Brasileirão Série A

Menos público e ingressos mais caros: Brasileirão tem aumento no ticket médio no início de 2026

Levantamento da Trivela revela que torcedores têm pagado mais para ir aos jogos neste início de 2026, em comparação com o último ano

Menos torcedores estão indo aos estádios do Campeonato Brasileiro nesta temporada, e pagando mais caro pelos ingressos das partidas de seu time do coração. Em comparação com 2025, a média de público neste ano caiu 12%, enquanto o valor do ticket médio — cálculo da renda bruta pelo público pagante — subiu cerca de 5% dentre os 20 clubes da primeira divisão.

Levantamento da Trivela, que considera as dez primeiras rodadas do Brasileirão de 2025 e 2026, revela que, em média, torcedores têm gastado R$ 52,64 para acompanhar as partidas nesta temporada. Em 2025, este índice era de R$ 50,28 — e R$ 51,68, com valores corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Flamengo e Corinthians têm os ingressos mais caros do Brasileirão em 2026, com um ticket médio de R$ 73,63 e R$ 71,70, mas são dois dos clubes que mais levaram torcedores aos estádios como mandante nesta temporada. Como consequência, têm as maiores rendas, com as partidas no Maracanã e Neo Química Arena — o Alvinegro também disputou uma partida, como mandante, na Vila Belmiro em 2026.

Neymar é um dos atrativos do Brasileirão em 2026 (Foto: Rainier Moura/RP Foto Press/Imago)

Não à toa, a partida com o ingresso mais caro neste ano se deu em um compromisso do Rubro-Negro, no Rio de Janeiro. Na décima rodada, Flamengo 3 x 1 Santos, e que havia a expectativa da presença de Neymar caso não fosse suspenso no duelo anterior, registrou um ticket médio de R$ 90,54 nas arquibancadas do Maracanã.

Partidas com ingresso mais caro no Brasileirão 2026

  • Flamengo 3 x 1 Santos (10ª rodada) – R$ 90,54
  • Grêmio 2 x 0 Vitória (7ª rodada) – R$ 84,74
  • Chapecoense 0 x 0 Corinthians (7ª rodada) – 80,05
  • Corinthians 1 x 1 Flamengo (8ª rodada) – 78,93

A mudança da CBF, que tentou inibir a cobrança de valores abusivos para a torcida visitante em partidas de maior apelo, mostrou resultado por outro lado. Em 2025, Mirassol 2 x 1 Corinthians teve um ingresso médio superior a R$ 100; o mesmo ocorreu em Cruzeiro 1 x 0 Vasco. Até aqui, em 2026, nenhuma partida superou esses valores.

Receita menor no Brasileirão de 2026

Torcida do Flamengo em jogo contra o Santos no Maracanã
Torcida do Flamengo em jogo contra o Santos no Maracanã. Foto: IMAGO / Fotoarena

A queda do número de torcedores nos estádios resulta, até este momento, em uma renda inferior do Brasileirão 2026 em comparação à última temporada. Até o final da décima rodada — e com três ainda para disputar, atrasados da quarta rodada — pouco mais de R$ 110 milhões foram arrecadados entre os 20 clubes da primeira divisão, com uma média de R$ 1,15 milhão por partida.

Em 2025, estes números giravam em torno de R$ 1,33 milhão por partida — R$ 1,37 milhão, com os valores corrigidos pelo IPCA. Seja pelo ticket médio, ou por outros atrativos da competição, o público médio para cada duelo foi de 24,7 mil torcedores, enquanto em 2026 esta média caiu para 20,8 mil.

Brasileirão 2025 x 2026 (Valores corrigidos)

  • Média de público: 24.756 x 20.800
  • Custo médio de ingresso: R$ 51,68 x R$ 52,64
  • Renda média: R$ 1.374.049,90 x R$ 1.150.779,04

Vale ressaltar que o Allianz Parque, que tem uma das maiores médias de público do Brasileirão em duelos do Palmeiras, não pôde ser utilizado no início do Brasileirão, em função de troca de gramado e agenda de shows. Essa ausência fez com que o Alviverde mandasse suas partidas na Arena Crefisa Barueri, com menor capacidade de público e com ingressos a um menor custo.

Palmeiras e Grêmio se enfrentaram na Arena Barueri
Palmeiras precisou mandar partidas em Barueri no início do Brasileirão 2026 (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

Além disso, Ceará e Fortaleza, dupla rebaixada na última temporada, tinham duas das maiores médias de público e menor ticket médio da competição. Esses fatores ajudaram no aumento do ingresso médio, assim como na queda de renda e torcida nos estádios.

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Bahia é exemplo no valor de ingresso e média de público

Um dos únicos clubes remanescentes na região Nordeste, o Bahia também é responsável pela terceira maior média de público no Brasileirão. Até aqui, a equipe de Rogério Ceni levou 184 mil torcedores às arquibancadas da Fonte Nova, a um ticket médio de R$ 26,15. Além disso, somente o Vitória, com um ingresso a R$ 26,15, tem um custo maior para os torcedores do que o Tricolor.

ClubeTicket médio
FlamengoR$ 73,63
CorinthiansR$ 71,70
GrêmioR$ 71,53
SantosR$ 70,54
VascoR$ 69,70
CruzeiroR$ 63,45
RemoR$ 61,02
PalmeirasR$ 60,87
ChapecoenseR$ 60,26
São PauloR$ 54,96
Athletico-PRR$ 51,66
FluminenseR$ 50,38
InternacionalR$ 48,55
BragantinoR$ 46,73
Atlético-MGR$ 45,25
CoritibaR$ 42,51
MirassolR$ 37,96
BotafogoR$ 37,83
BahiaR$ 33,12
VitóriaR$ 26,15

Recém-promovida, a Chapecoense figura com um custo de ingresso médio elevado nessas primeiras rodada (R$ 60), assim como o Remo (R$ 61). No caso dos catarinenses, o valor é impulsionado pelo duelo com o Corinthians, em que as entradas na Arena Condá foram vendidas, em média, a R$ 80.

Também vale destacar que, na relação ticket e renda, o São Paulo é aquele clube com o melhor resultado neste início de temporada — impulsionado pelo bom desempenho em campo. O Tricolor é o único, do top 5 maiores rendas, que tem um custo de ingresso inferior a R$ 60 em 2026.

ClubeRenda
FlamengoR$ 16.510.537,00
CorinthiansR$ 10.620.966,50
São PauloR$ 8.227.020,00
SantosR$ 7.580.364,36
VascoR$ 7.526.036,50

Foto de Murillo César Alves

Murillo César AlvesRedator

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP), com passagens por Estadão, UOL, 90min e QuintoQuarto.

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