Brasileirão Série A

Como tragédia no RS uniu Grêmio e Botafogo, adversários neste domingo, pelo Brasileiro

Desde as enchentes no Rio Grande do Sul, em maio, Grêmio e Botafogo estreitaram as relações nos bastidores do futebol brasileiro

Adversários neste domingo (16), pelo Campeonato Brasileiro, Grêmio e Botafogo estão unidos fora de campo. E o jogo que acontece às 18h30 (horário de Brasília), no Estádio Kleber Andrade, em Cariacica, pela nona rodada do Brasileirão, será o primeiro encontro entre os clubes desde esta aproximação, que começou devido a uma tragédia recente: as chuvas e as enchentes no Rio Grande do Sul.

Publicamente, muitos clubes apoiaram as vítimas das enchentes no sul do Brasil e fizeram ações pelos desabrigados. Mas, nos bastidores do futebol brasileiro, o Botafogo foi um dos poucos clubes que apoiaram o pedido de Grêmio e Inter pela paralisação do Campeonato Brasileiro em maio. Além disso, a diretoria da SAF do Glorioso também foi a única que aceitou o pedido do Grêmio pela troca do mando de campo ou por partida em campo neutro.

Foi assim que o jogo deste domingo, que tem mando do Grêmio, parou em Cariacica. Os clubes chegaram fazer um acordo pela troca de mando, com o jogo do primeiro turno, que seria na Arena, passando para o Nilton Santos. No entanto, um show marcado para o estádio do Botafogo impediu a mudança. Assim, os clubes fizeram um acordo por duas partidas em campos neutros: a primeira no Kleber Andrade, em Cariacica, e a segunda no Mané Garrincha, em Brasília.

A partida em campo neutro é uma forma de amenizar os prejuízos técnicos que o Grêmio vem enfrentando com a impossibilidade de mandar jogos na sua casa, que foi inundada durante as enchentes em Porto Alegre. Além disso, é claro, os clubes terão retorno financeiro. Para o Botafogo, o jogo em Cariacica ainda foi visto de forma positiva pelo Espírito Santo ser um reduto de torcedores do clube.

– Tentamos inverter os mandos, mas não será possível porque vai ter show do Natiruts aqui. Tentamos levar para o Maracanã, mas não foi possível e compreendemos as explicações, o gramado está passando por um processo de replantio. A única forma possível foi jogar em campos neutros e ainda tivemos retorno financeiro com isso, porque Cariacica e Brasília pagam para a gente jogar, e não é pouco. Além de fazer o correto, ainda tem o retorno financeiro que é importante – afirmou o CEO do Botafogo, Thairo Arruda, em entrevista recente.

Botafogo arrecadou doações em treino aberto

Antes da partida deste domingo, o Botafogo já havia feito outras ações em prol das vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. No fim de maio, o clube fez um treino aberto para torcedores no Nilton Santos com o intuito de arrecadar fundos e doações para os desabrigados. Além dos donativos entregues no estádio, que teve a presença de mais de 300 alvinegros, os torcedores do Glorioso também contribuíram com um ingresso solidário.

No início de maio, quando a situação no Rio Grando Sul era crítica, o Botafogo já havia aberto as sedes de General Severiano e da Lagoa para arrecadar doações para as vítimas das enchentes. Na partida contra a LDU, pela Copa Libertadores, o clube também recebeu donativos no Nilton Santos.

Elogio de Renato e ponte construída

A postura do Botafogo nos bastidores rendeu elogio de Renato Gaúcho. Na última semana, o técnico do Grêmio ressaltou que o clube carioca foi um dos poucos que “fechou” com o Tricolor durante este momento delicado causado pelas chuvas no Rio Grande do Sul.

– Quando eu falo que alguns clubes não fecharam, todo presidente tem liberdade para tomar a decisão que bem entender. Nessa horas, a gente viu quem era quem. O Botafogo fechou com o Grêmio. Estou dando um exemplo. Ninguém está pedindo para ficarem com peninha e darem pontos para gente, mas juntando as forças dos clubes poderia ser um pouco diferente, mas não foi dessa forma. O Botafogo temos que elogiar e praticamente ficou por aí – disse Renato Gaúcho em coletiva na última semana.

Para o Botafogo, além de um dever “ético”, a ajuda aos gaúchos também é importante para “construir pontes” entre os clubes.

– Eu lembro na reunião da CBF vários presidentes de clubes lamentando a situação, colocando CT à disposição, etc… Mas na hora do vamos ver, que você recebe a ligação do presidente do Grêmio, do Inter, pedindo sua ajuda, é nessa hora que você separa os homens dos meninos. O Botafogo vai sempre trabalhar no caminho da ética, da moral, e entendemos que isso tem um ganho de longo prazo. Primeiro porque isso é o certo. Ponto final. Segundo, como o Renato Gaúcho lembrou, daqui a dois ou três anos, essa ponte está construída com Grêmio, Internacional e Juventude. Daqui a pouco é nós que precisamos deles, mesmo que seja em outras áreas. Construir pontes faz parte do trabalho institucional das organizações. Nós fazemos o que é moralmente correto – disse Thairo Arruda.

Foto de Gabriel Rodrigues

Gabriel RodriguesSetorista

Jornalista formado pela UFF e com passagens, como repórter e editor, pelo LANCE!, Esporte News Mundo e Jogada10. Já trabalhou na cobertura de duas finais de Libertadores in loco. Na Trivela, é setorista do Vasco e do Botafogo.
Foto de Nícolas Wagner

Nícolas WagnerSetorista

Gaúcho, formado em jornalismo pela PUC-RS e especializado em análise de desempenho e mercado pelo Futebol Interativo. Antes da Trivela, passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. Também é coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.
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