Libertadores

Calleri revela os sacrifícios que fez para atuar pelo São Paulo contra o Cobresal

Recuperado de lesão, argentino volta após um mês e marca um dos gols da vitória por 2 a 0 no MorumBIS

Jonathan Calleri acreditou até praticamente o último instante para marcar o seu gol na vitória por 2 a 0 do São Paulo sobre o Cobresal, na quarta-feira (10), no MorumBIS, pela Libertadores. De tanto insistir, o centroavante que já havia acertado a trave na primeira etapa, balançou as redes aos 32 do segundo tempo e coroou o que foram dias de sacrifício para estar em campo com a camisa Tricolor.

O argentino não atuava há um mês exato, após ter sofrido o rompimento de um cisto de baker na região do joelho direito. O retorno aos gramados foi longe da condição ideal devido ao tempo de parada e à recuperação que demorou mais tempo do que devia. Mas Calleri fez questão de estar em campo, mesmo que desconfortável, para poder ajudar a equipe em um momento delicado. E trabalhou duro para isso.

Na entrevista coletiva após a partida, Thiago Carpini afirmou que “Calleri só jogou porque é o Calleri”. Uma referência ao esforço que o centroavante fez para conseguir atuar. O camisa 9 revelou que trabalhava em três turnos para se livrar das dores e acelerar a recuperação para voltar a tempo da partida contra o Cobresal.

— A lesão foi pior do que eu esperava. Não foi só isso. Eu achava que ia estar em três, quatro dias, mas a coisa foi se complicando. Eu sempre quero estar disponível. Obviamente, tinha dores. Depois da lesão, eu acho que era para um pouco mais de tempo. Mas eu fazia três turnos quase todos os dias. Eu chegava ao clube cedo, depois fazia fisioterapia em casa. Três turnos para hoje estar disponível para o São Paulo. Obviamente, eu não estou 100% no nível físico, preciso melhorar. Um mês sem treinar. Eu preciso ganhar mais ritmo. Vou melhorando com o tempo — disse Calleri em entrevista após a partida.

A presença do argentino em campo era vital tanto pelos muitos desfalques do São Paulo na partida — especialmente, o de Lucas Moura — quanto pelo momento vivido pelo técnico Thiago Carpini. O treinador chegou pressionado e obrigado a buscar uma vitória contra o Cobresal para seguir no comando da equipe. Não à toa, Calleri afirmou após a partida que jogaria “até machucar” pelo comandante e qualquer outro “que é boa pessoa e quer melhorar”.

“Se eu tiver de jogar no sacrifício por Carpini, eu jogaria sim, o mesmo que fiz com Dorival, com Rogério, com Crespo, com todo treinador que é boa pessoa e quer melhorar eu vou jogar até machucar. Preciso melhorar porque hoje não fui o melhor, mas ganhamos”. (Calleri)

 

Lesão foi mais grave do que o esperado

Calleri sentiu o problema um mês atrás, ainda durante o primeiro tempo da vitória do São Paulo por 3 a 2 sobre o Ituano, no Estádio Novelli Júnior, pelo Campeonato Paulista. O centroavante deixou o campo após ouvir “estalo” um estalo no joelho direito. Mais tarde, um exame confirmou que este “estalo” se tratava de um rompimento de um cisto de baker no local.

Uma lesão que não é grave, mas que ainda causava incômodo ao centroavante nesta semana. Tanto não era grave, que havia esperanças de que ele pudesse atuar contra o Novorizontino, na partida que resultou na eliminação precoce do São Paulo no Campeonato Paulista, mas isso não aconteceu. Pelo contrário. O problema se mostrou mais sério do que parecia Desde então, o centroavante fez sessões diárias de fisioterapia para voltar a ficar à disposição e não participou de treinamentos durante a Data Fifa.

O argentino iniciou os trabalhos em campo apenas no dia primeiro de abril. Mesmo fora das condições ideais, Calleri insistia com o departamento médico e com a comissão técnica para poder atuar na partida em Córdoba, mas ele acabou vetado e não atuou na derrota por 2 a 1 para o Talleres, na estreia na Libertadores.

Agora, a tendência é de que o centroavante fique fora da partida contra o Fortaleza, no próximo sábado (13), às 21h (horário de Brasília), no MorumBIS, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro. Carpini deve preservar o centroavante e deixá-lo no banco de reservas, como opção para o decorrer do jogo.

Calleri vira o maior artilheiro estrangeiro do São Paulo na Libertadores

Além de todo o sacrifício, Calleri ainda fez história com o gol marcado diante do Cobresal. O argentino chegou a 10 gols marcados pelo São Paulo em jogos de Libertadores e igualou o uruguaio Pedro Rocha como o maior artilheiro estrangeiro do clube pela competição. Com o detalhe de que o camisa 9 precisou de bem menos jogos para isso.

Agora, o centroavante segue sua cruzada para tentar ultrapassar “apenas” Rogério Ceni e Luis Fabiano e se tornar o maior artilheiro do São Paulo na história da Libertadores. Para isso acontecer, ele precisa balançar as redes mais cinco vezes numa campanha que pode alcançar no máximo mais 11 partidas caso a equipe chegue à final. Parece muito, mas fale isso para Calleri.

Em 2016, o Tricolor foi até a semifinal, quando caiu para o Atlético Nacional, que seria o campeão da competição. Calleri despejou todos os seus nove gols anteriores marcados pelo clube em Libertadores nesta única temporada, a sua primeira no MorumBIS.

Artilheiros do São Paulo na Libertadores

  • Luis Fabiano — 14 gols em 24 jogos (2004, 2013 e 2015)
  • Rogério Ceni — 14 gols em 90 jogos (2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2013 e 2015)
  • Calleri — 10 gols em 13 jogos (2016 e 2024)
  • Pedro Rocha — 10 gols em 23 jogos (1972 e 1974)
  • Müller — 10 gols em 29 jogos (1987 e 1992-1994)
  • Palhinha — 10 gols em 28 jogos (1992-1994)
Foto de Eduardo Deconto

Eduardo Deconto

Eduardo Deconto nasceu em Porto Alegre (RS) e se formou em Jornalismo na PUCRS. Antes de escrever para a Trivela, passou por ge.globo e RBS TV.
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