutos, ainda que possa muito mais nesta nova jornada.

Na “Era Tite”, o Flamengo entrou em campo com o esquema tradicional do comandante em quase todas as oportunidades. O 4-3-3, com dois pontas abertos, levou o Rubro-Negro a evolução muito interessante, em menos de cinco meses de trabalho. Apesar disso, Adenor tem mostrado outra vertente, com quatro jogadores no meio-campo, que deve ser ainda mais utilizada ao longo da temporada. A Trivela explica semelhanças e diferenças entre as formações.

O 4-3-3

No campo do tradicional, Tite não tem muito a esconder: quatro defensores, três meias, sendo um fixo na marcação e três atacantes, com dois pontas pelas laterais. O esquema foi o escolhido em diversos outros trabalhos do treinador, como no Corinthians e na Seleção Brasileira. A funcionalidade prega pelo equilíbrio do esquema.

Essa costuma ser a formação do Flamengo neste modelo: Rossi, Varela, Fabrício Bruno, Léo Pereira e Ayrton Lucas; Pulgar, Gerson e Arrascaeta; Luiz Araújo, Everton Cebolinha e Pedro. 

Luiz Araújo ganha a condição de titular no esquema tradicional de Tite no Flamengo (Foto: PGG/Icon Sport)

O esquema já foi trabalhado inúmeras vezes por Tite, desde que chegou, e tenta explorar a qualidade técnica dos atletas, junto com a amplitude gerada pelos dois externos. Ainda que conte com a qualidade de Arrascaeta, Gerson e Pulgar para armar o time, o Rubro-Negro aposta muito mais no drible e nas triangulações pelas laterais. Varela, assim como Wesley, e Ayrton Lucas, concedem apoio interessante.

O 4-1-3-2

No novo esquema, Tite conta com uma variação. Um dos pontas deixa o campo de jogo para a entrada de um meia, formando uma trinca à frente do volante de contenção e, consequentemente, da defesa. Nessa formação, Luiz Araújo tem sido o escolhido para ficar no banco de reservas, ou seja, apenas Pedro e Cebolinha formam o ataque, enquanto o meio-campo é formado por Pulgar, Gerson, De La Cruz e Arrascaeta.

Essa costuma ser a formação do Flamengo neste modelo: Rossi, Varela, Fabrício Bruno, Léo Pereira e Ayrton Lucas; Pulgar, Gerson, De La Cruz e Arrascaeta; Cebolinha e Pedro. 

De La Cruz e Arrascaeta jogam juntos nesse segundo esquema de Tite (Foto: Marcelo Cortes/CRF)

A formação, no entanto, ainda não conseguiu ter o sucesso da primeira por uma série de razões. Além da falta de entrosamento e tempo para assimilar as ideias, faltavam, também, algumas peças que poderiam melhorar o esquema. Um exemplo disso é Matias Viña, recém-contratado pelo Flamengo para disputar a lateral-esquerda com Ayrton Lucas.

Dentro de campo, o grande problema do modelo é a saída de bola. Como os três meias ficam mais avançados, caindo pelos lados e buscando o centro, Erick Pulgar fica sobrecarregado na saída de bola. A dupla de zaga e as laterais não tinham a precisão no passe como ponto forte. A chegada de Viña, especialista no assunto, pode tirar um peso das costas do chileno e deixar a transição mais fluída.

Matias Viña já estreou com a camisa do Flamengo e pode ajudar nesse esquema diferente (Foto: Gilvan de Souza/CRF)

O comandante também precisará encontrar um melhor encaixe para Gerson e De La Cruz. O primeiro esteve sobrecarregado na marcação, já que Arrascaeta não tem função defensiva definida, enquanto o segundo sofreu com a falta de costume pelo lado direito. O Flamengo teve problemas quando utilizou o esquema, diante do Vasco da Gama, por exemplo, em jogo que terminou sem gols.

Tite e retranca não são sinônimos

Apesar de buscar esse equilíbrio, que começa por uma defesa sólida e um estilo de jogo mais burocrático, Tite não pode ser chamado de retranqueiro. Ainda que tenha dois esquemas diferentes em uso, o Flamengo possui o melhor ataque do Campeonato Carioca e, contra o Boavista, por exemplo, fez jogo com volume ofensivo impressionante. Na opinião do treinador, o pré conceito vem das suas origens, no Rio Grande do Sul.

— Acho que me mandaram embora do Rio Grande do Sul porque o Caxias jogava apenas com um meio-campista para enfrentar o Grêmio. Quem fala isso, desculpe, não conhece minha história. Aí eu peguei, quando o Corinthians estava para cair, tem que ser competitivo com 14 garotos para fugir do rebaixamento. Peguei o Palmeiras para cair, tinha que fazer uma reformulação extraordinária (…)

— Então cuidado com os rótulos, tem toda uma história muito bonita por trás com uma série de quipes jogando bonito. O Inter ganhou de 8 a 1 no Gaúcho e estava 7 a 0 no primeiro tempo. Na Sul-Americana, com 10 homens ganhando do Estudiantes lá que não perdia há 50 jogos. As pessoas quando rotulam precisam ter um pouquinho mais de cuidado, pegar um histórico todo. O final do trabalho mostra o que você é. Senão fica o estigma do gaúcho — analisou, após a goleada sobre o Boavista.

Tite ainda voltou a frisar que o tempo de treinamentos e dentro das quatro linhas fará toda a diferença para que os esquemas se tornem (quase) perfeitos. O importante é que, quando a temporada chegar na sua fase mais aguda, o Flamengo esteja na ponta dos cascos.

— A equipe já está entrosada com os externos, joga sem pensar. A outra vai ter que aprender a jogar sem pensar. É criar rotina. Fez bons jogos assim também. Ter sim o que é importante, que é não jogar de um jeito apenas. Há jogos que que precisa mais de posse, de criatividade, pode jogar com o quarteto. Dá para ter o quarteto no meio e fluir. Futuramente vai ter as duas possibilidades — finalizou.

Tite terá muito trabalho para montar o melhor Flamengo possível em 2024 (Foto: Marcelo Cortes /CRF)

O próximo desafio do Flamengo de Tite será neste domingo (25), diante do Fluminense, em jogo válido pela décima rodada da Taça Guanabara. O Rubro-Negro pode encaminhar o título do certame com uma vitória, já que as equipes estão empatadas na liderança. A bola rola a partir das 16h (de Brasília), no Maracanã.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme Xavier

É repórter na cobertura do Flamengo há três anos, com passagens por Lance! e Coluna do Fla. Fã de Charlie Brown Jr e enxadrista. Viver pra ser melhor também é um jeito de levar a vida!
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