Libertadores

Carpini volta da Argentina ainda mais pressionado com São Paulo cheio de desfalques

Respaldado internamente, técnico vê pressão crescer após derrota para Talleres e ainda terá de lidar com desfalques

Thiago Carpini desembarcou em Córdoba, na Argentina, esperançoso com o que o São Paulo poderia apresentar em sua estreia na Libertadores. Com 17 dias livres de jogos e duas semanas de treinos desde a eliminação precoce no Campeonato Paulista, o técnico pretendia lançar uma nova equipe com James Rodríguez como titular para afastar a instabilidade com uma vitória. Mas ele retorna à capital paulista ainda mais pressionado depois da derrota por 2 a 1 para o Talleres, nesta quinta-feira (4), no Estádio Mario Alberto Kempes.

E mais do que isso. O treinador volta mais pressionado e com preocupações a perder de vista devido a problemas médicos. Só no primeiro tempo, o São Paulo perdeu Rafinha e Wellington Rato por pancadas e Lucas Moura com uma lesão muscular – a segunda na temporada. O camisa 7 saiu de campo às lágrimas é quem mais desperta cuidados para a sequência da temporada.

Os problemas se multiplicam porque o Departamento Médico já contava com mais quatro jogadores (Moreira, Patryck, Luiz Gustavo e Calleri – que deve ficar à disposição contra o Cobresal) que foram ausências. Outros quatro não estão entregues ao DM (Rodrigo Nestor, Sabino, Young e Nikão), mas ainda aprimoram a parte física e também foram desfalques.

Sem falar que o treinador não contou com seis jogadores durante boa parte dos dias livres para trabalho devido a convocações. Rafael, Pablo Maia, James Rodríguez, Arboleda, Ferraresi e Bobadilla foram chamados por suas respectivas seleções e perderam alguns dias de treinamento. Carpini teve uma semana para definir a estratégia para a estreia na Libertadores… E ela ruiu pelos muitos desfalques no Mario Alberto Kempes.

– Tudo o que ficamos da eliminação até agora, treinamos com 14 atletas. Tivemos a Data Fifa, uma quantidade grande de jogadores nesses jogos, muitos jogadores no departamento médico. A gente aproveitou o que deu para aproveitar. A última semana foi muito proveitosa. A estratégia do jogo tinha sido bem trabalhada. Mas não contávamos com três perdas tão grandes assim no primeiro tempo, atletas que vinham bem na partida. Era um jogo que o Lucas podia fazer a diferença pelas situações que trabalhamos nesse período – disse Carpini na entrevista coletiva após a partida.

Pressionado, Carpini se complicou até com escolhas lógicas

Em meio a tudo isso, Carpini teve de lidar com cobranças da torcida e pressão tanto nas redes sociais quanto nos bastidores do clube para a sua saída do cargo. Após a derrota em Córdoba, o treinador ainda viu todo esse contexto nebuloso se amplificar por uma decisão lógica que tomou durante a partida.

Quando Wellington Rato sentiu uma pancada, já aos 45 do primeiro tempo, Carpini já havia feito duas substituições (devido às lesões de Rafinha e Lucas). Naquele momento, o treinador  decidiu não gastar o que seria a sua última janela de substituição com bola rolando. Restavam seis dos oito minutos de acréscimos, e o técnico assumiu o risco de suportar esse tempo com dez homens em campo.

O gol marcado por Ruíz Rodríguez aos 50 minutos mostrou que a estratégia deu errado. A revolta nas redes sociais foi nítida. Mas no segundo tempo, veio a comprovação de que ao menos havia lógica no pensamento do treinador: a terceira troca resultou no gol de honra da equipe. Já no segundo tempo, Galoppo e Luciano entraram nas vagas de Alisson e James Rodríguez. O São Paulo balançou as redes com o camisa 10, que aproveitou rebote de finalização do argentino que bateu na trave.

Não substituir Wellington Rato foi decisão lógica, que deu errado (Divulgação/Conmebol)

Eu troquei seis minutos dos acréscimos, por 45 mais os acréscimos. Trocamos seis por cinquenta. É uma tomada de decisão difícil. Jogar na casa deles com jogador a menos é correr risco, mas corria risco de ficar com um a menos no segundo, sabendo que tínhamos atletas que não suportariam os 90 minutos como o James. . A gente tinha que guardar para ele. Se eu queimasse, não teria outra mexida. Acho que foi decisão acertada. (Carpini)

– Se tivéssemos tomado a decisão, e nada tivesse acontecido, nem teria essa pergunta. A gente toma ações e sofre as consequências das nossas escolhas. Se tivesse essa situação, com essa mesma minutagem (de novo), faria dessa maneira. Os próprios atletas também pedindo para fazer dessa maneira. Depois, Luciano e Galoppo entraram, porque pudemos fazer outra toca, e eles participaram do gol – disse Carpini.

Técnico segue respaldado, mas sabe que precisa dar resposta

Mesmo que os resultados teimem em não aparecer, o técnico segue respaldado pela diretoria de futebol e tem confiança para desenvolver seu trabalho de olho nas principais disputas da temporada — Libertadores, o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil. A avaliação interna é de que a equipe está no caminho certo e de que os desfalques atrapalharam bastante o rendimento e a adaptação às ideias e estilo de jogo de Carpini neste início de temporada.

Isso não mudou com a eliminação no Paulista, nem agora. O elenco também está fechado com o técnico. Mas ele sabe que precisa dar uma resposta imediata tanto para aplacar as críticas, quanto para colocar a equipe no caminho da classificação na Libertadores

– Eu acho que qualquer coisa que eu fale em saldo positivo e negativo há controvérsias e opiniões. Eu tenho as minhas convicções e tenho o respaldo dos atletas e do grupo. Hoje foi o início de temporada, a competição mais importante. Não começamos do jeito que queríamos. Não foi saldo positivo pelo resultado, mas pelo comportamento, a busca pelo empate até o fim. É seguir trabalhando. Coisas boas, fizemos. Alguns erros precisamos seguir ajustando. E quarta-feira é MorumBIS. Voltar a viver clima de Libertadores. Futebol e vida são feitos desses momentos. Altos e baixos. As coisas daqui a pouco voltam a acontecer – disse o treinador.

O São Paulo é o lanterna do Grupo B sem pontos somados. O Tricolor agora tenta a recuperação em casa. Na próxima quarta-feira (10), às 21h30 (horário de Brasília), a equipe recebe o Cobresal, do Chile, no MorumBIS, pela segunda rodada da chave.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.
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