Palmeiras e Atlético-MG fazem clássico da decepção para tentar evitar desastres
Para começar a garantir ao menos vaga no G4, os badalados Palmeiras e Atlético-MG se enfrentam no Allianz Parque
Há pouco mais de dois meses, Palmeiras e Atlético-MG se encontravam no Allianz Parque, cheios de sonhos, na briga por uma vaga nas quartas de final da Copa Libertadores. Com uma vitória em Belo Horizonte uma semana antes, o Alviverde precisou só de um empate para se classificar e sonhar com um fim de ano de ouro.
Naquele dia, porém, o Galo já caia, com dois meses de antecedência, numa realidade que ambos agora experimentam: hoje, uma vaga na Libertadores do próximo ano é o máximo que dois dos clubes mais badalados do Brasil podem almejar.
O G4 é pouco para ambos, tanto pelos investimentos feitos quanto pelos seus elencos e planejamentos. O que fica mais evidente quando se olha para os bancos de reservas das duas equipes. Frente a frente, mais uma vez estarão Abel Ferreira e Luiz Felipe Scolari.
Mas é o que restou. E não conseguir tal objetivo será desastroso para ambos.
Planejamento do Palmeiras foi aposta alta no mesmo
O Palmeiras pouco se reforçou para a atual temporada. Mesmo tendo perdido Danilo e Gustavo Scarpa, dois dos seus melhores valores no último ano, o Alviverde apostou na manutenção dos seus demais principais jogadores e na maturação de jogadores da base.
Se dar certo seria ir à final da Libertadores, faltou pouco. O Palmeiras só caiu nos pênaltis ante o Boca Juniors, o clube que melhor entende, enquanto instituição, como disputar o sul-americano de clubes.
Mas a verdade é que uma classificação mascararia um erro conceitual de planejamento. Faltaram peças básicas ao Palmeiras. Sem Danilo, o clube não tinha um único camisa 5 pronto para assumir o posto. E ao recuar Zé Rafael para função, perdeu também seu camisa 8 – em que pese Zé ter se adaptado razoavelmente bem ao posto, e Gabriel Menino não ter feito um ano ruim.
Mas mais até do que repôr os nomes perdidos, faltaram ao Palmeiras peças para rotação do elenco, para usar um termo importado do basquete. O Palmeiras tinha um time titular e um grupo de garotos que ainda não tinham rodagem suficiente para ter a confiança de Abel. Faltaram jogadores para o meio do caminho.
E, desse modo, o Palmeiras, quando poupou jogadores no Brasileiro para jogar a Libertadores, Abel não teve as peças necessárias para serem dublês dos titulares – em especial quando Dudu se lesionou. E, desse modo, o Verdão ficou sem o Continental e sem o Nacional.
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Hora de remontar?
A escalação do Palmeiras hoje é totalmente incógnita. Veiga, Gomez e Piquerez, que voltam da Data Fifa, podem não atuar o tempo inteiro. Mas nem é aí que mora a maior expectativa.
Abel vai se render a formar a linha de frente com Endrick, Rony e Kevin? Ou vai manter Mayke no ataque, em um esquema que travou o Palmeiras em três dos quatro tempos na semifinal da Libertadores?
Artur vai reconquistar o lugar no ataque, com Endrick indo para a reserva novamente? Ou Abel, enfim, vai voltar a apostar no camisa 9, que foi muito bem contra o Santos no último jogo do time no Brasileirão?
A resposta para esses questionamentos podem indicar com o que o palmeirense vai ter de lidar por mais doze rodadas.
Mais um ano decepcionante no Atlético

Depois de um 2022 muito abaixo do esperado, já que 2021 foi o ano mais espetacular da história do clube, o Atlético tinha a intenção de retomar o protagonismo. Para isso, trouxe Eduardo Coudet e fez algumas contratações, sendo a mais importante delas a de Paulinho.
Mas quase nada saiu como o planejado. Coudet levou o time da pré-Libertadores para a fase de grupos e encaminhou a classificação, foi campeão Mineiro e estava no G4. Mas deixou o time por se sentir enganado devido à falta de reforços de alto nível. Felipão, velho conhecido do Palmeiras, foi o escolhido para substituí-lo. E aí, tudo desandou de vez.
Felipão teve um dos piores inícios de trabalho da carreira e de um treinador do Atlético. Ele até conseguiu classificar o time para as oitavas da Libertadores, mas caiu na sequência justamente para o Palmeiras, com um futebol ínfimo. Somado a isso, o Galo passou nove jogos sem vencer, saindo do G4 para o 13° lugar.
Em um mês e meio, o alvinegro viu a sua temporada deslanchar, sair de uma possível briga por título brasileiro e da Libertadores para ter que olhar para o Z4 em certo momento. Mas o experiente técnico conseguiu ajustar um pouco a casa.
Jogo contra o Palmeiras pode definir muita coisa na Cidade do Galo
Depois da eliminação na Libertadores, Felipão conseguiu virar a chave. Foram sete jogos, com cinco vitórias, um empate e uma derrota, recolocando o time na briga por uma vaga na Libertadores, que passou a ser o único objetivo do Galo no ano. Mas o time deu uma derrapada inesperada na última rodada contra o lanterna Coritiba. Foi a primeira derrota na Arena MRV.
Para recuperar os três pontos deixados em casa, o Atlético terá que quebrar um tabu de dez jogos sem vencer o Alviverde, o histórico de uma só vitória em 11 jogos no Allianz Parque – além de ter o clube paulista entalado na garganta pelas três eliminações seguidas na Libertadores.
Se vencer, o Galo pode entrar no G6 e ficar a um ponto do próprio Palmeiras. Se perder, além de ver o G4 ainda mais longe, vai chegar sem moral e muito pressionado para o clássico contra o Cruzeiro, no domingo (22), o primeiro de seu novo estádio. A sequência atleticana terá o vice-líder Bragantino, os finalistas da Libertadores, Fluminense, e da Sul-Americana, Fortaleza – ambos à frente do Galo na briga por vagas no G6 e ou G4.
Em um ano mais uma vez decepcionante para o Atlético por “culpa” do Palmeiras, o jogo contra o Alviverde agora significa o início de uma trajetória de jogos importantes. Que pode começar com um ânimo incalculável com uma vitória – ou uma derrota para destruir o emocional da equipe.



