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Meia final, campeão completo: São Paulo leva a Sul-Americana

O São Paulo preparou uma grande festa para o Morumbi. A torcida lotou o estádio e esperava uma exibição de gala contra o Tigre para coroar o título da Copa Sul-Americana. De fato, os tricolores viram 45 minutos de domínio e vitória parcial por 2 a 0. Entretanto, a conquista perdeu parte de seu brilho durante o intervalo. Alegando terem sido agredidos, os argentinos se recusaram a voltar para o segundo tempo. Somente depois de muita espera e desencontros, a Conmebol confirmou a taça inédita para o Tricolor, o 12º título internacional do clube.

Em sua despedida do São Paulo antes de seguir para o Paris Saint-Germain, Lucas foi o personagem da partida. Decisivo, participou dos dois gols da equipe, marcando um e dando assistência para outro. E também não se escondeu das provocações, desencadeando a confusão no intervalo. Na cerimônia de premiação, foi recompensado ao ganhar a braçadeira de Rogério Ceni e o direito de erguer a taça.

O tumulto

Em primeiro tempo duro, os jogadores do Tigre contaram com a complacência do árbitro para abusar da violência. Lucas foi atingido no nariz em um dos lances e precisou sair do campo por conta de um sangramento. E foi a partir deste momento que a partida teve seu fim. Na saída de campo ao encerramento do primeiro tempo, o meia ofereceu o algodão que estancava o sangue para um dos adversários e iniciou a discussão generalizada. Paulo Miranda chegou a ser expulso durante o imbróglio.

A polícia apartou a briga e os times seguiram para os vestiários. Depois disso, jogadores do Tigre acusaram uma agressão feita por seguranças do estádio e o técnico Néstor Gorosito declarou que sua equipe não voltaria a campo. A arbitragem tentou convencer a retomada da partida, sem sucesso. Depois de trinta minutos de espera, por fim, o jogo foi dado por encerrado, com vitória do São Paulo.

Enquanto a bola rolou…

Apesar das dúvidas antes do jogo, Willian José foi o encarregado de substituir o suspenso Luiz Fabiano no comando do ataque. E o começo do jogo esteve sob controle dos tricolores. O São Paulo tinha a posse de bola e tentava progredir principalmente em arrancadas, mas não tinha muita progressão diante da marcação ríspida do Tigre. Apesar das entradas mais duras dos visitantes, o árbitro Enrique Osses deixava o jogo correr.

Aos 22 minutos, por fim, uma boa trama coletiva do São Paulo, que acabou resultando em gol de Lucas. Após tabela entre Willian José e Jadson, a defesa afastou parcialmente e a bola sobrou para o meia, que limpou a marcação e chutou cruzado para balançar as redes.

O tento abriu o caminho para os brasileiros, que logo na sequência conseguiram ampliar a vantagem. Lucas enfiou a bola para Osvaldo, que saiu sozinho em direção ao gol e tocou por cima do goleiro Albil. O atacante estava impedido por centímetros, mas o assistente não apontou.

A vantagem deu calma para o time de Ney Franco. O Tigre tinha dificuldades para avançar e abusava da força para parar os adversários. Enquanto isso, o Tricolor cadenciou o jogo durante o restante do primeiro tempo, sob o som de “olé” das arquibancadas. Gritos que, depois de alguma espera, se transformaram na comemoração pelo título.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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