Mano Menezes no Peru: Relembre outros trabalhos de brasileiros em vizinhos sul-americanos
Técnico experiente do Brasil comandará La Bicolor no ciclo até a Copa do Mundo de 2030 e aumenta histórico de brasileiros na seleção peruana
Após a saída do Grêmio no fim da última temporada, Mano Menezes partiu para uma aventura surpreendente: a seleção peruana. O treinador de 63 anos foi anunciado nesta quinta-feira (29) como o nome para comandar La Bicolor no ciclo para Copa do Mundo de 2030 — já que não está classificada para edição deste ano.
Será a segunda experiência do técnico em uma seleção, já que passou pelo selecionado brasileiro entre 2010 e 2012, e a primeira vez que trabalhará em um vizinho na América do Sul.
Mano segue uma linhagem de brasileiros que comandaram o Peru — alguns deles, com muito sucesso –, o país vizinho de longe mais identificado com os profissionais vindos do Brasil. Isso, porém, não acontece há mais de 20 anos.
Em outras seleções da América do Sul, os técnicos do Brasil têm presença mais tímida historicamente, mas há alguns casos marcantes, mesmo que a maioria seja no século passado. Chile, Argentina, Uruguai e Colômbia, no entanto, nunca tiveram comandantes brasileiros.
𝗖𝗼𝗺𝗶𝗲𝗻𝘇𝗮 𝘂𝗻 𝗻𝘂𝗲𝘃𝗼 𝗰𝗮𝗽í𝘁𝘂𝗹𝗼 𝗽𝗮𝗿𝗮 #𝗟𝗮𝗕𝗶𝗰𝗼𝗹𝗼𝗿 🇵🇪🙌🏻
— La Bicolor (@SeleccionPeru) January 29, 2026
El DT Mano Menezes 🇧🇷 asume la dirección técnica de nuestra Selección Masculina.#UnSentimientoQueNosUne pic.twitter.com/bAmmh79kdd
Além de Mano Menezes: Os técnicos brasileiros do Peru
Mesmo que o pioneiro brasileiro na Bicolor tenha sido Jayme de Almeida, em 1962, e José Gomes Almeida tenha a comandado quatro anos depois (e também treinou o Equador), quem fez realmente sucesso foi Didi, bicampeão mundial pelo Brasil como jogador, após sua primeira experiência como técnico ter sido o título peruano com pelo Sporting Cristal.
Entre 1968 e 1970, o histórico ex-meio-campista conduziu o Peru para a Copa do México — a primeira desde 1930 para o país –, eliminando a Argentina nas Eliminatórias na La Bombonera e fazendo a melhor colocação até hoje dos peruanos ao cair nas quartas de final para a seleção brasileira.
Depois de Didi, mais um brasileiro levou a seleção dos Incas à Copa. Tim, após passagens no comando de Vasco e Flamengo, classificou os vizinhos a competição mundial de 1982, quando caíram na fase de grupos.
Os outros brasileiros foram Pepe, histórico atacante do Santos, que treinou a Bicolor na Copa América de 1989 (eliminação na fase de grupos) e em parte das Eliminatórias à Copa de 1990, e Paulo Autuori, que deixou o selecionado em 2005, dois anos após ter assumido, e na sequência foi campeão do mundo pelo São Paulo.

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Bolívia teve técnico brasileiro mais recente e o de maior sucesso fora do Brasil
Entre outubro de 2023 e o meio de 2024, o ex-zagueiro Antonio Carlos Zago comandou a seleção boliviana. A curta passagem, de apenas dez jogos, foi finalizada após perder todas na fase de grupos da Copa América. Ele vinha de bom trabalho no Bolívar e voltou ao país para comandar o The Strongest no ano passado.
O brasileiro anterior a Zago foi Danilo Alvim, no começo dos anos 60, responsável pelo maior título da história da La Tri: o Campeonato Sul-Americano de 1963, hoje equivalente a Copa América. Ele foi jogador e esteve no primeiro vice da seleção brasileira na Copa do Mundo, em 1950.
Danilo Alvim leads 🇧🇴 @FBF_BO #Bolivia to the 1963 @CopaAmerica title, beating his countrymen 🇧🇷 @CBF_Futebol @selecao to seal the deal in #Cochabamba. 🇧🇴 pic.twitter.com/V9mFaRidCe
— Fussball Geekz (@fussballgeekz) November 14, 2022
Paraguai, Venezuela e Equador também tiveram seus brasileiros
Depois do Peru, o Paraguai, junto do Equador, foi quem teve mais técnicos brasileiros. É verdade que os dois primeiros, Paulo Amaral e Valdir Espinosa, foram de pouco sucesso, mas Paulo César Carpegiani conseguiu construir uma trajetória interessante nos anos 90.
Após ser eliminado na Copa América de 1997 só nas quartas de final para o Brasil, ele classificou a Albirroja para a Copa do Mundo de 1998, na França, onde avançou invicto em um grupo com Bulgária, Espanha e Nigéria (dois 0 a 0 e depois vitória por 3 a 1, respectivamente).
No mata-mata frente ao país anfitrião, a seleção paraguaia aguentou até o minuto 114, quando Blanc marcou e impôs a primeira eliminada pelo gol de ouro em uma Copa.
Carpegiani saiu logo após o Mundial e, desde então, nenhum brasileiro voltou a comandar os paraguaios. As seleções de Equador teve dois brasileiros, sem destaques, e a Venezuela um, logo no começo de sua profissionalização, por Orlando Fantoni.

Nos três países sul-americanos que não fazem parte da Conmebol, apenas a Guiana teve treinadores do Brasil, com Neider dos Santos e Márcio Máximo. Suriname e Guiana francesa nunca nomearam um brasileiro para o comando técnico.
Todos os técnicos brasileiros que trabalharam em vizinhos sul-americanos
- Peru: Mano Menezes, Paulo Autuori, Pepe, Tim, Didi, José Gomes Nogueira e Jayme de Almeida
- Paraguai: Paulo Amaral, Valdir Espinosa e Paulo César Carpegiani
- Venezuela: Orlando Fontani
- Equador: Otto Vieira, José Gomes Nogueira e Antoninho
- Bolívia: Danilo Alvim e Antônio Carlos Zago



