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São Paulo revive trauma no Paulista e mostra que caminho de Carpini é mais longo do que se pensava

Nem parece que o São Paulo já foi campeão nesta temporada. Pouco mais de um mês atrás, Carpini se orgulhava de fazer história pelo clube

Renato mal havia convertido o pênalti que eliminou o São Paulo do Campeonato Paulista, no último domingo (17), e uma sonora vaia já ecoava das arquibancadas de um MorumBIS lotado. Os jogadores do Novorizontino logo saíram em corrida inabalada e se aglomeraram no gramado para comemorar com (muitos) méritos a classificação. E ali a alguns metros, à beira do campo, Thiago Carpini apenas ouvia e canalizava toda a revolta dos torcedores com mais uma queda nas quartas de final do estadual.

É até curioso que o treinador esteja “do outro lado” das vaias desta vez. Um ano atrás, Carpini comandava o Água Santa a uma vitória histórica sobre o São Paulo nos pênaltis. Ele avançou à final, ficou com o vice e foi eleito o melhor técnico da competição. De volta a 2024, a sensação certamente é inversa. Hoje, o comandante se despede do Campeonato Paulista como o principal alvo das cobranças da torcida pela eliminação traumática. 

Nem parece que o São Paulo já foi campeão nesta temporada. Pouco mais de um mês atrás, Carpini se orgulhava de fazer história pelo clube. Primeiro, veio o fim do tabu de nunca ter vencido o Corinthians em Itaquera. Depois, ele se tornou o técnico de 39 anos é o mais novo desde Muricy Ramalho a conquistar um título pelo Tricolor – o da Supercopa. Uma conquista de fevereiro de 2024. E que já faz parte de um passado hoje distante.

“A gente entende a frustração e a chateação do torcedor. É a mesma que a nossa, de todos aqui no vestiário. Mas sabemos que é só um início de temporada. São dois meses de trabalho, com altos e baixos. Momentos bons, títulos, conquistas. E hoje essa eliminação precoce na nossa casa. Infelizmente, a gente não conseguiu o objetivo que era desejado por todos nós. A gente entende muito a chateação, que é a nossa” (Thiago Carpini)

Eliminação precoce não surpreende

Esse passado vitorioso (ainda recente) foi ficando cada vez mais distante à medida que a equipe patinava a cada rodada no Paulista. A eliminação para o Novorizontino é traumática, claro. Mas ela não é surpreende pelo que foi a campanha são-paulina no Paulistão. Tudo bem que o Tricolor estava no grupo mais equilibrado do estadual e que o elenco sofreu com lesões ao longo de toda a primeira fase da competição.

Mas o fato de chegar à última rodada obrigado a vencer para se classificar mostra que o São Paulo viveu dias de turbulência desde o título da Supercopa. Foi como se a equipe tivesse parado de evoluir, e isso se refletia nos resultados em campo. O Tricolor se despede do Paulistão com uma sequência de apenas três vitórias nos nove jogos disputados após a conquista diante do Palmeiras no Mineirão. O aproveitamento desde o Choque-Rei em solo mineiro é de apenas 48%.

Além disso, é sintomático que o São Paulo tenha se despedido do Campeonato Paulista com 13 gols sofridos em 13 jogos. Uma média de um gol por jogo que mostra como a equipe oscila e explica por que a classificação só veio na última rodada e por que a eliminação não é por acaso.

A foto que resume o duelo entre São Paulo e Novorizontino: equilíbrio até o fim (Foto: IconSport)

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Diretoria e grupo respaldam Carpini

Minutos após a eliminação, coube a Lucas Moura ir à zona mista do MorumBIS para ser a voz do elenco. O atacante saiu em defesa do treinador. Fez elogios ao trabalho de Carpini e garantiu que o elenco está fechado com o técnico para a sequência da temporada.

– Trabalho muito bem feito, muito consciente. A gente vê a dedicação que ele tem e vê a qualidade e a capacidade que ele tem de montar a equipe. A gente vê a dedicação de todo mundo, o quanto ele se entrega. Está só começando. É a primeira competição da temporada. Sou muito a favor da manutenção do treinador e de dar tempo – afirma Lucas.

O discurso do atacante ganha coro na diretoria. O técnico segue respaldado pela diretoria de futebol e tem confiança para desenvolver seu trabalho de olho nas principais disputas da temporada — Libertadores, o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil. A avaliação interna é de que a equipe está no caminho certo e de que os desfalques atrapalharam bastante o rendimento e a adaptação às ideias e estilo de jogo de Carpini nesta primeira fase do estadual. Isso não mudaria, mesmo que o pior tivesse acontecido em Itu no último domingo. E não mudou agora com a eliminação diante do Novorizontino.

“Eu me sinto respaldado porque essa semana foi um ambiente em que tivemos muita confiança para o jogo de hoje. Não só da diretoria, mas interna no elenco. Eu acredito que o São Paulo vai fazer uma temporada muito boa e surpreender muita gente” (Thiago Carpini)

Eliminado do Paulistão, resta agora ao São Paulo quase um mês apenas para treinamentos. A equipe só volta a campo para a primeira rodada do Brasileirão, contra o Fortaleza, no MorumBIS. A partida ainda não tem data, nem horário confirmados. Mas será no fim de semana dos dias 13 e 14 de abril.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo DecontoSetorista

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.

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