Flamengo com Lanús e mais: Os laços que unem torcidas de Brasil e Argentina
Torcedores de clubes brasileiros compartilham histórias e parcerias com torcida de times argentinos
Apesar da grande rivalidade, Brasil e Argentina possuem irmandades entre torcidas dos países vizinhos. É muito comum as parcerias com hinchas de clubes argentinos, seja por identificação, histórico ou algum outro motivo que una as equipes.
Torcedores do São Paulo sabem da irmandade que possuem com o Chacarita, clube de Buenos Aires, que leva as mesmas cores do Tricolor Paulista e possuem a camisa bastante parecida. Já a torcida do Fluminense é conhecida pela parceria com o Vélez, criada pelas cores e também por momentos compartilhados pelos times.
Parte da torcida do Flamengo, por sua vez, tem uma parceria com hinchas do Lanús, e torcedores argentinos até mesmo chegaram a ter apoio dos rubro-negros durante passagem pelo Rio de Janeiro, quando enfrentaram o Vasco, pela Sul-Americana 2025.
Essas parcerias não são de hoje, mas movimentam bastante o universo das torcidas, que acabam criando laços que contribuem para um ambiente mais favorável ao futebol. A Trivela mergulhou na história de algumas irmandades para entender melhor como elas funcionam e como agem por fora das arquibancadas.
União Flamengo x Lanús
Uma das amizades diz respeito a Flamengo e Lanús. Uma das torcidas do clube carioca, chamada Fla Manguaça, mantém uma grande parceria com a La Barra 14, do clube argentino. Felipe Amorim Abreu é integrante da torcida rubro-negra desde 2006 e, em 2008, se tornou presidente da instituição. Ele explicou à Trivela em entrevista publicada no ano passado como iniciou a relação entre os dois.
— Nossa amizade começou em 2012, através do Castro que é um argentino que morava no Rio há muito tempo e é torcedor do Flamengo. Em 2012, quando jogamos em Lanús, ele por também torcer para o Granate, organizou um churrasco com os amigos para nos receber e aí nasceu a amizade com clube e hoje somos mais que amigos, somos irmãos — disse o torcedor.
A partida na qual Felipe se refere foi válida pela Libertadores de 2012. No jogo de ida, em La Fortaleza, as equipes empataram por 1 a 1, e a recepção por parte dos argentinos foi o que chamou a atenção.

A irmandade entre as partes é bastante forte e hoje ambos se ajudam em viagens internacionais. Segundo Felipe, a La Barra 14 sempre dá o suporte necessário quando há jogos do Flamengo em Buenos Aires. O mesmo acontece em caso de jogos da equipe argentina em solo carioca.
— O futebol é paixão e alegria. Os momentos de festa e celebração são muito maiores que os momentos de violência que tanto se mostra — completou Felipe.
No ano passado, o Lanús foi campeão da Copa Sul-Americana em cima do Atlético-MG e recebeu homenagem dos torcedores rubro-negros. No dia 22 de novembro, dia da final continental, o Flamengo enfrentava o Red Bull Bragantino e na arquibancada era possível ver uma bandeira do Lanús.
No entanto, a bandeira não era uma novidade, visto que desde, o início da relação, a Fla Manguaça faz questão de levar o item nos jogos. O mesmo acontece em jogos do Lanús, em La Fortaleza, em que as cores do Rubro-Negro podem ser vistas na Barra 14.
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Vélez e Fluminense, uma história antiga
É normal para um torcedor do Fluminense ver camisas do Vélez Sarsfield nas arquibancadas do Maracanã em dias de jogos da equipe. A amizade entre a torcida dos dois clubes é bastante forte e já leva bastante tempo.
Inicialmente, a parceria começou por conta das cores similares, mas depois avançou para histórias curiosas e até mesmo uma grande amizade entre os dirigentes dos clubes. Hoje Vélez e Fluminense são considerados irmãos.
A primeira ligação com os argentinos aconteceu por conta das cores. O time de Liniers também é tricolor, o que o liga ao Fluminense. No início, os argentinos usavam apenas camiseta branca, depois adicionaram o azul-marinho. No entanto, em 1914, com quatro anos de sua fundação, o Vélez passou a usar as cores italianas (verde, branco e vermelho).

