Libertadores

Atlético-MG foi o time que mais mereceu ser eliminado da Libertadores

Em nenhum momento o Galo esteve perto de sonhar com a vaga, já que não se propôs a atacar em mais de 180 minutos

O Atlético-MG apenas empatou com o Palmeiras na noite desta quarta-feira (9) e foi eliminado nas oitavas de final da Copa Libertadores. Com o apresentado em campo, o Galo se colocou como o time que mais mereceu ser eliminado da competição.

O Atlético foi derrotado no primeiro jogo, no Mineirão, sendo um time impotente, que não conseguiu agredir o Palmeiras. Mesmo assim terminou o jogo com mais finalizações e posse, mas com apenas uma finalização ao gol, sendo essa uma cabeçada de Jemerson após uma cobrança de escanteio. Com bola rolando, não conseguiu criar uma jogada sequer que afetasse a defesa palmeirense.

No Allianz, mesmo precisando vencer, o Atlético voltou a ser um time que não agrediu. O Galo passou todo o primeiro tempo sem sequer ameaçar o Palmeiras. Não chegou ao ataque com perigo e, por muitas vezes, mal passou do meio campo. No segundo tempo, mesmo com o alviverde mais tranquilo, o Galo não aproveitou para pressionar. O time criou apenas uma chance, que Paulinho chutou para fora após driblar Weverton. Confira:

Atlético ficou, literalmente, longe do gol

Nos 180 minutos, mais os acréscimos, do confronto, o Atlético mal levou perigo ao Palmeiras. Só chutou ao gol uma vez, e mesmo assim em um lance de bola parada. Só criou uma chance real, que foi desperdiçada, algo comum com Felipão: segundo o SofaScore, o time criou apenas 13 chances em 11 jogos e perdeu nove delas na gestão do técnico. Ou seja, o Galo cria pouco e, quando cria, perde.

Contra o Palmeiras, nos dois jogos, o mapa de calor do time do Atlético mostra que o time ficou literalmente longe do gol. No primeiro jogo, a posse atleticana foi concentrada na esquerda, mas longe de ter muitas ações perto ou dentro da área. No segundo jogo, em que o Galo precisava atacar e marcar ao menos um gol, o time ficou ainda mais longe, na região central do campo.

O Galo não quis se classificar e, em nenhum momento, o Palmeiras ficou ameaçado de perder a vaga. Um time que precisa marcar um gol para sonhar em classificar e passa o primeiro tempo inteiro sem ameaçar o rival definitivamente não se esforçou o bastante, mesmo que o discurso seja esse. É claro que, em jogos eliminatórios, é possível se classificar dessa forma, mas não há como negar que atacar o adversário e buscar criar chances de gol te coloca mais perto do objetivo.

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Só querer não pode ser o suficiente para o Atlético

No início do século, o Atlético deixou de ser um time que chegava sempre nas fases finais dos campeonatos para se tornar um que lutava para não cair. Caiu em 2005, voltou em 2006 e seguiu nessa luta até 2011. Nesse período, a torcida do Galo se acostumou com o clube ser um fracasso, então bastava “jogar com vontade” que já era suficiente. Isso mudou em 2012, quando Ronaldinho Gaúcho chegou ao time e trouxe uma mentalidade vencedora ao clube.

No entanto, a fase de “pelo menos a gente tentou” está cada vez mais querendo voltar ao Atlético. Nesta quarta, os jogadores e o técnico Felipão saíram de campo com esse discurso, de que valeu a entrega e a luta dos jogadores. Alguns torcedores nas redes adotaram o mesmo.

– O primeiro tempo em BH custou muito pra gente. Ter que correr atrás, e o Palmeiras é um time que defende muito bem. O que fica é a entrega dos jogadores. Todo mundo deu o seu melhor – disse Hulk ao sair do campo.

Mas vale lembrar aos atletas e ao treinador, que o Galo é um clube que teve investimento alto e contratou jogadores que considera de qualidade para lutar por títulos. Só vontade não pode ser suficiente para um time desse. Além disso, com apenas um chute ao gol e uma chance criada, dizer que os jogadores fizeram o máximo e se entregaram parece não encaixar.

Os outros eliminados da Libertadores

O Atlético se juntou a outros cinco times já eliminados nas oitavas da Libertadores. São eles: Argentinos Juniors, Athletico-PR, River Plate, Nacional e Independiente del Valle. Dentre eles, o Del Valle talvez entre na disputa com o Galo para ver quem pediu mais para ser eliminado. No entanto, o time equatoriano pelo menos tentou, criou chances e atacou o adversário (Deportivo Pereira), diferente do alvinegro.

Os outros todos tiveram ao menos um bom jogo. O Argentinos Juniors foi valente contra o Fluminense e jogou melhor, por exemplo, na Argentina. O River foi cair em uma emocionante disputa nos pênaltis para o Inter, depois de ter feito grande partida no primeiro jogo. O Nacional correu atrás duas vezes do placar contra o Boca em plena La Bombonera. E o Athletico-PR, que sofreu com a altitude do Bolívar, reverteu na volta, teve chance de fazer mais, mas caiu nos pênaltis.

Dos outros jogos, que vão acontecer nesta quinta (10), também não sairá um time que fez menos que o Atlético. Racing e Atlético Nacional fizeram um jogo épico na Colômbia, com os argentinos buscando um 3 a 0 para 3 a 2 e os colombianos ainda fazendo o 4 a 2. Já o Olimpia se mostrou guerreiro ao segurar e levar apenas um gol de desvantagem para o Paraguai contra o Flamengo que, é verdade, se cair, será um grande fiasco, mas que criou chances no primeiro jogo, apesar dele não ter sido dos melhores.

Felipão no Atlético

Contratado por ser um cara que abraça o grupo de jogadores e tem alta experiência na Libertadores, Felipão caiu sem conseguir fazer o Atlético jogar na competição. Com ele no comando, o time tem apenas uma vitória e agora tem só o Brasileiro pela frente, onde não consegue mais ser campeão. Confira os números da passagem do experiente treinador até aqui:

  • 11 jogos
  • 1 vitória
  • 5 empates
  • 5 derrotas
  • 24.2% apv.
  • 8 gols marcados
  • 11 gols sofridos
Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander HeinrickSetorista

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.

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