Bastidores: Saída de Fagner foi ‘derrota política’ para o Corinthians, mas inevitável
Jogador foi um dos líderes do movimento em defesa do presidente Augusto Melo, mas estava desprestigiado com a comissão técnica
O lateral-direito Fagner foi apresentado como reforço do Cruzeiro na manhã deste sábado (4). Mesmo com a saída, o atleta segue pertencendo ao Corinthians, com quem tem contrato até o fim de 2026. Ele foi emprestado à Raposa até o fim de 2025.
Um dos líderes do elenco corintiano nos últimos anos, Fagner não fazia parte dos planos da comissão técnica. Portanto, a manutenção dele na equipe alvinegra se tornou inevitável.
Dono de um alto salário, superior a R$ 1 milhão por mês, a saída do lateral foi necessária para aliviar os custos no Timão. Ainda assim, o clube alvinegro pagará pouco menos da metade dos vencimentos do atleta.
– Situações que a gente precisa tomar decisões. Existem movimentações no orçamento, abre espaço para uma nova oportunidade. Existe uma conversa com a comissão técnica para entender os jogadores que não serão bem utilizados. Baseado nessas conversas, no que entendemos, temos que tomar decisões. O Corinthians atravessa momento difícil financeiramente. Às vezes tomamos uma decisão que pode não ser entendida, mas é pelo melhor do clube – explicou o executivo de futebol Fabinho Soldado, após a estreia do Corinthians na Copa São Paulo de Futebol Júnior, no sábado (4).
Diretoria do Corinthians perdeu trunfo, mas não gerou resistência à saída de Fagner
No Corinthians durante 11 anos seguidos, Fagner era uma dos líderes do elenco há algumas temporadas.
E essa influência também tornou o atleta um dos escudos do Timão em momentos difíceis, principalmente na última temporada, após a saída de Cássio, também para o Cruzeiro.
Um exemplo foi o fato do lateral ter liderado o movimento dos atleta em defesa do presidente Augusto Melo às vésperas da votação pelo impeachment do dirigente no Conselho Deliberativo – que foi suspensa por conta de uma liminar judicial.
Dias antes do movimento coordenado entre jogadores e membros da comissão técnica através das redes sociais, Augusto Melo esteve no CT Joaquim Grava e conversou com alguns atletas, entre eles Fagner.

De acordo com a apuração da Trivela, na data em que o elenco decidiu por fazer as postagens, o lateral foi o primeiro entre os atletas a pedir a palavra, na sequência do auxiliar-técnico Emiliano Díaz, que foi um dos articuladores da ação.
Ainda segundo relatos obtidos pela reportagem, o jogador, defendendo Augusto Melo, comentou sobre problemas de atrasos em pagamentos de salários e direitos de imagem em diretorias anteriores.
De toda forma, mesmo tendo Fagner como um dos escudos no elenco, a direção corintiana não resistiu à ideia de negociá-lo por empréstimo com o Cruzeiro.
Isso porque a comissão técnica deixou claro que vê Matheuzinho como titular. E, assim, manter Fagner no elenco seria custoso por se tratar de um reserva.
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Falta de prestígio de Fagner com a comissão técnica fez diretoria aceitar negociar o jogador
Quando chegaram ao Corinthians, o técnico Ramón Díaz e comissão apostaram bastante em Fagner. Na época, o jogador finalizava a recuperação de uma lesão muscular.
A ideia era resgatar a boa fase do lateral e contar com ele como um elo com os demais jogadores.
Tanto que na entrevista de apresentação, em junho, Ramón rasgou elogios a Fagner, inclusive o intitulando como “el capitán”, que na tradução para o português significa “o capitão”.
Com o tempo, porém, o lateral perdeu prestígio com a comissão técnica.
Na parte técnica, o jogador não correspondia como esperava.
Principalmente após Ramón encontrar o sistema tático corintiano no 4-4-2 em losango, a presença do veterano comprometeria a fase defensiva da equipe.

As questões físicas também não ajudavam o jogador, que teve dificuldades em engatar sequência de atuações consecutivas.
Mas a maior “decepção” por parte de Ramón Díaz e comissão foi com a postura de Fagner em algumas ocasiões.
Diferentemente do que se pensava no início do trabalho, o atleta não atuou como o elo auxiliando o corpo técnico.
Pelo contrário, segundo apuração da Trivela, o jogador foi um dos que manifestaram insatisfação com o trabalho no período de instabilidade do Corinthians na temporada.
O momento coincidiu com a perda de espaço de Fagner no time titular para Matheuzinho, que evoluiu na reta final da temporada e se tornou dono da lateral-direita corintiana.
Desta forma, além de representar um alívio na folha salarial, a saída do lateral foi um sinal de alinhamento da diretoria com a comissão técnica.
Mesmo contando com o jogador em um período complicado politicamente, a direção corintiana também tem em Ramón, Emiliano e corpo técnico um grande escudo em meio às “guerras políticas”.
Relação de Fagner com a direção do Corinthians mudou diversas vezes durante 2024
Quando assumiu o Corinthians, no início de 2024, a direção do clube alvinegro não contava com a renovação de Fagner. O jogador tinha vínculo até o fim daquela temporada.
Porém, a aposta em Matheuzinho não surtiu efeito imediato e durante o ano a alternativa encontrada foi estender o vínculo com Fagner por mais duas temporadas.
A chegada de Ramón Díaz, no entanto, representou evolução de Matheuzinho. Enquanto Fagner caiu bastante de rendimento.
Por outro lado, o veterano que começou o ano desprestigiado com a diretoria ganhou bastante moral, principalmente após o episódio em que liderou a ação coordenada em apoio a Augusto Melo.
Porém, nem isso foi capaz de segurar o jogador. E após mais de uma década no Corinthians ele deixa o clube alvinegro e reforça o Cruzeiro em 2025, ainda que por empréstimo.



