Conselho do Corinthians adota nova estratégia para votar impeachment de Augusto Melo
Conselheiros temem serem alvos em meio à crise esportiva e dão espaço para o presidente corintiano se reorganizar politicamente
Alvo de um pedido de impeachment no Corinthians, o presidente Augusto Melo ganhou tempo nos últimos dias, mas não está livre do possível processo de destituição.
Contrariando um forte movimento interno que “quer a cabeça” do mandatário corintiano, a Comissão de Ética do clube alvinegro sugeriu a suspensão do rito até o fim das investigações do “Caso Vai de Bet”, onde é investigado um suposto esquema de corrupção no repasse da intermediação do contrato entre Timão e a antiga patrocinadora máster.
Para boa parte dos conselheiros, há elementos suficientes para que seja aberto um processo para destituir o presidente, em especial o depoimento de Alex Fernando André, o Alex Cassundé, proprietário da empresa apontada em contrato como mediadora do negócio.
Na fala aos órgãos de Justiça, Cassundé nega ter feito a intermediação. Ele afirmou que encontrou a Vai de Bet por meio de uma plataforma de inteligência artificial e repassou o nome da casa de apostas ao então superintendente de marketing Sergio Moura.

Ainda assim, a Rede Social Media Design Ltda, cuja propriedade é de Alex Cassundé, foi apontada como intermediária, com direito a 7% de comissão.
Com a autorização do diretor administrativo Marcelo Mariano, foram repassados dois depósitos à empresa com os valores totalizando R$ 1,4 milhão. Alguns dias depois, parte desta quantia, R$ 1,04 milhão, foi transferida para uma empresa de fachada.
Ainda assim, a Comissão de Ética entende que o ideal para evitar qualquer injustiça e danos à imagem do Corinthians é que qualquer avanço na pauta do impeachment só ocorra após o fim do inquérito policial.
Temendo virar alvo e receber rótulo de golpista, Conselho Deliberativo deve “segurar” impeachment
Mesmo com o parecer da Comissão de Ética, o Conselho Deliberativo corintiano quer avançar a votação no órgão. Porém, sem a mesma pressa de dias atrás.
Presidente do órgão, Romeu Tuma Júnior assumiu o compromisso de acelerar o rito, contrariando a postura mais comedida do primeiro semestre. Porém, ele entende que qualquer aceleração pode ser prejudicial para o desempenho esportivo do clube, que briga para não cair à segunda divisão no Campeonato Brasileiro.
Com influência entre os conselheiros, Tuma convenceu os seus pares a esperarem um pouco para avançar a pauta. A previsão agora é que isso ocorra somente após o fim do Brasileirão.
Romeu não quer deixar o Conselho exposto em um período delicado esportivamente.
Inclusive, o presidente do órgão esteve temeroso desde que iniciaram os indícios de que o impeachment de Augusto Melo seria solicitado.
Romeu Tuma teme ficar rotulado como “golpista”, já que é aliado de Augusto Melo, ainda que atualmente tenha se distanciado do mandatário corintiano até por recomendação de pessoas próximas.
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Presidente do Corinthians aproveita para recuperar prestígio político
Mesmo tendo apresentado a sua defesa por escrito à Comissão de Ética do Corinthians, Augusto Melo entende que precisa de mais para se blindar de um afastamento e até possível desligamento do comando corintiano.
Atualmente, o cenário do Conselho Deliberativo se desenha favorável ao prosseguimento ao processo de impeachment, o que por si só faria com que o presidente fosse retirado do cargo até a votação definitiva entre os associados – que seguindo os conselheiros impediram de vez o mandatário do clube alvinegro.

Para Augusto, o pedido de destituição tem motivação política. Para contrapor isso, o grupo tem feito movimentos no mesmo sentido para se proteger.
A avaliação interna reconhece que faltou tato para agregar à administração pessoas politicamente influentes, como, por exemplo, alguns conselheiros.
Por isso que o parecer da Comissão de Ética e a estratégia do Conselho Deliberativo em segurar o processo de impeachment enquanto o desempenho esportivo não estiver bom é positivo para Augusto Melo.
O presidente ganhou tempo para, mesmo atrasado, fazer alianças políticas a fim de que o rito não prossiga e ele permaneça no cargo durante o tempo previsto da gestão, que é até o fim de 2026.