A camisa tricolor foi utilizada até 1933, mas depois o clube retornou ao branco com azul-marinho, que é utilizado até hoje. A mudança aconteceu após um comerciante oferecer por baixo custo ao clube de Liniers um estoque de camisas brancas com um ‘V’ em azul no peito. A encomenda teria sido feita por um clube de rugby que nunca a retirou.
Além da ligação entre as cores, também há histórias envolvendo as equipes, sendo a primeira delas em 1969. Naquele ano, o clube argentino realizou um amistoso com o intuito de inaugurar a nova iluminação de seu estádio.
O Santos, de Pelé, foi o time convidado para a partida, e naquela noite, o Vélez voltou a usar o uniforme tricolor. No entanto, o que chamou a atenção, foi que as camisas utilizadas pertenciam, na verdade, ao Fluminense.
— Nossa camisa italiana tem uma bela anedota. Foi com a visita do mítico Santos de Pelé por conta da inauguração do novo sistema de iluminação do estádio. Vélez voltou a utilizar naquela noite a camisa tricolor, já que o Santos estava impecavelmente vestido de branco. Como conta o livro da história do Vélez, lançado no aniversário de 70 anos, eram as camisas do Fluminense, que haviam sido compradas pelo roupeiro Ramón Garcia em uma recente visita ao Brasil — diz texto publicado no site oficial do clube argentino.

A amizade entre os clubes passou a ocupar também as arquibancadas e hoje ambas as torcidas possuem uma grande amizade. É possível sempre ver camisas trocadas em seus estádios, e é comum recepções e ajuda mútua quando os times viajam para o país do seu “irmão” para jogar alguma partida de Libertadores ou Sul-Americana.
A curiosidade é que Fluminense e Vélez jamais se enfrentaram, tanto em jogos oficiais quanto amistosos.
São Paulo x Chacarita vai muito mais além das cores
Além das amizades já citadas, outra parceria bastante conhecida é entre São Paulo e Chacarita Juniors. As torcidas compartilham as mesmas cores, mas outras ligações fazem com que essa irmandade se torne cada vez mais forte ao longo dos anos.
A história da amizade começou em 1992, quando torcedores do Chacarita se uniram ao São Paulo e passaram a torcer contra o Newell’s Old Boys na final da Copa Libertadores. Unidos pelas cores semelhantes, as torcidas passaram a se apoiar e a amizade começou a ficar ainda mais forte.
Em 2012, o São Paulo disputou a final da Copa Sul-Americana contra o Tigre, da Argentina. Acontece, que a equipe de Vitória, província de Buenos Aires, é o principal rival do Chacarita. Com isso, a parceria entre as equipes ficou ainda mais estreita.

Não é difícil encontrar torcedores do São Paulo em jogos do Funebrero e a recíproca é verdadeira. Próximo ao estádio do Morumbi, inclusive, há grafites em homenagem aos “hermanos”.
Recentemente, São Paulo e Tigre voltaram a se enfrentar, dessa vez pela Libertadores 2023. No jogo de ida, que aconteceu em solo argentino, a polícia federal fez uma grande ação para impedir que camisas do Chacarita estivessem presentes na arquibancada visitante, a fim de evitar conflitos entre os torcedores.
A reportagem da Trivela esteve em 2025 na loja “Nico Deportes”, especialista na venda de camisas de futebol. Fabian, vendedor da loja, explicou que uma das camisas que mais vende na loja é a do Tricolor Paulista, justamente sendo procurada por torcedores do Chacarita. A camisa do Funebrero também tem grande procura, dessa vez por parte dos são-paulinos que visitam a loja.



