‘No futebol brasileiro se você faz um trabalho ruim, vai ser ruim para sempre’
Técnico semifinalista da Libertadores faz diagnóstico duro e sincero sobre realidade do mercado no Brasil
Tiago Nunes está a 90 minutos — que prometem ser de tensão total — de levar a LDU à final da Libertadores. Após vencer o Palmeiras por 3 a 0 no duelo de ida, em Quito, a Liga pode até perder por 2 a 0 nesta quinta-feira (30), no Allianz Parque, que ainda assim garante a classificação.
É claro que é impossível duvidar da equipe de Abel Ferreira, muito menos dizer que a LDU já está na grande decisão. Mas a campanha que deixa os equatorianos a um passo da final já serve como uma espécie de redenção para Tiago Nunes.
O treinador decidiu deixar o futebol brasileiro após acumular insucessos últimos trabalhos no Brasil.
Depois de despontar como um técnico promissor em seu trabalho multicampeão pelo Athletico Paranaense, com títulos da Copa do Brasil e da Sul-Americana, Tiago Nunes não conseguiu fazer sua carreira decolar.
Teve passagens ruins por Corinthians, Grêmio e mais recentemente pelo Botafogo, com uma breve aventura pelo Sporting Cristal, do Peru, neste meio tempo.
Os trabalhos foram interrompidos em poucos meses, mas o rótulo dos maus desempenhos perdura até hoje para o treinador. Como ele próprio afirmou, em uma entrevista sincera em que desabafou para o site da Fifa.
— Um treinador é avaliado todos os dias, e está tudo bem com isso, é parte do processo. O que me desagrada é que se você faz um trabalho considerado ruim, parece que não tem o direito de se desenvolver e melhorar; vai continuar sendo ruim para sempre — disse o treinador, em entrevista.

Para além de seu caso pessoal, Tiago Nunes critica aquele que é um dos grandes males do futebol brasileiro e do não desenvolvimento de treinadores mais jovens no Brasil: o imediatismo por resultados.
Na visão do técnico, os trabalhos são interrompidos antes que os frutos possam ser colhidos a longo prazo.
— Há tanta rodagem de treinadores no futebol brasileiro, por resultados que vêm e vão, que a gente nunca acaba sabendo se o processo que desenvolve é correto ou não, porque não consegue ter início, meio e fim. O desenvolvimento é de tentativa, acerto e erro, e aí o crescimento leva mais tempo do que o desejado — analisa Tiago Nunes.

A aventura fora do país
Tiago Nunes encontrou sucesso na LDU. Mas a verdade é que se aventurar pela América do Sul não foi exatamente uma tarefa fácil para o treinador.
Antes do bom momento em Quito, o treinador viveu uma passagem ruim pela Universidad de Chile no ano passado. A primeira experiência fora do Brasil, porém, veio ainda em 2023, com um trabalho consistente no Sporting Cristal, do Peru. Altos e baixos que o moldaram para estar a um passo da final da Libertadores.
— A questão toda é pagar o preço de se aventurar fora do país, porque quem se aventura muitas vezes não tem um plano. Sair da sua zona de conforto, ser resiliente, procurar outros desafios, ir na contramão do que o mercado diz que você tem que fazer — disse o treinador.
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Do que a LDU precisa para se classificar
Após vencer o jogo de ida por 3 a 0 em Quito, a LDU pode até perder por dois gols de diferença, que ainda assim avança à final da Libertadores. Uma derrota por três gols leva a decisão no Allianz Parque aos pênaltis.



