Com um técnico a cada cinco meses, Botafogo de Textor repete práticas comuns do futebol brasileiro
Apesar da promessa de profissionalismo e trabalho de longo prazo, a SAF do Botafogo, comandada por John Textor, parece cada vez mais adaptada ao futebol brasileiro
Prestes a completar dois anos no comando do Botafogo, John Textor parece cada vez mais adepto de velhas práticas do futebol brasileiro. Com a demissão do técnico Tiago Nunes, que ficou no clube por apenas 15 jogos, o Glorioso chegou a marca de quatro treinadores desde a transformação em SAF – incluindo, nesta conta, Lúcio Flávio. Ou seja, uma média de pouco mais de cinco meses para cada trabalho.
É importante ressaltar, é claro, que Luís Castro, o primeiro nome escolhido para comandar o Botafogo após a transformação em SAF ficou no cargo por 1 anos e três meses e só deixou o clube por uma decisão do próprio treinador, que escolheu se transferir para o Al Nassr, da Arábia Saudita. Castro chegou a viver momentos de turbulência, mas foi mantido no cargo por Textor e companhia.
No entanto, desde a saída de Luís Castro, o Botafogo parece ainda não ter encontrado o rumo na busca por um treinador. Bruno Lage chegou ao clube me julho e ficou menos de três meses no cargo. Depois, com o aval dos jogadores, o auxiliar técnico Lúcio Flávio chegou a ser efetivado internamente, apesar do clube não ter feito um anúncio oficial da decisão. Pouco mais de um mês depois, com uma péssima campanha no Campeonato Brasileiro, o Boafogo mudou de ideia, optou pela demissão de Lúcio Flávio e foi atrás de um novo técnico.
Na esperança de tentar salvar o ano, o Botafogo contratou Tiago Nunes. O técnico chegou no meio de novembro para os últimos cinco jogos do Campeonato Brasileiro, mas com a promessa de um trabalho de “longo prazo”. Não à toa, ele tinha um contrato válido até o fim de 2025. Na sua apresentação, o diretor de futebol André Mazzuco fez questão de destacar que a ideia era um trabalho mais longo.
– O Tiago tem um grande trabalho também na formação de atletas, já gerou grandes resultados também em equipes profissionais, sendo campeão, multicampeão no Athletico-PR, campeão no Grêmio. Mas, mais do que isso, dentro do perfil, no caráter, das ideias e da parceria. Parceria na construção, na continuidade da construção do nosso projeto de Botafogo e nesse trabalho a médio e longo prazo que nós iremos desenvolver – afirmou Mazzuco em novembro de 2023.
Mas, por decisão direta de John Textor, Tiago Nunes acabou ficando pouco mais de três meses no Botafogo. De acordo com o “ge”, o empresário americano estaria insatisfeito com o estilo de jogo do time e com o fato de, em alguns jogos, as mudanças de Tiago Nunes terem feito o time recuar e não segurar resultados, como contra o Aurora, na última quarta-feira, na estreia do clube na Copa Libertadores.
Tiago Nunes, de fato, não fazia um bom trabalho no Glorioso. O time não vinha evoluindo neste começo de temporada e o treinador ainda arrumou um crise interna ao expor os jogadores na coletiva de imprensa após a derrota para o Vasco. Mas Textor ignorou qualquer ideia de trabalho de longo prazo e optou pela demissão de Tiago Nunes, mesmo em meio a disputa do mata-mata que pode levar o Botafogo para a fase de grupos da Copa Libertadores.
Tempo de trabalho de cada técnico na SAF do Botafogo
- Luís Castro: 1 ano e 97 dias
- Bruno Lage: 84 dias
- Lúcio Flávio: 37 dias
- Tiago Nunes: 94 dias
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Textor já demonstrou mais semelhanças com dirigentes brasileiros
Além da impulsividade para demitir treinadores e para abandonar supostos projeto de longo prazo, John Textor tem outros traços de lembram os tradicionais dirigentes do futebol brasileiro. Na reta final do Campeonato Brasileiro de 2023, o empresário americano iniciou uma briga contra a arbitragem, a CBF e Ednaldo Rodrigues. O dono do Botafogo acusou a entidade de corrupção e roubo. Tudo isso sem provas, é claro.
Textor até tinha razão na reclamação em relação a expulsão de Adryelson no jogo contra o Palmeiras, mas o americano se aproveitou da sua posição para esbravejar, sem provas, contra a CBF e arbitragem da partida.
E, antes mesmo de começar a sua briga com a CBF, Textor já havia adotado o velho discurso de “contra tudo e contra todos”, insistindo em uma teoria da conspiração contra o Botafogo no Campeonato Brasileiro, onde o time acabou fracassando e ficando até mesmo fora do G-4. Depois, o clube ainda fez uma espécie de dossiê com supostos erros de arbitragem à favor do Palmeiras e entregou o estudo ao STJD, que descartou qualquer possibilidade de investigação pro falta de provas.
Com todas essas acusações, Textor parecia tentar encontrar um responsável para o fracasso do Botafogo no Campeonato Brasileiro. Agora, com a demissão de Tiago Nunes, o empresário parece tentar achar um culpado pelo começo ruim de temporada do clube.



