Libertadores

100 vitórias e líder do grupo: São Paulo faz dever de casa em prévia de mata-mata

Com gols de Lucas e Luciano, São Paulo vence duelo direto com o Talleres por 2 a 0 no MorumBIS

Da recepção com um corredor de fogo, às arquibancadas lotadas em noite de recorde de público em 2024 e ao clima entre os jogadores dentro de campo, a atmosfera do MorumBIS tinha todos os requintes de uma decisão de Libertadores. Não valia vaga, “apenas” a liderança do Grupo B. E o São Paulo a conquistou em um duelo repleto de elementos decisivos. Coube a Lucas Moura abrir o placar de pênalti e a Luciano fechar o placar com um golaço na vitória por 2 a 0 sobre o Talleres, nesta quarta-feira (29), que deixou o Tricolor na liderança da chave.

Um resultado que, aliás, é histórico e vale muito mais do que o primeiro lugar no Grupo B. O Tricolor chegou a sua centésima vitória pela Libertadores. São ao todo 205 jogos, com mais 49 empates e 56 derrotas.

> O que de melhor aconteceu no jogo:

  • O São Paulo sofreu (e muito), mas venceu e garantiu a liderança do Grupo B;
  • Tricolor teve foi amarrado pelo Talleres no primeiro tempo;
  • gol da vitória só saiu em pênalti convertido por Lucas Moura;
  • com o detalhe: Lucas errou a primeira cobrança, mas o goleiro Herrera se adiantou no lance;
  • revoltado, Herrera partiu pra cima da arbitragem e até da polícia militar;
  • recuperado de lesão, Calleri voltou no segundo tempo;
  • mesmo assim, Talleres foi superior e deu trabalho a Rafael.

Talleres amarra o São Paulo no primeiro tempo…

São Paulo e Talleres entraram em campo já classificados com rodadas de antecedência, mas a disputa pela liderança do grupo era suficiente para transformar a partida em uma decisão na última rodada da chave. E de fato, a primeira etapa no MorumBIS teve toda a cara de um jogo de volta de um confronto de mata-mata.

Pois a postura da equipe argentina era exatamente a de quem chegava a um duelo fora de casa com a vantagem de jogar por um empate. O Talleres congestionou o meio-campo para impedir que o São Paulo construísse seu jogo por dentro e neutralizou basicamente todas as investidas do Tricolor. A catimba a cada vez que a bola parava contribuía com a estratégia de amarrar os donos da casa.

E o pior: o São Paulo não encontrava soluções para sair dessa armadilha. Novidade na referência do ataque, Juan teve muitas dificuldades para dar profundidade à equipe de Luis Zubeldía. O centroavante brigou bastante, mas virou presa fácil para os marcadores argentinos, um tanto isolado no sistema ofensivo.

Nem mesmo Lucas e Rodrigo Nestor, os dois extremas, conseguiam destravar o jogo, bem contidos pela marcação. Apenas os laterais Igor Vinicius e Welington tinham espaços para jogar — mas pouco fizeram. A única chance do São Paulo veio em uma finalização isolada por Luciano. Quem levou perigo, de fato, foi Depietri. O centroavante quase marcou após cruzamento, mas parou em grande defesa de Rafael.

Talleres amarrou São Paulo no primeiro tempo (IconSport)

…Mas pênalti de Lucas abre caminho para a vitória

O primeiro tempo caminhava para um zero a zero típico de decisões, até Rodrigo Nestor ser derrubado dentro da área já aos 43 minutos, em um pênalti infantil cometido por Depietri. O meia avançou pela esquerda e ia em direção à linha de fundo, quando foi atingido por um carrinho do rival.

Lucas Moura recebeu a bola de Luciano para fazer a cobrança, e o gol parecia uma certeza aos são-paulinos nas arquibancadas. Dito e feito: o camisa 7 marcou seu quarto gol no ano, o quarto de pênalti — e o seu primeiro em jogos de Libertadores.

Um gol que só saiu na base da insistência. Isso, porque o goleiro Guido Herrera voou para o canto direito e defendeu a cobrança de Lucas. Mas ele se adiantou, e o árbitro Jhon Ospina mandou voltar a cobrança. Aí, sim, o camisa 7 esbanjou frieza para marcar.

Goleiro do Talleres briga até com a polícia

Revoltado com as decisões da arbitragem, Herrera permaneceu em campo para reclamar com Jhon Ospina e seus assistentes ao final da primeira etapa. Aliás: revolta é pouco para descrever a irritação do argentino. O goleiro foi para cima do árbitro e até mesmo da polícia militar. Os jogadores do Talleres voltaram do vestiário e se juntaram na revolta, em uma confusão que levou bons minutos até ser contida.

Calleri melhora o time, e Luciano decide com golaço

Durante boa parte do segundo tempo, o São Paulo mais segurou as investidas do Talleres do que levou perigo ou criou oportunidades para marcar o segundo gol e matar o jogo. O que não quer dizer exatamente que a equipe passou trabalho. O Tricolor conteve bem as investidas da equipe argentina e as limitou a chutes de fora da área bem defendidos por Rafael.

Tudo mudou a partida da entrada de Calleri, em um jogo que só reforçou como ele é essencial para o funcionamento da equipe. Recuperado de lesão muscular, o maior artilheiro estrangeiro do clube em Libertadores não deixou o seu gol. Mas com sua entrada, o Tricolor teve um centroavante que ganhou as batalhas com a defesa adversária e conseguiu segurar a bola quando ela vinha direto da defesa.

Foi o suficiente para o São Paulo voltar a criar chances para ampliar o placar. Foi o que aconteceu, com um golaço de Luciano em chute de fora da área já nos acréscimos do segundo tempo. Depois disso, ainda teve tempo para mais uma confusão, após Navarro puxar Igor Vinicius pela camisa. O argentino acabou expulso, em um desfecho que dá ainda mais requintes de decisão à noite gelada no MorumBIS.

> Os próximos três jogos do São Paulo

  • São Paulo x Cruzeiro — Brasileirão — domingo, 2 de junho, às 18h30 (horário de Brasília) — Transmissão: Premiere (TV por assinatura).
  • Inter x São Paulo — Brasileirão — quinta-feira, 13 de junho, às 20h (horário de Brasília) — Transmissão: Premiere (TV por assinatura)
  • Corinthians x São Paulo — Brasileirão — domingo, 16 de junho, às 20h (horário de Brasília) — Transmissão: TV Globo (TV aberta) e Premiere (TV por assinatura)
Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.
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