Santos e Corinthians fazem clássico em que o presente de um repete o passado de outro
Timão vive cenário administrativo, política e financeiro tão grave como o dos últimos anos de um Peixe que até mesmo visitou a Série B
Inconstância talvez seja a palavra que melhor define a temporada de 2025 de Santos e Corinthians, rivais que se enfrentam nesta quarta-feira (15), às 21h30 (horário de Brasília), pelo Brasileirão.
Ainda que a situação do Peixe seja mais delicada, com o time lutando contra um novo rebaixamento, o Timão ainda não engrenou neste ano, mesmo com o título paulista conquistado no primeiro semestre.
Mas essas semelhanças vão além do que os clubes estão fazendo nesta temporada, mas também apontam as situações delicadas de ambos fora das quatro linhas.
Cenário político conturbado, dívidas sem fim, falta de credibilidade no mercado, impeachment de presidentes e até mesmo punições sucessivas na Fifa fazem parte da realidade de Santos e Corinthians nos últimos anos.
Crise política e administrativa levou o Santos à Série B do Brasileirão há menos de dois anos
A crise na qual o Corinthians tem nadado nos últimos meses também é frequentada, há alguns anos, pelo Santos. Principalmente de 2018 até os dias atuais.
Sob administração do ex-presidente José Carlos Peres, o Santos até obteve bons resultados dentro de campo. Com a ousada aposta em Jorge Sampaoli, em 2019, o Peixe foi fortemente ao mercado, fez uma série de investimentos e, jogando um futebol bastante vistoso, terminou o Brasileirão como vice-campeão, atrás apenas de um Flamengo que entrou para a história.
Em 2020, já no meio de um caos administrativo, Peres sofreu o impeachment e precisou ceder a cadeira de presidente para o então vice Orlando Rollo. Ainda assim, sob o comando de Cuca e sofrendo transfer ban da Fifa, o Santos por muito pouco não conquistou a quarta Libertadores da sua história.
A partir de 2020, a conta do forte investimento feito em 2019 chegou. Já com Andres Rueda na presidência, os bons resultados desapareceram da Vila Belmiro. Vexames atrás de vexames foram protagonizados com campanhas vergonhosas em praticamente todas as competições. Do Campeonato Paulista até a Copa Sul-Americana.
Foram três anos seguidos lutando contra o rebaixamento no Brasileirão até que a queda à Série B se confirmou na última rodada de 2023 destruindo um dos maiores orgulhos do torcedor santista: o de nunca ter sido rebaixado.

Em 2024, traumatizado com os últimos administradores, o torcedor decidiu recolocar Marcelo Teixeira na função, acreditando que sua experiência como gestor devolveria ao Santos o protagonismo de outros tempos.
A Série B foi conquistada e o desejado retorno à elite do futebol brasileiro garantido. De presente, Neymar, uma das maiores revelações do clube e um dos maiores jogadores dos últimos anos no mundo, decide voltar para casa pensando na sua recuperação e, principalmente, na disputa da última Copa do Mundo da carreira.
O retorno do astro traz muita visibilidade e aumenta a exposição do clube no mundo. Novos patrocinadores e aumento de receitas fazem o Santos retornar ao mercado de maneira voraz a ponto de contratar 20 atletas para a atual temporada.
Nada disso, no entanto, permitiu aos santistas desfrutarem de um Brasileirão em paz.
O astro do elenco sofre rotineiramente com lesões, as dezenas de contratações não se encaixam e o time amarga, mais uma vez, a luta contra o rebaixamento. E o duelo desta noite diante do Corinthians, em casa, precisa ser um divisor de águas pensando na reta final da competição.
Junto a isso, o tema do momento na Vila Belmiro diz respeito à reforma do estatuto social do clube para a transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), pois os constantes erros administrativos praticamente tornaram a vida financeira do Santos insustentável.
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Mesmo filme de terror que afligiu o Santos, hoje assombra do Corinthians
Com exceção de um rebaixamento consumado, boa parte do roteiro do Santos nos últimos sete anos tem sido repetido no Corinthians, principalmente há dois.
Ainda que a dívida de R$ 2,7 bilhões seja fruto de sucessivas más administrações que ultrapassam uma década, o colapso administrativo atingiu o clube desde o ano passado.
O transfer ban, termo que foi popularizado pelos santistas, chegou ao Timão.

Entre situações que cabem ou não recursos, o clube já foi condenado em seis processos, que, somados, chegam a R$ 120 milhões.
De todos os atletas contratados desde 2024, apenas dois foram pagos: o goleiro Hugo Souza e o lateral-direito Matheuzinho, ambos vindos do Flamengo.
E assim como aconteceu com o Peixe em 2019, o Timão teve o seu presidente destituído do cargo pelos conselheiros e associados.
Denunciado por associação criminosa, lavagem de dinheiro e furto qualificado contra o próprio Corinthians, em referência ao caso “Vai de Bet”, Augusto Melo sofreu impeachment no início de agosto.
E mesmo com um descenso não consumado, o que também não deve acontecer em 2025, o Timão já não consegue brigar na parte alta do Brasileirão há três anos, pois ainda que tenha se classificado à fase preliminar na Libertadores na última temporada, a equipe passou o campeonato inteiro brigando para não cair. A promoção à competição continental ocorreu apenas por conta de uma arrancada histórica nas últimas nove rodadas.



