Brasileirão Série A

Gallo, há quase 1 mês no Santos, diz que olha para o mundo todo buscando reforços

Alexandre Gallo substituiu Falcão como coordenador técnico do Santos e, em conversa com a Trivela, afirmou olhar para o mundo inteiro atrás de alternativas de reforços

Contratado para substituir Paulo Roberto Falcão, Alexandre Gallo está em vias de completar um mês como coordenador técnico do Santos. Ao longo dessas quatro semanas de trabalho na Vila Belmiro, o dirigente, que já foi jogador e treinador do Peixe, detalha, em entrevista à Trivela, como tem sido a experiência, explica como é a relação diária com Diego Aguirre, afirma que não pensa em ficar marcado com um possível rebaixamento e comenta tratativas para manter Marcos Leonardo no clube.

Você está em vias de completar um mês de trabalho no Santos. Como foram essas primeiras semanas como coordenador técnico do Clube?

Nesse primeiro momento a gente quer que o time se encaixe mais rápido possível e que os reforços que a gente trouxe, porque quando cheguei já vi um time que não era para estar nessa posição (17º colocado no Brasileirão). Que era um time que tinha qualidade técnica e conhecendo o trabalho do Aguirre também. A gente está fazendo uma parceria bastante interessante.

Vocês conversam sobre a forma da equipe jogar e escalações, por exemplo?

Respeito muito o trabalho dele e sempre a decisão vai ser dele. Sempre! A gente tem reuniões pré e pós-jogos e eu cobro dele tudo que pensou antes das partidas. A gente tem pensamentos distintos sobre futebol, mas respeito e sempre vai ser assim, porque o trato como gostava de ser tratado enquanto fui treinador. A decisão sempre é do treinador. É responsabilidade dele, mas ele me dá a liberdade de colocar as minhas ideias também. E a partir disso, ele decide.

Aguirre com o elenco no CT Rei Pelé
Aguirre costuma ter reuniões antes e após as partidas com o coordenador técnico Alexandre Gallo (Foto: Flickr)

Então você questiona o Aguirre sobre determinadas decisões?

Eu tenho que ser um contraponto do treinador. Essa é a função do gestor de futebol. A decisão de como o time vai jogar é dele. Depois a gente faz as avaliações e toma as nossas decisões. Mas a decisão de campo é e sempre será dele.

O Santos está com o terceiro treinador no Campeonato Brasileiro. O Aguirre tem apenas quatro jogos no comando e o time parece mais organizado, mas os resultados não estão vindo. Você o garante no cargo até o final da temporada?

Essa é uma pergunta que foge de propósito, porque cheguei junto com ele. Estou vendo que o time está evoluindo. Mas se depois de uma derrota ruim como foi contra o América-MG, que a gente acha que foi muito mais uma oscilação de comportamento do elenco com a chegada desses novos atletas… Então, o dinamismo do futebol é para amanhã. O nosso foco é para que o treino de hoje seja melhor do que o de ontem. Não tem como você fazer qualquer projeção de números que não seja ganhando do Cruzeiro na próxima rodada. O Cruzeiro merece muito respeito, mas a gente só está focado no dia de hoje. Por isso que te digo que não tenho condições de te responder isso.

Como o time que tem apenas cinco vitórias em 21 rodadas ainda pode oscilar? Já não passou da hora do elenco parar de oscilar?

Mas oscila. É uma competição muito longa. São 38 rodadas e ninguém consegue jogar 10 jogos bem consecutivamente. É impossível. Uma hora os jogadores caem, não aguentam. O futebol não é uma regra. Tive uma conversa com os jogadores bastante interessante na representação, quarta-feira (6). Cobrei eles sobre essa questão específica que não pode acontecer quando você está no bloco de baixo da competição e que te tira a possibilidade de ganhar um jogo, que a gente entendia, com todo respeito que o América-MG merece, que dava para a gente ganhar.

Foram nove reforços nesta janela de transferências. Com a negativa do Roberto Pereyra, o Santos encerrou as suas contratações e vai com esse elenco até o fim do Brasileiro?

A gente está de olho no mercado. Nesse momento, conforme a regra que está em vigor, temos que buscar as oportunidades disponíveis no mercado. Eu queria trazer um jogador para essa posição ou para a outra posição, mas muitas vezes a gente não encontra, porque a oportunidade vem do cara que está livre no mercado. Não estou fazendo aquilo que eu quero, estou fazendo aquilo que o mercado oferece e muitas vezes não temos escolhas. Você está engessado.

Mas tem alguma negociação ou conversa em andamento nesse momento?

Hoje não temos negociação com ninguém em andamento, mas a gente segue buscando alternativas no mundo inteiro.

Contratar nove jogadores e entregá-los para um técnico que tem um mês de trabalho não é perigoso?

É perigoso, mas não tinha o que fazer. Era fazer ou não fazer. A gente mantinha o elenco do jeito que estava ou qualificava ele. Agora, sobre os treinadores, eu não posso responder por tudo aquilo que aconteceu antes da minha chegada.

Você conseguiu contornar a insatisfação do Marcos Leonardo. Para que isso ocorresse ficou acertado que ele será negociado no fim do ano?

Nós fizemos um ajuste no contrato dele para que chegando em valores específicos e estipulados em um acordo, o Santos faz o negócio. Mas vai ter que chegar a um valor superior ao oferecido pela Roma, por exemplo.

Já na próxima janela de transferências?

Sim, porque toda janela de transferência é uma possibilidade para ele ser negociado. A gente só bateu em cima da mesa de que não iria fazer nesse momento. Houve a concordância dele, do pai e do representante e criamos critérios específicos para que essa venda possa acontecer. E se acontecer o Santos vai ficar confortável.

Você foi jogador, treinador e agora é coordenador técnico do Santos. Tem medo de acabar marcado com o primeiro rebaixamento da história do clube?

Essa é a minha oitava temporada defendendo esse clube em diferentes funções. Quando fui convidado, tive a possibilidade de pensar 24 horas sobre essa grande oportunidade. Na vida, toda grande dificuldade vem cercada de grandes oportunidades. Então, seria uma grande oportunidade também para entregar para o Santos tudo aquilo que aprendi nesses 41 anos de futebol. Eu estudei gestão de futebol em outros lugares, fiz cursos aqui no Brasil e fora, comandei o futebol do Atlético-MG sem nenhum centavo na conta e deixamos em sexto lugar no Campeonato Brasileiro e nos classificado para a Libertadores. Então, diante de tudo isso, é uma oportunidade de colocar a minha marca aqui também. A gente está a uma vitória de sair dessa zona de rebaixamento. Como é que eu vou pensar em rebaixamento? A gente está contratando, o presidente está empenhado em trazer grandes jogadores. Acho que o Alfredo (Morelos) é um grande jogador. Também tem o Rincón e o próprio Caiçara, que veio sob o meu comando. São jogadores que podem ser titulares. Eu sei que não é bom você qualificar uma equipe em setembro, mas nós não tínhamos saída. E essa qualificação é o que mais me faz acreditar que não vamos ser rebaixados.

Foto de Bruno Lima

Bruno Lima

Bruno Lima nasceu em Santos (SP) e se formou em Jornalismo na Universidade Católica de Santos (UniSantos) em 2010. Antes de escrever para Trivela, passou por A Tribuna.
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