Brasileirão Série A

Cinco motivos que explicam a ascensão do Atlético-MG de Felipão

Depois de um início ruim e um período de altos e baixos, o Atlético vive uma reta final quase perfeita, e alguns pontos explicam essa evolução

Sensação da reta final do Campeonato Brasileiro, o Atlético-MG está em uma ascensão impressionante, somando oito jogos seguidos sem derrotas e, nas últimas duas partidas, tendo resultados expressivos com grandes atuações, o que fez o torcedor e o clube acreditarem até no título da competição, que é difícil, mas possível. Alguns pontos ajudam a explicar porque o Galo teve toda essa evolução, e a Trivela te mostra eles.

Quando chegou ao Atlético, Felipão teve enorme dificuldade e o time passou nove jogos sem vencer, despencando para o 13° lugar. Mas, com o passar do tempo, o treinador foi arrumando a casa atleticana e hoje está não só de volta ao G4 como também sonha com o título Brasileiro. Mudanças de esquema, formação e alto nível de alguns jogadores explicam quase que por completo porque o Galo deu esse salto no fim da temporada, conseguindo agora não só bons resultados como também praticando um bom futebol.

Entendimento entre comissão e atletas do Atlético

O primeiro ponto, que é algo sempre dito por Felipão nas coletivas dele, é do entendimento entre comissão técnica e jogadores. Quando o treinador chegou para substituir Eduardo Coudet, a mudança de direção com o estilo de jogo foi muito grande, e isso claramente afetou os atletas, que também já afirmaram isso em diversos momentos.

Aos poucos, com sua experiência, Felipão conseguiu amaciar os jogadores e também cedeu um pouco da sua parte para os dois grupos se entendessem melhor e hoje pudessem atuar em alto nível. Fora isso, como é de costume ao em toda a sua carreira, Scolari conquistou os atletas também fora do campo, com o seu estilo paizão.

– Eu faço parte dessa equipe e sou companheiro deles. Mostra pra vocês que temos um ambiente muito bom, em que todos se respeitam, mas tem a liberdade de brincadeira. Me deixa orgulhoso poder dizer “É a minha equipe”. Eles se dedicam por eles e um pouco pelo chefe — disse Felipão.

Esquema Felipão-Coudet

Diante do cenário citado acima, vale destacar como Felipão abriu mão de alguns entendimentos que ele tinha do futebol para se adaptar ao elenco que tinha. Também por diversas vezes, o treinador citou que o grupo de jogadores foi montado por e para Coudet, que esteve à frente do time desde o início da temporada até o meio dele. E isso, como citado, faz diferença, pois o que Scolari e Chacho entendem de futebol é algo quase antônimo, ou seja, o time que o brasileiro herdou não tem muita coisa do que ele gosta de usar.

Diante desse cenário, Felipão tentou chegar ao Atlético e impor o seu estilo de sempre, que claramente não funcionou, vide os nove primeiros jogos sem vencer. Experiente que é, o treinador viu que, já que o elenco era “do Coudet”, ele precisava ter algumas coisas do técnico argentino. Assim, Scolari foi abrindo mão de algumas ideias para implementar as de Chacho e unir o pensamento de ambos.

O que melhor explica essa junção de ideias é a formação do Atlético. Felipão sempre gostou de ter pontas agudos, mas Coudet prefere dois atacantes e, com isso, o Galo negociou praticamente todos seus jogadores de beirada. Felipão então montou um esquema com os dois atacantes de Coudet, mas escala também dois meias abertos que, geralmente, têm características agudas, completando assim o seu estilo com o de Chacho.

A dupla Paulinho e Hulk

Provavelmente o maior erro de Felipão ao tentar implementar seu estilo na chegada ao Atlético foi distanciar a dupla Hulk e Paulinho. Com Coudet, os dois eram os únicos atacantes, que tinham liberdade de movimentação e mostravam um entendimento como poucos. Já na chegada de Scolari, o time passou a jogar com três atacantes, então Paulinho deslocado para a ponta e Hulk ficou centralizado. O distanciamento entre eles explica bem o período ruim do Galo.

