Brasileirão Série A

Renato não teve, com os repórteres, a mesma paciência que pede à torcida do Grêmio

Após derrota para o Botafogo, em Cariacica/ES, treinador gremista se queixou do desgaste e de não poder jogar em casa

Em sua entrevista coletiva após a derrota do Grêmio por 2 a 1 para o Botafogo, na noite deste domingo (16), em Cariacica/ES, o treinador Renato Portaluppi não teve a mesma paciência com os repórteres que pede à torcida gremista diante das circunstâncias difíceis que a equipe enfrenta depois das enchentes no Rio Grande do Sul.

Em sua primeira resposta, Renato confrontou o repórter Cesar Fabris, da Rádio Imortal, por conta de questionamento na derrota para o Flamengo, na última quinta-feira (13), em que o jornalista teria dito que Pavón atirou a camiseta no chão após ser substituído.

— O que mais me incomodou foi teu o discurso. Você disse que o Pavón jogou a camisa no chão. Vocês querem respeito, respeitem. Vocês vem querer fazer onda… eu respondo todas perguntas de vocês, mas inventar já é demais. Ele estava brabo com ele mesmo, chutou o copo d’água — irritou-se Renato.

Porém, o treinador se confundiu com o repórter. Na verdade, a pergunta havia sido feita por Eduardo Picão, do Canal de Alex Bagé. Renato, então, pediu desculpas a Fabris, mas manteve a indignação com o episódio.

Desgaste levou Renato a fazer muitas mudanças na equipe

Quanto ao jogo em si, o treinador do Grêmio atribuiu parte da dificuldade de sua equipe ao desgaste físico, que o obrigou a mexer no time. Contra o Botafogo, foram sete mudanças em comparação com a derrota para o Flamengo, três dias antes.

— Vocês querem que a gente faça o que? Vai ser sempre a mesma resposta. Acredito que hoje o Flamengo, Botafogo, mais duas ou três equipes tem os melhores elencos do Brasil. Jogamos na quinta-feira com o Flamengo, Botafogo jogou na terça-feira, teve mais tempo de descanso. Como vou colocar os mesmos jogadores? Quando tomamos decisões, são decisões pensadas — disse Renato.

Mesmo mandante, Grêmio teve muito menos torcida no estádio do que o Botafogo

Outro problema apontado pelo treinador foi a impossibilidade de jogar em casa, na Arena do Grêmio, que está em recuperação após ser inundada pelas enchentes em Porto Alegre.

— O nosso torcedor tem que ter paciência. O primeiro turno basicamente vai ser assim. É muito difícil jogar fora de casa. Hoje o mando era do Grêmio, mas 90% do estádio era do Botafogo. Peço que o torcedor entenda nossa situação — reiterou Renato.

Entretanto, a decisão de realizar o jogo em Cariacica/ES, com predominância de torcedores do Botafogo, foi do próprio Grêmio, em acerto com o Alvinegro Carioca, que mandará o jogo do returno no Mané Garrincha, em Brasília.

— Eram os dois jogos em Brasília, mas teve um show. Se jogássemos em qualquer outro lugar, teríamos que jogar o jogo do segundo turno no Engenhão, na grama sintética. Esse foi o acordo que os presidentes fizeram. Eu entendo que o torcedor quer a gente próximo, mas foi a melhor decisão — ponderou Renato.

Para Renato, Grêmio tem jogado bem

Apesar da quarta derrota seguida no Campeonato Brasileiro, que coloca o Grêmio na zona de rebaixamento, Renato não demonstra preocupação com o desempenho de seu time. Ao menos, não publicamente.

— Eu estaria muito preocupado se estivéssemos perdendo os jogos e não jogando bem. Nosso time tem jogado bem. No início do jogo Botafogo esteve melhor. Mas depois tomamos conta do jogo, empatamos. E por um erro nosso infelizmente tomamos o segundo gol. Goleiro deles teve uma tarde feliz — avaliou.

Foto de Nícolas Wagner

Nícolas Wagner

Gaúcho, formado em jornalismo pela PUC-RS e especializado em análise de desempenho e mercado pelo Futebol Interativo. Antes da Trivela, passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. Também é coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.
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