Sul-Americana

Paulo Junior: Anote aí, o Fortaleza Esporte Clube tem final de Copa no Uruguai

Seis anos depois de sair dos intermináveis anos de Série C, Fortaleza está perto de conquistar a América

O Corinthians conquistou alguns resultados pontuais nesta temporada que garantiram uma sobrevida nas Copas, e era isso, não muito mais que isso, mais o talento de seu goleiro na disputa por pênaltis caso conseguisse segurar um empate nos 90 minutos, que parecia equilibrar as forças da semifinal no Castelão. O Fortaleza, numa festa inesquecível para seu torcedor, finalizou bastante, fez 2 a 0 e vai, até com algum conforto na fase final do jogo, à final da Copa Sul-Americana.

Haverá de ser contado que a primeira vez numa decisão continental acontece apenas seis anos depois do acesso à Série B do Campeonato Brasileiro. De setembro de 2017, quando saiu de Juiz de Fora se livrando dos intermináveis anos de Terceira Divisão, até o gol de Tinga na noite mágica desta terça-feira, vieram os títulos, a relevância nas grandes disputas, mas, principalmente, a bonita história de se firmar como um dos principais times do país. Ver o Fortaleza derrubando um gigante ao natural num mata-mata continental é um barato, pela saga dos últimos anos e pela forma com que segue na disputa.

É notável, diria que unânime entre quem acompanha o futebol brasileiro, o reconhecimento ao trabalho de Juan Pablo Vojvoda nesses dois anos e meio, comandando um time muito competente. Dizem que os maiores jogos são as semifinais, porque agora é correr o mês de outubro até uma decisão de Copa no Uruguai com a expectativa dos sonhos de um torcedor que agonizou por anos, bem distante dessas noites que ele só podia ver pela televisão. De repente visita o River em Buenos Aires, faz quatro no Colo-Colo em Santiago, tem uma taça para buscar em Maldonado. É ele próprio fazendo o jogo que o Brasil todo assiste.

Yuri Alberto até teve boa chance numa bola de Renato Augusto, mas logo o Fortaleza empilhou tentativas de gol. Foram muitos chutes travados no primeiro tempo, além da boa participação de Cássio, com o Corinthians estreando seu novo técnico e mostrando a dificuldade rotineira dos últimos meses. Na volta do intervalo a impressão de domínio virou gols, com Yago Pikachu, que estrela, titular no lugar de Marinho e mostrando calma diante do goleiro, e Tinga, o capitão, explorando a frágil marcação do lado esquerdo paulista (e olha que Romero jogou ali para supostamente ajudar).

Caio Alexandre fez uma grande partida, o goleiro João Ricardo esteve seguro, Bruno Pacheco tem o mérito da assistência precisa. O Fortaleza marcado pelo jogo coletivo fez história com sua entrega dos últimos tempos e a qualidade de um elenco sem craques, mas com gente muito certa do que fazer com a camisa tricolor.

O Corinthians, nove pontos a menos que o Fortaleza na tabela do Brasileirão, está bem mais perto da zona de rebaixamento que das vagas à Libertadores. A temporada não se explicará pelas semifinais das Copas, e precisará ser dito que o elenco joga muito menos do que pode. O time que foi passando testando o limite das possibilidades de um jogo de futebol – pênaltis contra Remo, Atlético-MG, América-MG, Estudiantes, até não dar conta de segurar o ímpeto de São Paulo no Morumbi e Fortaleza no Castelão -, chegou longe demais no sonho de título para o desempenho em campo.

A solidez do Fortaleza encontrou um Corinthians que, arrastado, chega para os 13 últimos jogos da temporada torcendo para o ano terminar. Difícil seria explicar uma classificação corinthiana novamente atacando pouco, espaçado, pouquíssimo inspirado tecnicamente (nem Renato Augusto conseguiu jogar), contra um time local babando para pendurar um pôster na parede como próximo passo de seu grande momento. Deu o esperado, às vezes acontece simplesmente o esperado, e o 2 a 0 no Castelão é a proporção que separa hoje o tricolor de Vojvoda, time que você reconhece de longe, do alvinegro de muitos técnicos, alguns lampejos e pouquíssima bola.

Foto de Paulo Junior

Paulo Junior

Paulo Junior é jornalista e documentarista, nascido em São Bernardo do Campo (SP) em 1988. Tem trabalhos publicados em diversas redações brasileiras – ESPN, BBC, Central3, CNN, Goal, UOL –, e colabora com a Trivela, em texto ou no podcast, desde 2015. Nas redes sociais: @paulo__junior__.
Botão Voltar ao topo