Libertadores

Palmeiras está voando e, por isso mesmo, Abel Ferreira está errado

Técnico do Alviverde voltou a reclamar de crticas recebidas por seu time no passado

Após a vitória do Palmeiras sobre o Bolívar (3 a 2), na quinta-feira (24), em La Paz, pela Libertadores, Abel Ferreira voltou a reclamar da cobertura jornalística sobre o seu time.

— Tenho que colocar gelo na imprensa. Os mesmos que elogiam agora são os que nos rasgaram no Paulista. Aos meus jogadores, digo o que vou dizer a ti: não leiam o que escrevem. Vão nos encher o ego de armadilhas. Somos os mesmos, não mudou nada. Calma. Gelo.

O Palmeiras merece mesmo muitos elogios. Não são apenas sete vitórias consecutivas: são sete vitórias consecutivas jogando bem, com estilos de jogo e escalações muito diferentes entre si. O Palmeiras atual, sem qualquer dúvida, é digno de aplausos.

Assim como o Palmeiras que só conseguia chegar ao ataque com cruzamentos, que desperdiçava muitas chances — poucas limpas e na medida para os atacantes finalizarem, diga-se — mereceu as duras, mas justas, críticas que recebeu.

Ou o time que perdeu para o Corinthians a primeira final do Paulista, no Allianz Parque (0 a 1), jogou bem? E o time totalmente entregue e sem alma, que empatou em 0 a 0 em Itaquera, no segundo jogo? Fez uma boa atuação?

Atuações ruins do Palmeiras vieram desde 2024

As críticas, aliás, eram merecidas desde o ano passado, quando, com a faca e o queijo na mão, perdeu outro Dérbi jogando muito mal em Itaquera (0 a 2) e permitiu que o Botafogo ficasse com o título do Brasileiro ao ser derrotado em casa (1 a 3).

De quebra, disputando o título, ainda perdeu para o Fluminense (0 a 1) na última rodada, livrandos os tricolores do rebaixamento.

Jogaram bem as formações que perderam para o Novorizontino (1 a 2) e empataram em 0 a 0 com o Bragantino, no jogo, assistido in loco por Jurgen Klopp, no Allianz Parque, no Estadual desse ano?

E não foram ruins as apresentações nos empates com Água Santa (1 a 1), São Paulo (0 a 0) e Botafogo (0 a 0), na estreia do time no Campeonato Brasileiro? Não fossem os muito contra-ataques desperdiçados, o Alviverde teria iniciado o campeonato perdendo em casa de novo para o time carioca.

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Palmeiras tropeçou muito até engrenar

Mas sim, o Palmeiras melhorou, e não foi pouco. Mesmo que na atual sequência, não tenha sido necessariamente brilhante ao bater o Sport no Recife (2 a 1). Mas, dali em diante, o time engrenou.

E é justamente porque esse mesmo time é capaz de fazer jogos tão excelentes como o 2 a 0 no Corinthians e a trinca de triunfos como visitante — 1 a 0 no Internacional, 2 a 1 no Fortaleza e 3 a 2 no Bolívar — que “aquele” Palmeiras mereceu tantas críticas.

Claro, Abel começou o ano mesclando o time e buscando uma formação. Tratou o Estadual como laboratório. Testou todo o elenco e colocou em campo até Atuesta e Rony, que estavam completamente fora dos planos. Todo mundo entendeu o processo. Mas, em última análise, ponderados todos os senões, o Palmeiras jogou mal muitas vezes.

“Abel Ferreira é palmeirense como a gente”

Abel Ferreira é mesmo muito palmeirense. Porque cansou de dizer que seu time jogou mal. Quando derrotado pelo Fluminense em dezembro último, por exemplo, disse ter achado até amenas, as vaias que seus jogadores receberam.

Mas se outras pessoas falam mal do time, assim como todo torcedor alviverde, ele fica possesso e faz de tudo para menosprezar as críticas e os críticos.

Do time dele, só ele pode falar mal. É isso que Abel, “palmeirense como a gente”, como canta a torcida, erroneamente pensa.

Se jogar bem, como fez durante quase todo mês de abril, vai receber aplausos e elogios. Mas, se voltar a fazer mais de 20 cruzamentos por jogo e apresentar a mesma eficácia para acertar o gol que os stormtroopers de Star Wars têm para acertar seus tiros, vai voltar a ser criticado.

Ainda que o calendário seja insano, que os gramados sejam ruins, que as viagens sejam longas e que haja muitas lesões.

Porque só recebe críticas tão duras quem tem capacidade de ser excelente. E isso, Abel Ferreira e o Palmeiras já mostraram muitas vezes, como agora, que podem ser.

Estêvão parte para cima do Bolívar
Estêvão parte para cima do Bolívar (Foto: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)
Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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