Atlético-MG: os destaques, decepções e surpresas da temporada
O Galo sonhou com um ano histórico, em que poderia ter sido campeão duas vezes, e "acordou" com a melancolia da briga contra o rebaixamento
O Atlético-MG viveu uma montanha-russa na temporada, indo de finalista da Copa do Brasil e da Libertadores para luta contra o rebaixamento na última rodada do Brasileirão.
Ainda que tenha vencido o Campeonato Mineiro sobre o Cruzeiro, o sentimento do torcedor no final de 2024 é de melancolia.
Quando o Atlético trocou de treinador, demitindo Felipão e contratando Gabriel Milito, o time mineiro chegou a ser classificado por grande parte da imprensa como a equipe com o melhor futebol do país.
Isso porque o Galo fez a segunda melhor campanha da fase de grupos da Libertadores, jogando um futebol propositivo e ofensivo. Mas o elenco curto, somado a muitas lesões e convocações deixaram o Atlético fragilizado a ponto de flertar e muito com a zona da degola.
Em determinado momento da temporada, o Alvinegro praticamente abdicou de jogar o Campeonato Brasileiro e focou nas copas.
O que os chefes do clube não contavam era ver o Flamengo fazer a primeira volta olímpica da Arena MRV após a decisão da Copa do Brasil e perder para o Botafogo por 3 a 1, mesmo jogando praticamente toda a final da Libertadores com um homem a mais.
Destaques

Parece filme repetido, mas Hulk foi o jogador mais decisivo do Atlético no ano, assim como tem sido desde que chegou em 2021. Foi dele o gol da classificação para a final da Copa do Brasil, uma pintura no São Januário. Também partiu dos pés do super herói atleticano que veio a assistência para Deyverson abrir a goleada histórica sobre o River Plate na semifinal da Libertadores.
Ao todo, Hulk marcou 19 gols e deu 13 assistências em 53 jogos. Ótimos números levando em consideração a sua idade, 38 anos, e a regularidade do jogador nos últimos três anos.
Everson foi mais um que se destacou na temporada. O goleiro talvez seja o mais injustiçado nas finais perdidas pelo Atlético. Ele operou milagres e salvou o time mineiro de uma goleada histórica contra o Flamengo, principalmente no segundo jogo da final da Copa do Brasil.
Muito bom volante, Rodrigo Battaglia foi redescoberto por Milito em uma nova posição, na zaga. O argentino foi o jogador mais seguro da defesa atleticana e ainda foi decisivo quando foi ao ataque. Marcou o gol da classificação do Atlético para as quartas de final da Libertadores, contra o San Lorenzo, e repetiu o feito ao estufar as redes do São Paulo no Morumbi, tento que levou o Galo à semifinal da Copa do Brasil.
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Decepções

Gustavo Scarpa chegou à Cidade do Galo com o título de principal contratação da temporada. Ainda que tenha marcado o gol que sacramentou a conquista do quinto título mineiro, sobre o Cruzeiro no Mineirão, o meia caiu vertiginosamente de produção no decorrer da temporada e “sumiu” em partidas-chave da equipe em 2024.
Para se ter ideia, sua última participação em gol no Atlético foi em 19 de outubro, em que deu o passe para o golaço de Hulk sobre o Vasco que classificou o Alvinegro para a final da Copa do Brasil. A última vez que o camisa 6 balançou as redes foi em setembro, contra o Grêmio, de pênalti, em partida do Brasileirão.
Outro que caiu de rendimento na segunda metade da temporada foi Guilherme Arana. O ídolo atleticano conseguiu mostrar seu bom futebol, principalmente na primeira metade do ano, e foi convocado mais de uma vez para a seleção brasileira. Porém, seus últimos oito jogos de 2024 foram bem abaixo do esperado, não se destacando no ataque e ainda tendo erros na defesa.
Junior Alonso e Bernard, que retornaram ao Atlético no meio do ano, foram outras duas decepções. O zagueiro paraguaio passou longe de ser aquele que o torcedor admirou tanto no ano mágico para os alvinegros em 2021. Já o cria da base alvinegra, que foi recebido com festa pela torcida no aeroporto em seu retorno à Belo Horizonte depois de cerca de uma década na Europa, também não mostrou resquícios do “alegria nas pernas” que ajudou o Galo a ser campeão da Libertadores em 2013 e o levou à Copa do Mundo de 2014.
Surpresas

Deyverson foi contratado pelo Atlético no meio do ano depois de passar meses encostado no Cuiabá. Foi tratado por muitos como única opção que o Galo tinha para reforçar o ataque, pensando no orçamento curto do clube. Porém, o folclórico atacante mostrou a que veio. Depois de uma seca de oito jogos sem marcar, Deyvinho disparou a fazer gols.
O camisa 9 marcou e deu assistência na goleada por 3 a 0 sobre o Bragantino, anotou dois contra o Fluminense em um jogo dramático, levando o Galo à semifinal da Libertadores, voltou a marcar contra o Grêmio e fez sua melhor partida com a camisa do Atlético contra o River Plate, anotando dois gols e dando assistência para o terceiro na Arena MRV. Depois, assim como todo o time, o atacante caiu de produção.
Aos 38 anos, Mariano se despediu do Atlético em alto nível, não em conquistas, mas em desempenho dentro de campo. Ele foi o melhor em campo nas duas finais mais importantes que o Galo disputou no ano e encerrou seu vitorioso ciclo no clube com honra e gratidão da torcida.






