Brasileirão Série A

Atlético-MG completa um turno da sua inimaginável recuperação sonhando com o título

Há exatamente 19 jogos, o Atlético iniciava seu processo de recuperação, que nem mesmo ele acreditava que o levaria tão longe

Dia 6 de agosto de 2023, o Atlético-MG, então 13º colocado do Campeonato Brasileiro, vencia o São Paulo na primeira vitória de Felipão no comando do time, depois de nove jogos. Quatro meses e um turno depois, o Galo vence o mesmo São Paulo em um jogo épico, mas agora com o Alvinegro indo para a última rodada da competição sonhando com o título. Como o clube mudou tanto em 19 rodadas? A Trivela tenta te explicar.

Felipão chegou ao Atlético para substituir Eduardo Coudet, o que chamou muita atenção pela forma completamente diferente que os dois enxergam o futebol, e isso já ajuda a explicar o porque de um início tão ruim. A mudança brusca de estilo de jogo afetou o time completamente, que precisou “recalcular” completamente a rota no meio da temporada, o que levou tempo, mais especificamente, nove jogos. Esse foi um fato dito algumas vezes por jogadores e pelo próprio Scolari.

A virada de chave para o Atlético, como citado, foi a primeira vitória com Felipão, contra o São Paulo, no Morumbi. Desde então, o Galo só perdeu três jogos, e é dono de uma campanha no segundo turno de dar inveja a qualquer coisa. Já é, inclusive, garantido que o Alvinegro terá a melhor pontuação do returno. Somando hoje 39 pontos em 18 jogos (72,22%), o time de Scolari não pode mais ser alcançado. Números que fizeram Scolari deixar de lado o discurso mais conservador e adotar o “Eu Acredito” da torcida atleticana.

Nesses 19 jogos, muita coisa mudou. E olha que aconteceram tropeços importantes, como as derrotas para Coritiba e Cruzeiro na Arena MRV, que afetaram muito a relação com a torcida – que já foi reconciliada com o que foi feito nos últimos jogos. A Trivela trouxe, após a vitória contra o Flamengo alguns dos pontos que fizeram a diferença. Mas alguns merecem ser citados de novo, principalmente três jogadores específicos: Everson, Paulinho e Hulk.

O trio de ouro do Atlético

O mágico ano de 2021 do Atlético parecia que ia ser o melhor da carreira de muitos jogadores, como por exemplo do goleiro Everson. Mas o 2023 veio para mudar isso. O goleiro faz uma temporada tão incrível que é difícil achar um adjetivo que resuma exatamente o nível que ele alcançou. A cada jogo ele surpreende e faz (pelo menos) uma defesa enorme.

O mais curioso dessa história é que, quando essa retomada do Atlético começou, não era Everson que estava no gol. O goleiro estava suspenso e foi substituído por Matheus Mendes, que fez uma enorme exibição naquela tarde em São Paulo. Everson retomou naturalmente seu posto depois daquele jogo e é um dos grandes responsáveis pelo Galo ter a melhor defesa do campeonato e também garantiu muitos pontos para o time. Ele só não é o que mais garantiu pontos porque existe uma dupla avassaladora no ataque.

Hulk e Paulinho são inexplicáveis

A dupla em questão é Hulk e Paulinho, donos de 60. Sim, 60 gols na temporada, 30 para cada. No Brasileirão, 19 para o artilheiro da competição Paulinho e 15 para o terceiro na lista, Hulk, que ainda lidera as assistências, com 11 ao todo. Mas a dupla vai além das incríveis estatísticas. A conexão deles em campo é algo que também não dá pra colocar em palavras. É insano ver o poder de destruição dos adversários que os dois têm juntos.

Desde o jogo contra o São Paulo, Paulinho participou de 17 gols, enquanto Hulk de 18. Eles são, sem dúvidas, a grande sensação do campeonato. É prazeroso para qualquer um vê-los jogar e entendê-los como dupla, principalmente para um país que sempre teve duplas de enorme representatividade.

Muitos méritos a Felipão, claro

Quando chegou ao Atlético, Felipão parecia a opção errada. Não por ser quem é, longe disso, mas pelo estilo de jogo tão diferente, como já citado. O Galo foi “punido” por essa decisão de mudar a rota, palavra usada pelo próprio treinador, mas ele, experiente como é, não deixou de acreditar no seu trabalho. Algo citado pela Trivela em vários momentos é a forma como Scolari (depois de um tempo) entendeu a situação que estava, onde tinha que usar coisas deixadas por Coudet no seu trabalho para triunfar, e fez isso com maestria.

– Não tenho como mudar (algo que fez), pois achei que fiz tudo certo dentro das minhas convicções, mesmo quando não dava certo. Entendia que era daquela maneira. Tinha que ser assim. Se eu fiz do meu jeito e não deu certo, tenho que assumir, e se fiz e deu certo, também tá bom. Estou satisfeito e contente. Vejo meu grupo feliz, não só com o resultado como no dia a dia do clube e é só isso que a gente precisa — disse Scolari.

A verdade é que Felipão, assim como tinha culpa no péssimo momento do time, também tem muito perito nessa volta por cima que conseguiram. Independente de acabar como campeão, o que ainda é uma situação improvável, o trabalho evoluiu como nunca e, finalmente, deu ao torcedor um motivo para acreditar, não só em 2023, como também em 2024. Uma luz no fim do túnel de que algo de bom aguarda o Galo.

Não é fácil explicar como um time sai de nove jogos seguidos sem vencer com um treinador para se tornar um dos melhores times do país quatro meses depois e ainda disputando um título que parecia impossível. São tantos fatores que é difícil citar todos. Além dos jogadores citados e de Felipão, é importante destacar também o trabalho da preparação física do Galo, com Cristiano Nunes, que é sempre exaltado pelo treinador. Além disso, há outros jogadores, como Zaracho e Otávio, que cresceram muito nesse período e ajudam a explicar essa trajetória do Galo.

O cenário para o Atlético sonhar no título

Antes de vencer o São Paulo na partida do primeiro turno, o Atlético estava há incríveis 23 pontos do Botafogo, então líder do Campeonato. Hoje, antes do fim da rodada, o Galo tem a mesma pontuação do líder Palmeiras e está três à frente do time carioca, que também ainda joga na rodada. O cenário para o Atlético chegar na última rodada com o sonho real de título é o mais simples de entender, mas nada simples de acontecer.

Para chegar bem vivo na última rodada, o Atlético precisa que o Palmeiras não vença o Fluminense neste domingo. O problema é que o Alviverde vive grande fase, joga em casa e ainda vai encarar um Tricolor Carioca bem remendado, sem ambição na competição e já com a cabeça no Mundial de Clubes. Tudo é favorável para o Palmeiras, mas, para o time do “Eu Acredito”, nada mais justo do que confiar que as coisas, mais uma vez, vão soprar a favor do Galo.

Se o Palmeiras tropeçar, o Atlético, além de fazer a sua parte e vencer o Bahia, em Salvador, vai precisar que eles tropecem novamente na última rodada, que é justamente contra o maior rival, Cruzeiro. O curioso é que a Raposa pode estar brigando contra o rebaixamento justamente contra o Tricolor de Aço, ou seja, os maiores rivais de Minas Gerais podem ajudar um ao outro. Agora, se o Alviverde vencer nessa rodada, as chances passam a ser mínimas, pois o Galo teria que tirar um saldo de gols que hoje é de sete.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
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