Futebol brasileiro

Como Calleri transformou sua rotina para ter menos lesões pelo São Paulo

Após 2023 de sacrifícios com lesão no tornozelo, argentino reduziu número de problemas físicos

Era noite de 8 de maio de 2024, e Calleri deixava o Estádio Zorros del Desierto, no Chile, frustrado mesmo após marcar um dos gols da vitória do São Paulo por 3 a 1 sobre o Cobresal.

O centroavante havia ajudado a equipe a garantir a vaga antecipada nas oitavas de final da Libertadores. Mas em vez de festejar, lamentava mais uma lesão pelo clube em uma espécie de desabafo:

— Tenho que ver da porta para dentro (do CT) o que estou fazendo mal para machucar menos.

O argentino ficou 20 dias afastado dos gramados até voltar à equipe na vitória por 2 a 0 sobre o Talleres. Desde então, Calleri não teve mais lesões pelo São Paulo.

E isso só acontece — e vem acontecendo — porque o argentino de fato mudou a sua rotina no clube.

Calleri mudou rotina para evitar lesões

O centroavante cumpriu a promessa de analisar com os departamentos médico e de fisiologia do clube os motivos para os problemas físicos recentes.

Calleri e os profissionais do São Paulo chegaram à conclusão de que ele mudou o jeito de correr e até de jogar depois da lesão no tornozelo, no ano passado.

Em 2023, o centroavante atuou durante meses com o problema. Só passou por cirurgia depois do título inédito da Copa do Brasil.

— Eu aprendi que o meu corpo mudou por causa do tornozelo do anos passado. Mudei a corrida, mudei o meu jeito de jogar, só por jogar sempre, ter se machucado. Eu também compreendi que o corpo se adaptou de um jeito que não é o normal de um jogador — Calleri.

Ao longo do ano passado e até mesmo no início deste ano, não era raro ouvir a seguinte frase de pessoas próximas do centroavante e integrantes da comissão técnica: “ele só joga porque é o Calleri”.

Uma referência aos esforços que o camisa 9 faz para estar em campo, mesmo com dores e distante das condições ideais. Isso mudou desde a última lesão.

Aos 30 anos e vindo de uma temporada inteira de sacrifícios, Calleri entendeu que é melhor dosar as suas forças.

Se antes, ele fazia de tudo para estar em campo, mesmo longe das condições ideais, hoje o centroavante prefere ser preservado para evitar “estourar”.

Foi assim, por exemplo, no empate em 0 a 0 com o Juventude. Calleri e o departamento médico do São Paulo entenderam que era melhor não estar em campo, mesmo sem lesão detectada.

— Eu sabia que no momento eu ia ter uma série de lesões. Mas agora o jogo contra o Juventude, estava bastante carregada a coxa, e eu não joguei. A idade, os jogos, as lesões, o corpo que não vinha do mesmo jeito, vou compreendendo também que às vezes não posso jogar todos os jogos, tenho que me poupar — afirma.

O argentino havia sentido uma fisgada na coxa direita na vitória por 1 a 0 sobre o Grêmio. Após descansar contra o Juventude, ele esteve à disposição nas últimas três partidas. Inclusive marcou na vitória por 2 a 0 sobre o Goiás.

> Os próximos três jogos do São Paulo

  • São Paulo x Flamengo — Brasileirão — sábado (3 de agosto), às 21h30 (horário de Brasília);
  • Goiás x São Paulo — Copa do Brasil — quinta-feira (8 de agosto), às 20h (horário de Brasília);
  • São Paulo x Atlético-GO — Brasileirão — domingo (11 de agosto), às 16h (horário de Brasília).
Foto de Eduardo Deconto

Eduardo DecontoSetorista

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.

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