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Milito, finalmente, admite qual é a maior carência do elenco do Atlético-MG

Depois do terceiro questionamento após um empate do Atlético, Milito admitiu pela primeira vez que sente falta de um especialista aéreo no ataque

Os cruzamentos têm decidido cada vez mais jogos no futebol diante de defesas cada vez melhores. Para aproveitar esse tipo de jogada, é preciso ter tanto bons cruzadores quanto bons cabeceadores.

O Atlético-MG só tem um deles, e Gabriel Milito, finalmente, admitiu que faz falta não ter um centroavante de boa jogada aérea.

No empate desta quarta-feira (31) por 2 a 2 contra o CRB, o Atlético encontrou, mais uma vez, um time muito fechado, tendo que “apelar” para cruzamentos, já que não encontrava espaços para jogar com a bola no chão.

Ao todo, foram 33 cruzamentos do time de Gabriel Milito. O Galo levou perigo, de fato, em quatro deles, sendo dois com ajuda da defesa do CRB, que falhou, um com a cabeçada pegando na trave e no outro, a meia altura, o gol até saiu, mas foi invalidado.

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Após a partida, Milito foi questionado se um atacante com características de jogo aéreo faz falta para jogos desse tipo, com adversários fechados, que não foi o primeiro e não será o último. Pela primeira vez, ele admitiu que faria, sim, diferença, um centroavante do tipo.

Sim (está em falta). Sabemos que em jogos como o de hoje, que o adversário marca em linha baixa, temos que terminar com cruzamentos. Para isso, temos que chegar com jogadores na área. Se eu tenho a possibilidade de ter especialistas em jogo aéreo, melhor — Gabriel Milito.

Há algumas semanas, a Trivela fez uma lista com sete centroavantes, de diferentes valores e condições, que poderiam ajudar a resolver o problema do Atlético.

Vale lembrar que o Atlético tem Alan Kardec no elenco com características fortes no jogo aéreo, mas a passagem do centroavante pelo clube é desastrosa e ele pouco tem oportunidades — e quando tem, vai muito mal.

Alan Kardec entrando em campo pelo Atlético
Há um ano sem marcar, Alan Kardec tem péssima passagem no Galo (Pedro Souza / Atlético)

Milito havia desconversando antes sobre o assunto

Não foi a primeira vez que Gabriel Milito foi questionado sobre a falta de um centroavante de área. Depois do empate contra o Bahia, no início do Brasileirão, a Trivela fez um primeiro questionamento, focando mais em jogadores altos de modo geral.

Depois, contra o Fortaleza, ele foi questionado mais especificamente sobre um centroavante de área fazer falta.

Nos dois casos, Milito preferiu falar sobre como é possível suprir essa falta de um nove de área com cruzamentos certos encontrando jogadores bem posicionados, além de povoar mais a área.

Os cruzamentos já são ótimos de ambos os lados. Tanto Guilherme Arana quanto Gustavo Scarpa devem estar no hall dos melhores cruzadores do país. Inclusive, contra o CRB, a bola na trave e o gol anulado partiram de cruzamentos deles.

Guilherme Arana e Gustavo Scarpa no pré-jogo pelo Atlético
Em lados opostos, Arana e Scarpa tem ótimos cruzamentos (AGIF/Icon Sport)

Agora, finalmente assumiu que sente falta de um especialista aéreo, mas afirmou que o time não vai parar de tentar essa alternativa, pois acredita que as peças que tem podem melhorar no aspecto.

Reconheço que gostaria de ter um centroavante de jogo aéreo como alternativa, mas temos que ver outras vias para ganhar o jogo. Não vamos renunciar a atacar e a cruzar. Creio que os atacantes que temos podem fazer gols assim. Trabalharemos mais esse aspecto que é muito importante. Com equipes tão fechados, um dos caminhos mais perigosos são dos cruzamentos — disse Milito.

Atlético aproveita apenas 19% dos cruzamentos

A Trivela analisou, através dos dados do SofaScore, o aproveitamento do Atlético nos cruzamentos em jogos em que enfrentou times que se fecharam. E a notícia não é nada boa, corroborando com a necessidade de um centroavante.

Foram oito jogos analisados, em que o Atlético, na soma, deu 191 cruzamentos, mas apenas 27 foram certos, ou seja, 19% de acerto.

Cruzamentos do Atlético via SofaScore

  • vs CRB: 7/33 cruzamentos
  • vs Corinthians: 2/15 cruzamentos
  • vs Vasco: 3/13 cruzamentos (um gol)
  • vs Juventude: 7/29 cruzamentos
  • vs Atlético-GO: 0/15 cruzamentos
  • vs Fortaleza: 6/29 cruzamentos
  • vs Bahia: 3/25 cruzamentos
  • vs Caracas: 9/32 cruzamentos (dois gols)

Nesses mesmos jogos, o Galo só marcou de cruzamento três vezes: dois contra o Caracas, com Pedrinho (cabeça) e Alisson (voleio), e um contra o Vasco (que foi o time menos fechado dos analisados), com Hulk, de cabeça. Desses gols, só Alisson teve alguma marcação. Pedrinho e Hulk cabecearam sozinhos.

Até a forma dos gols do Atlético ajuda a reforçar a necessidade do time de um centroavante. O Atlético não marca de cabeça quando há uma disputa aérea, justamente por não ter um especialista para vencer os zagueiros.

O Atlético está atento ao mercado na busca por um atacante de área, mas ainda não tem nenhum jogador encaminhado e tenta a famosa “oportunidade de mercado”, que o clube sempre cita, tentando gastar o mínimo possível para não estourar o orçamento.

Foto de Alecsander Heinrick

Alecsander HeinrickSetorista

Jornalista pela PUC-MG, passou por Esporte News Mundo e Hoje em Dia, antes de chegar a Trivela. Cobriu Copa do Mundo e está na cobertura do Atlético-MG desde 2020.

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