Depois de algum tempo, passando pelo ponto citado anteriormente, de mesclar os dois estilos, Felipão entendeu que o ideal era ter Hulk e Paulinho jogando próximos, e ele fez isso. Mesmo quando usava três atacantes, com Pavón no trio, ele passou a tentar aproximar mais a dupla e isso foi melhorando o time. Hoje, como citado, eles entram em campo como os únicos dois atacantes e isso tem feito uma diferença absurda.

Paulinho é o artilheiro do Brasileirão, com 18 gols, enquanto Hulk é o 3° na lista, com 14, somando ainda 10 assistências, sendo o líder no quesito. A conexão entre a dupla no campo é algo quase assustador, de tão forte que é. Eles se acharam para gols em 16 oportunidades no ano. Ao todo na temporada, eles somam 58 gols (29 de cada) e 21 assistências (13H + 8P).

O retorno de Matías Zaracho

Um dos melhores e mais queridos jogadores do Atlético, Matías Zaracho teve um ano nada fácil. Além de algumas lesões que o tiraram do campo por alguns jogos, o jogador passou por dois dramas pessoais. No início do ano, perdeu o cunhado de apenas 18 anos, que ele era muito próximo, em um trágico acidente, e mais recentemente perdeu o pai, dois casos que afetaram muito o argentino psicologicamente.

Aos poucos, com a ajuda do Atlético, Zaracho foi voltando a ganhar confiança e também motivos para sorrir jogando futebol. O jogador retornou de uma lesão e do baque da perda do pai em setembro e, desde então, não para de evoluir, sendo hoje o grande jogador que todos sabem que ele é.

– Fica difícil explicar para a torcida que a gente não é de ferro. Nem eu, nem eles e nem ninguém. Temos pai, mãe, filho. O Zaracho enfrenta um ano muito difícil. Se nós não procurássemos entender, dar a ele uma pequena luz para que ele voltasse a ser o Zaracho, não ia adiantar. Vejo às vezes o torcedor exigindo o Zaracho, mas muitas vezes ele tava no campo chorando no canto. É difícil explicar que ninguém é de ferro. Devagar ele vai voltando – disse Felipão após grande atuação do argentino na vitória contra o Fluminense.

A volta por cima do argentino é, de longe, uma das melhores vitórias do Atlético no ano, superando várias que o clube teve em campo. Ter um jogador do nível do Zaracho bem física e mentalmente de novo é um adicional e tanto. O meia tem se destacado em todos os jogos do Galo, sendo o motorzinho do time, como Felipão também já citou. A intensidade e a briga dele por cada bola surpreende.

O melhor ano de Everson

O Atlético teve como um todo um ano mágico em 2021, com vários jogadores chegando no seu auge. Isso valia para o goleiro Everson. Valia, no passado. Isso porque o goleiro atleticano faz um ano de 2023 ainda melhor, o que explica muito o Galo ser hoje a melhor defesa do Brasileirão.

Everson tem vivido uma fase em que a cada jogo ele faz, no mínimo, uma enorme defesa, salvando o Atlético. Por diversas vezes, ele garantiu o chamado “clean sheet”, que é quando a defesa não é vazada e, além disso, seus milagres muitas vezes evitam uma mudança no jogo, como a que ele fez no último jogo, contra o Flamengo, evitando o empate Rubro-Negro ainda no primeiro tempo.

Bônus: Preparo físico do Atlético

Para finalizar, um ponto muito relevante para o Atlético, que foi apontado por Felipão após a vitória no Maracanã, é o preparo físico dos jogadores. O clube tem um dos melhores do país no quesito, Cristiano Nunes, e já até recusou contratar treinadores que viriam e não utilizariam o preparador. Nos últimos jogos, os jogadores atleticanos se entregam ao máximo em campo e conseguem fazer isso graças ao trabalho de Cristiano: “O melhor da minha equipe, não só hoje, mas em muitos jogos, tem sido o preparo físico do Cristiano. Ele tem feito um trabalho espetacular”, disse Scolari.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick

Alecsander Heinrick se formou em Jornalismo na PUC Minas em 2021. Antes da Trivela, passou por Esporte News Mundo, EstrelaBet e Hoje em Dia.
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