Brasileirão Série A

Palmeiras e São Paulo colecionam motivos para encarar Choque-Rei como ‘final’ pelo Brasileirão

Enquanto São Paulo quer resultado para encerrar seu ano, Palmeiras faz do jogo um trampolim por vaga na Libertadores

Tão acostumado a empilhar títulos nos últimos anos, o Palmeiras hoje briga apenas pelo G4 do Brasileirão em 2023. O São Paulo, por sua vez, acaba de festejar um mês da conquista da Copa do Brasil, até então inédita em sua história. A julgar pelo andar da temporada, os dois rivais não têm lá muita coisa em jogo no Choque-Rei desta quarta-feira (25), às 20h30 (horário de Brasília), no Allianz Parque, pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Ledo engano. Palmeiras e São Paulo medem forças em um clássico que não vale taça, nem é eliminatório – como muito ocorreu nos últimos anos. Mas as duas equipes têm, sim, motivos para encarar o Choque-Rei como um confronto decisivo para as respectivas ambições até o fim do ano, como a Trivela conta abaixo.

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Palmeiras não tem pontos a desperdiçar

Joaquín Piquerez comemora gool com Endrick diante dop Boca Juniors pela Libertadores (Photo by PGG/Icon Sport) – Photo by Icon sport

O Brasileiro de 2023 será o mais tenso para o Palmeiras até o seu fim dentro da Era Abel Ferreira. Em 2020 e 21, o clube tinha duas Libertadores a decidir como metas maiores. Em 22, quando caiu da Libertadores, já caminhava com firmeza para o título nacional.

Já neste ano, as próximas dez rodadas prometem se de tensão para um clube que luta por seu 2024. O Palmeiras precisa da vaga na Libertadores para receber os reforços que ficou sem neste ano. A simples ideia de disputar a Sul-Americana causa arrepios na Academia de Futebol.

Por isso, mesmo um Choque-Rei, no qual um empate não costuma ser visto como trágico, pode ter ares graves para o clube alviverde.

Com 47 pontos, o time precisa de mais 15 para fazer 64. A média de pontos dos quartos colocados do último decênio foi de 63,1. O melhor quarto colocado do período foi o Corinthians de 2014, que fez 69 pontos. O pior, o Fortaleza de 2021, com 58.

Com a necessidade de mais cinco vitórias e dois empates, tendo, além do São Paulo, Bahia, Athletico-PR, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Internacional, Fortaleza e Cruzeiro pela frente, entre outros, chegou a hora de o Palmeiras olhar para todos os jogos vendo o mesmo grau de dificuldade – talvez exceto pelo América-MG, que já está rebaixado.

São Paulo pode antecipar fim de ano no Choque-Rei

O São Paulo vive uma temporada histórica em que conquistou o título inédito da Copa do Brasil, mas o mesmo tom épico não se reflete no Brasileirão. Enquanto dirigia foco total às copas, o Tricolor patinava no Campeonato Brasileiro. Tanto, que só agora consegue ensaiar uma reação para se afastar do Z4 e acabar com qualquer risco de rebaixamento.

Por isso, o clássico com o Palmeiras ainda tem potencial decisivo – e como – para a equipe de Dorival Júnior. Uma vitória no Allianz Parque pode antecipar o fim de ano do clube e permitir que a diretoria acelere o planejamento para 2024 e, especialmente, avance nas conversas sobre a renovação com Lucas Moura. Tudo, porque os três pontos do Choque-Rei praticamente garantem a permanência do São Paulo na Série A para a próxima temporada.

São Paulo vem de vitória sobre o Grêmio (Foto: Icon Sport)

Ao menos, é o que mostra a matemática da tabela. Hoje, o Vasco é quem abre o Z4, com 30 pontos e um total de 35,7% de aproveitamento. Se o Cruz-Maltino mantiver este rendimento, a projeção é de que encerre o Brasileirão com 41 pontos. A mesma pontuação a que o São Paulo chegará, em caso de vitória sobre o Palmeiras nesta quarta-feira (25).

– Nós naturalmente temos um jogo muito complicado, um clássico. Ele já define os momentos das equipes. Todos dizendo que o Palmeiras está com instabilidade, mas não deixa de ser uma grande equipe, difícil de se jogar. Foco total para fazer um grande jogo. Existe o risco (de rebaixamento), e não pode ter desconcentração. Não pode ter em momento nenhum – ressalta Dorival.

São Paulo tenta enfim vencer fora pelo Brasileirão

Comemoração do São Paulo contra o Palmeiras
São Paulo se sente à vontade quando joga no Allianz Parque (Foto: Paulo Pinto / saopaulofc.net)

Para antecipar o fim de ano, porém, o São Paulo terá que vencer a sua primeira partida como visitante no Brasileirão. O Tricolor é o único time além do lanterna América-MG que ainda não venceu fora de casa na competição. Em 13 jogos, são seis empates, sete derrotas e míseros 15% de aproveitamento.

Menos mal aos são-paulinos, que o retrospecto contra o Palmeiras de Abel Ferreira é positivo. O São Paulo é o único dos rivais paulistas que faz frente ao técnico português e inclusive leva a melhor nos confrontos diretos. Em 20 clássicos até agora, são oito vitórias do Tricolor, além de seis empates e seis triunfos palmeirenses – o aproveitamento é de 60%.

E o São Paulo também já mostrou que se sente bem nos duelos no Allianz Parque. O Choque-Rei desta quarta será o décimo no estádio desde que Abel assumiu o Palmeiras. Nos nove clássicos anteriores, o retrospecto é de equilíbrio total. São três vitórias para cada lado e mais três empates.

Chance de reconquistar a torcida

Palmeiras deve ter Allianz Parque lotado novamente para encarar o Boca Juniors – Foto: Icon sport

Até a conclusão desta matéria, o Palmeiras ainda não tinha comercializado nem 25 mil ingressos para o clássico. O baixo número de antecipação não chega a ser surpresa.

É bem possível que o público até gire em torno de 35 mil lugares até a hora do jogo, o que não seria mal. Aí, caberá ao Palmeiras mostrar ao seu torcedor que ainda tem entretenimento a oferecer até o fim do ano.

Em especial levando-se em conta que o clube deverá fazer ao menos três jogos na Arena Barueri, por conta de shows no Allianz Parque.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo DecontoSetorista

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.
Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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