América do Sul

Flamengo: Apesar de derrota na Recopa, apostas de Filipe Luis merecem mais testes

Rubro-Negro perde ida de decisão sul-americana para o Lanús com novidades táticas

Um Flamengo bem diferente do habitual entrou em campo na noite desta quinta-feira (19) na ida da Recopa Sul-Americana. Filipe Luís apostou em uma formação sem típico camisa 9 contra o Lanús no Estadio Ciudad de Lanus e mostrou ideias interessantes, mesmo que elas não tenham dado certo na derrota por 1 a 0.

O técnico, sem Plata, suspenso, e deixando Bruno Henrique e Pedro (que não jogou no último duelo por problemas na virilha) no banco de reservas, colocou Carrascal como centroavante, tendo Arrascaeta próximo se associando. Cebolinha era o ponta pela esquerda e Luiz Araújo na direita. O que chamou atenção, porém, foi a formação com bola do time.

A formação diferenciada de Filipe Luís

No momento com a posse de bola, no entanto, o campeão da Libertadores apostava em uma postura praticamente não vista desde a chegada do jovem treinador. Não era só Varella que subia para ocupar o corredor e dar liberdade para o meia pela direita, mas Alex Sandro também.

Com isso, Pulgar ficava na saída de bola junto aos zagueiros e Lucas Paquetá era o primeiro volante. Praticamente um 3-1-6. A presença de Carrascal, somada a essa formação, tinha uma estratégia clara de associação por dentro com muitos jogadores.

Formação do Flamengo, 3-1-6, com bola, contra o Lanús
Formação do Flamengo, 3-1-6, com bola, contra o Lanús (Foto: Tactical-board/Trivela)

Isso deu certo uma vez, exatamente na única finalização certa do lado brasileiro no jogo. Aos 34 minutos do primeiro tempo, Paquetá, vendo o jogo de frente, viu a movimentação de Arrascaeta nas costas dos volantes e atraindo um dos zagueiros.

O uruguaio foi acionado e tocou rápido para Cebolinha, por dentro porque Alex ocupava o corredor, que passou pela marcação e, na cara do gol, chutou em cima do goleiro Nahuel Losada. Foi o melhor momento do Fla em uma partida ainda muito abaixo fisicamente, ainda prejudicados pelo longo 2025 e a pré-temporada encurtada.

O maior problema desse 3-1-6 foi a pouca movimentação em boa parte do tempo — mérito também do 4-4-2 compacto dos argentinos e com marcação bem próxima.

Acabou também com problemas na saída de bola porque, não tendo Pedro para ganhar lançamentos, o time era obrigado a sair pelo chão pressionado ou tentando bolas longas para ninguém vencê-las. A presença de laterais pelo lado de campo também tira a capacidade de mano a mano dos pontas, mais congestionados por dentro.

O camisa 9 entrou aos 12 do segundo tempo, garantindo a possibilidade de receber lançamentos e cruzamentos. Inclusive, finalizou de cabeça com perigo em um deles. A ideia diferente de Filipe, em especial contra defesas mais fechadas, pode ser repetida, assim como Carrascal como esse nove de associação. Como um primeiro teste, é normal que as coisas não saiam como o técnico gostaria.

No fim, porém, quem se deu melhor com as mudanças foi o vencedor da última Copa Sul-Americana.

Sepúlveda saiu do banco para dar um ânimo no lado direito ofensivo do Lanús. Por lá, cobrou falta para defesa de Rossi — que antecedeu gol anulado em escanteio. Aquino — e conseguiu bola no travessão em cruzamento desviado. Junto dele veio Aquino, para a esquerda, onde perdeu a bola antes que seu time recuperasse e, com cruzamento de Marcich, fizesse o único gol do dia com Castillo, de cabeça.

A volta, no Maracanã, está marcada para próxima quinta (26). O Flamengo precisa de pelo menos de uma vitória de um gol de vantagem para forçar pênaltis. O título direto só vem se for por dois gols. Ao Granate, um empate basta para uma conquista inédita.

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Lanús levemente melhor do que o Flamengo no 1º tempo

Não foram 45 minutos simples para o visitante brasileiro. O Lanús, que obviamente teve menos a bola e a presença constante no campo de ataque, conseguiu atacar com mais efetividade quando tinha a posse, apostando em um jogo muito direto com lançamentos.

Fez Rossi trabalhar com dificuldade em dois chutes fortes (um de Medina, outro de Salvio) e ainda marcou, em falta cobrada na área e concluída por Castillo, mas o atacante estava impedido. Tudo isso, porém, aconteceu nos 13 iniciais. Depois, o Fla conseguiu esfriar o adversário e criou a melhor chance do jogo com Cebolinha.

Dividida entre Carrera, do Lanús, e Pulgar, do Flamengo
Dividida entre Carrera, do Lanús, e Pulgar, do Flamengo (Foto: Imago)

Etapa final tem argentinos ainda mais superiores

O Lanús seguiu sendo mais incisivo do que o Fla, que, além de cabeceio de Pedro, praticamente não incomodou mais. As alterações não surtiram o efeito que Filipe buscava.

Enquanto isso, o Lanús, apesar de só não marcar com Carrera em tabela com Moreno por corte de Ortiz, só passou a incomodar de verdade com as substituições. Rossi pegou falta de Sepúlveda, mas não evitou os dois gols de de Castillo: um impedido, em escanteio que terminou com chute cruzado de Marcich, e outro em completando cruzamento.

Ainda teve Aquino tentando voleio por cima do gol e bola alçada por Sepúlveda que assustou o Flamengo. Uma vitória merecida, mesmo com o abismo financeiro e técnico.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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