Brasileirão Série A

Lições também na vitória: Fluminense mostra que precisa de ajustes antes da final da Libertadores

O Fluminense venceu o Goiás, mas voltou a começar jogo desconcentrado, e segue com problemas defensivos

O Fluminense voltou a jogar bem e venceu o Goiás por 5 a 3 em Volta Redonda pelo Campeonato Brasileiro, mas precisa tirar lições também na vitória. No último teste com titulares antes da final da Libertadores, o Tricolor mostrou respostas, mas também deixou perguntas.

— A gente sabe que tem coisas para corrigir. Não são coisas muito simples. O número de gols que a gente tomou, a gente teve uma postura mais displicente em alguns jogos no Brasileirão como hoje e contra o Corinthians no primeiro tempo. Mas o time tem muito recurso tático. Estamos juntos há um ano e meio. Quando o time está concentrado, como estaremos na final, diminui muito os erros. Espero que o time na final vai estar muito ajustado e focado para fazer um grande jogo — admitiu Fernando Diniz após o jogo.

A começar por mais um início de jogo sonolento. O lado esquerdo, com Marcelo e Felipe Melo em linha alta, ofereceu muito espaço para Allano abrir o placar e para o Goiás quase fazer mais do que os 2 a 0 em 12 minutos. Quando se concentrou e colocou a bola no chão, o Flu foi melhor, mas não pode sempre se dar esse luxo.

Felipe Melo balançou a rede em sua cidade, mas saiu machucado e preocupa o Fluminense para a Libertadores - Foto: Icon sport
Felipe Melo balançou a rede em sua cidade, mas saiu machucado e preocupa o Fluminense para a Libertadores – Foto: Icon sport

Felipe Melo, aliás, também se tornou uma questão. Ele marcou o gol que iniciou a virada do Fluminense e não tinha atuação ruim até sair com dores na coxa esquerda. Ao conversar com Fernando Diniz à beira do campo, fez um gesto de fisgada. Depois, deu entrevista.

— Pela fé, digo que não foi nada, se foi qualquer coisinha foi leve porque estou conseguindo andar — afirmou.

Fluminense segue com problemas defensivos

Se fez cinco gols, o Fluminense tomou três. Não é pouco, como tampouco tem sido nos últimos tempos. Em 10 partidas, o Flu sofreu 19 gols e só não foi vazado duas vezes.

Experientes, Felipe Melo e Marcelo sofreram na defesa pelo lado esquerdo do Fluminense – Foto: Icon sport

Adversário da final da Libertadores em nove dias, o Boca Juniors tampouco tem um ataque tão forte. Mesmo assim, tem em Edinson Cavani um dos maiores atacantes de sua geração e vem evoluindo com os reforços da janela. A decisão em jogo único não permite falta de concentração e o Flu precisa fazer ajustes na defesa.

— Foram dois gols em duas chances, acho que o Fábio não fez nem defesa. Por um lado, o número de gols nós temos que corrigir sempre porque não podemos desprezar que é o que determina o resultado. Nós vínhamos jogando bem já, eles tinham feito jogadas sintonizadas com o que treinamos ontem. Mostramos o vídeo no intervalo e isso ajudou bastante no segundo tempo em que soubemos aproveitar exatamente o que tínhamos treinado — opinou Diniz.

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Fluminense no Campeonato Brasileiro 2023

  • 7ª colocação após 29 jogos disputados
  • 51,8% de aproveitamento até o momento
  • 45 pontos conquistados com 13 vitórias, 6 empates e 10 derrotas

Fluminense melhora com mexidas e mostra força do banco

Após a saída de Felipe Melo, mesmo com David Braz no banco, Diniz optou por Lima e recuou André para a zaga, em mexida mais do que habitual. E o Fluminense, como costuma ser, melhorou.

André comemora um dos dois gols de Arias na vitória do Fluminense por 5 a 3 sobre o Goiás pelo Campeonato Brasileiro - Foto: Icon Sport
André comemora um dos dois gols de Arias na vitória do Fluminense por 5 a 3 sobre o Goiás pelo Campeonato Brasileiro – Foto: Icon Sport

Se não deu certo de início contra o Bragantino, a formação fez o time não só melhorar o início da construção de jogadas como ficar, paradoxalmente, mais forte defensivamente com apenas um zagueiro de ofício.

— O ideal era que a gente não precisasse de reações no segundo tempo e fizesse um primeiro tempo bom hoje e também contra o Corinthians. Não que tenhamos jogado mal nesses jogos, mas se você ver, entramos um pouco desatentos e os caras foram fulminantes.

Alternativas táticas do Fluminense chamam atenção

No segundo tempo, já com Diogo Barbosa na vaga de Marcelo, o Tricolor teve o lado esquerdo mais equilibrado e forte.

Outro que merece menção é Martinelli, que jogou os 90 minutos e parece ter ultrapassado Alexsander na briga por uma vaga entre os titulares. O jovem camisa 5 até entrou, mas na vaga de Ganso. E foi bem, mostrando repertório de formatos táticos que chamou a atenção.

Martinelli parece ter se firmado como titular do Fluminense após disputa com Alexsander - Foto: MAILSON SANTANA/FLUMINENSE FC
Martinelli parece ter se firmado como titular do Fluminense após disputa com Alexsander – Foto: MAILSON SANTANA/FLUMINENSE FC

O Tricolor passou a ter Lima como um “enganche” por trás dos atacantes, com Martinelli e Alexsander trocando de posição com André e fazendo uma linha de três, por vezes, na saída de bola. Isso ajudou a liberar Diogo e Samuel Xavier pelas alas e fez Arias flutuar mais, junto a Lima, por trás de Cano.

— Fico feliz pelo gol, era um jejum de quase cinco meses sem gols. Venho trabalhando para ajudar a equipe. O gol uma hora sai. Estávamos devendo uma vitória — disse Keno, que bateu até pênalti — O batedor é o Ganso. Eu pedi para bater, o Ganso deu a bola para bater, mas perguntamos antes para o Diniz — finalizou.

Keno, que teve atuação incrível, era o mais fixo em sua posição. Mas nem tanto. Fato é que sem Felipe Melo, Marcelo e Ganso, se perdeu em qualidade, o Flu ganhou e muito em mobilidade. Alternativa que pode ser importante na final da Libertadores.

— Esperei o cabelo crescer para fazer as tranças, já estou acostumado a trançar o cabelo. Mas é isso. Quando eu tô de trança, esquece — declarou Keno, na saída de campo. O atacante fez gol no Boca Juniors em 2018, pela Libertadores, com o mesmo penteado. Bom presságio.

Fluminense na Libertadores 2023

Foto de Caio Blois

Caio BloisSetorista

Jornalista pela UFRJ, pós-graduado em Comunicação pela Universidad de Navarra-ESP e mestre em Gestão do Desporto pela Universidade de Lisboa-POR. Antes da Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.

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