Atlético-MG fez sua parte com Milito, agora o torcedor precisa fazer a dele
O Atlético atendeu pedidos, demitiu Felipão e contratou um treinador ofensivo, então agora o torcedor precisa apoiar e ter paciência
A diretoria do Atlético-MG atendeu os pedidos da torcida na última semana. Primeiro, demitiu o tão criticado Felipão. Depois, contratou Gabriel Milito, preferido do clube e também dos torcedores, que tem um estilo com a cara do Galo. Agora, o próximo movimento é do torcedor (e da imprensa), que precisa fazer a sua parte nessa balança, apoiando e, principalmente, tendo paciência.
O torcedor do Atlético já estava cansado do time treinado por Felipão. Em campo, não se viu nenhuma evolução em 2024. Somado a isso, o tratamento do treinador com a torcida piorou a situação. Os pedidos para a saída dele aconteciam há mais de um mês, e foram, finalmente, atendidos na última semana, quando o Galo optou por desligar o experiente técnico brasileiro.
Só esse movimento já fez a torcida atleticana ter um ânimo a mais para as finais do Mineiro e o início da Libertadores que estão por vir. Mas, as coisas melhoraram ainda mais quando o Atlético conseguiu a contratação do argentino Gabriel Milito, que empolgou mais por conta do seu estilo de jogo, que tem a cara do Galo (diferente de Scolari), de um time propositivo, que quer ser protagonista nas partidas.
Após esses movimentos da diretoria, “acatando” os pedidos feitos, é hora da torcida fazer a sua parte na história.
Gabriel Milito vai precisar (e não terá) tempo
O primeiro e principal passo que a torcida do Atlético precisa tomar é de ter paciência. Primeiro porque qualquer mudança de treinador exige tempo. No Galo, Milito vai precisar mais ainda, já que o estilo dele e de Felipão são opostos. Ou seja, precisará haver uma quebra muito grande de filosofia de jogo.
O mesmo aconteceu com o próprio Scolari ao chegar no Galo para substituir Coudet, e ele passou nove jogos sem vencer diante desse cenário. Naquele momento, a torcida não o abraçou, mas a diretoria, sim, e ele conseguiu, de certa forma, dar a volta por cima até o fim da temporada.
Gabriel Milito tem ideias de jogo que se encaixam mais com o elenco do Atlético. Ou seja, apesar da quebra de filosofia, é maior a chance dele se dar bem mais rápido do que no caso de Felipão, por exemplo. No entanto, há um empecilho enorme nessa história.
A partir de sábado, o Atlético entrará em uma maratona de 19 jogos em 63 dias. Basicamente uma partida a cada três dias, somado a isso, viagens que vão ultrapassar os 22 mil km. Ou seja, esse é a única semana que Milito terá de fato para trabalhar seu jogo. Ele, inclusive, já aplicou seus dois primeiros treinamentos nesta segunda-feira (25). Mas, depois desse período, terá que “se virar” com viagens e treinos “picados”, ou com jogadores já desgastados pela sequência, o que pode influenciar muito no time.
Gabriel Milito já realizou o primeiro treino dele como comandante do Atlético. Conheceu e conversou com os jogadores também.
Estreia sábado, na final contra o Cruzeiro. Essa será a única semana cheia de treinos que ele terá em dois meses!
📸 Pedro Souza/Atlético pic.twitter.com/t8CwallULH
— Alecsander Heinrick (@alecshms) March 25, 2024
Milito parece ter a capacidade de implementar seu estilo de jogo em meio a essa maratona, mas é preciso também saber se os jogadores vão assimilar rápido e com poucos treinos. Há chances do Galo começar a voar na temporada logo de cara sob o comando do argentino. Mas, do mesmo jeito, pode ser que ele inicie com uma sequência ruim até os atletas entenderem o que ele pede. Por isso é necessário que o torcedor tenha paciência, pois os fatos não são todos favoráveis ao sucesso imediato da relação de Gabriel com o Galo.
É preciso também entender o torcedor
Gabriel Milito chega ao Atlético já em um dos momentos decisivos da temporada. Nesse período de dois meses citado anteriormente, ele terá a final do Campeonato Mineiro, a qual o Galo busca um pentacampeonato que não acontece há mais de 40 anos; a estreia e toda a fase de grupos da Libertadores, principal objetivo do clube na temporada; estreia na Copa do Brasil, competição que mais paga no país; e nove rodadas do Campeonato Brasileiro, que o Alvinegro também entra pensando em conquistar.
Em resumo, Milito já chega ao Atlético com pressão para ser campeão mineiro e começar bem nas copas e no Brasileiro. São missões difíceis, que ficam mais complicadas ainda com o pouco tempo para trabalhar suas ideias.
Diante disso, é preciso, agora da parte do Atlético, entender que o torcedor, muitas vezes, não vai (ou mesmo quer) ser racional. Se ocorrer, por exemplo, que o Galo perca as finais para o Cruzeiro e estreie com derrota na Libertadores, Gabriel Milito já estará sob enorme pressão. Nesse caso, não dá para culpar o torcedor, que, novamente, quase nunca é racional, principalmente nas críticas.
Apesar disso, mesmo que esse catastrófico cenário exemplificado aconteça, parece haver um discurso da torcida atleticana nas redes sociais de apoio nesse início de trabalho do argentino. Resta saber se ele será cumprido independente do que aconteça.
Gostaria de propor uma trégua, uma estratégia!
Estávamos tristes, desiludidos e desconfiados com o baixo nível de futebol apresentado pelo Galo. Isto afastou torcida do time e clube.
Nada é garantido no futebol. Mas agora é a hora da união! Clube, time e principalmente TORCIDA! https://t.co/o0g2oFJ9vz
— S114las Gouveia (@silasgouveia17) March 24, 2024
No fim, o torcedor do Atlético só quer ver o time dele voltando a jogar bem, mostrando algum tipo de evolução, e dando alguma esperança para o futuro a médio/longo prazo, algo que não aconteceu. E, é claro, que esse cenário que foi exemplificado, nem passa pela cabeça da grande maioria deles.
Para Milito, é aquele peso para ambos os lados nesta semana. Se vencer os clássicos, for campeão e ainda estrear bem na Libertadores, terá um peso favorável enorme, reforçando ainda mais o apoio da torcida. Mas, se tiver uma primeira semana complicada (como o exemplificado), a pressão pode ser proporcionalmente igual.
O papel da imprensa com Milito
O torcedor, não só do Atlético, é influenciado muitas vezes pelo que a imprensa e os hoje portais e canais independentes dizem. Por isso, além da torcida fazer o seu papel no Galo, é preciso também que a imprensa ajude a equilibrar essa balança. Não adianta queimar o treinador, fazendo críticas sem sentido ou tirando conclusões, com apenas uma semana de trabalho.
A mesma paciência que a torcida tem que ter, a imprensa também. Críticas e elogios fazem parte da profissão, mas elas precisam de análise, não só dizer “da boca para fora” ou o que vem na cabeça. Se Milito conseguir uma semana perfeita, por exemplo, não quer dizer que ele é o melhor treinador do mundo e que já deu certo no Atlético. Da mesma forma, se tiver uma semana desastrosa, não é o pior e nem o fim do mundo. O importante é entender que tudo demanda tempo.



