Como plano ousado do River Plate para o Monumental seguiu caminho diferente de brasileiros
Estádio dos Millonários segue em reforma e deve alcançar capacidade de 100 mil torcedores antes da Copa do Mundo de 2030
Casa do River Plate, o Monumental de Núñez — hoje Más Monumental por questão de naming rights –, é atualmente o maior estádio da América do Sul, com capacidade superior a 85 mil torcedores. Nos próximos meses, esse número deve crescer, já que o clube avança nas obras de modernização com a meta de ultrapassar a marca de 100 mil lugares.
O processo de reforma e ampliação teve início em 2020, durante a pandemia de COVID-19. Sem a realização de partidas por conta das restrições sanitárias, o clube aproveitou o período para dar início ao projeto, que já vinha sendo planejado pela diretoria desde antes da paralisação das atividades.
Antes da pandemia, a gestão de Rodolfo D’Onofrio no River Plate defendia a construção de um novo estádio próximo ao atual. O argumento central era que a estrutura do Monumental não permitia ampliações, tornando necessária uma nova edificação para aumentar a capacidade de público.
— Na Argentina, o senso de pertencimento é tão forte que seria impossível que os sócios do River aceitassem a transferência, mesmo que por uma curta distância. Muitos preferiam permanecer no mesmo local, com o estádio reformado, ainda que sem ampliação — explicou o jornalista Juan Cortese, da “TyC Sports” à Trivela.
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Pressão popular faz River Plate recalcular rota
Enquanto no Brasil muitos clubes optaram por demolir antigos estádios e erguer novas arenas — como fez o Palmeiras ao substituir o Palestra Itália pelo Allianz Parque, por exemplo —, o River Plate seguiu na direção oposta. O clube decidiu ouvir sua torcida e passou a estudar alternativas para modernizar o Monumental sem alterar sua localização.
Diante da pressão popular, decidiu-se iniciar um projeto de reforma total, começando pelo campo de jogo e, com o tempo, incluindo o aumento da capacidade após diversos testes estruturais que confirmaram que a obra poderia ser realizada no mesmo local.
O resultado gerou um estádio com uma estrutura muito mais avançada do que de outras casas do futebol argentino.
— Cada movimento foi acompanhado de explicações detalhadas, incluindo os benefícios econômicos, que passaram a gerar receitas extraordinárias ao clube, inéditas no futebol argentino — completou Cortese.
Além da pressão popular, também houve a valorização da preservação da história. O Monumental é um dos estádios mais emblemáticos do país, já tendo recebido finais importantes, como a da Copa do Mundo de 1978, que terminou com a Argentina campeã.
— Trata-se do estádio mais mítico do país e um dos mais emblemáticos do mundo. Por isso, priorizou-se preservar seu patrimônio e sua estética. Todas as modernizações realizadas, assim como as que estão projetadas para o futuro, partem dessa premissa: conservar a identidade do estádio — explicou Mariano Taratuty, vice-presidente do River Plate e presidente de Obras e Infraestrutura do clube, à Trivela.
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Junto à inauguração dos novos setores, o River Plate anunciou a mudança do nome de seu estádio para Estadio Más Monumental. A alteração foi viabilizada por um acordo de naming rights com a marca Chango Más, bastante popular na Argentina. Firmado em 2022, o contrato rendeu mais de R$ 102 milhões aos cofres do clube.
Nesse aspecto, o River Plate seguiu uma tendência global. O Barcelona, por exemplo, passou a chamar seu estádio de Spotify Camp Nou após acordo com a plataforma de streaming. No Brasil, o São Paulo rebatizou o Morumbi como “MorumBis”, enquanto o Corinthians adotou o nome Neo Química Arena” para sua casa.
— O caminho escolhido pelo River para o Monumental se explica pela reafirmação do senso de pertencimento, por um modelo de geração de receita mais avançado do que existia até então, pelo conceito de modernidade que o coloca entre os melhores do mundo e pelo orgulho de ter um estádio que se tornou referência estética e estrutural em um país onde parecia difícil alcançar esse nível — contou Cortese.
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Gramado também diferencia o modelo em relação ao Brasil
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Enquanto muitos estádios brasileiros adotaram o gramado sintético, sobretudo em arenas multiuso — como as de Palmeiras, Atlético-MG, Athletico, dentre outros, o River Plate seguiu outro caminho.
— Diferentemente de alguns estádios brasileiros que foram adaptados com um enfoque multifuncional, no River Plate a prioridade sempre foi, e continuará sendo, o futebol. Em segundo plano, considera-se o uso do estádio para eventos como shows — disse Mariano Taratuty.
Mesmo sendo palco de shows e eventos além do futebol, o Monumental adotou um sistema híbrido de gramado. Semelhante ao utilizado pelo Corinthians na Neo Química Arena, o modelo combina cerca de 70% de grama natural com uma base sintética.
Um dos objetivos não foi apenas alcançar uma excelente drenagem e uma planimetria ideal para o futebol, mas também permitir que o gramado suporte eventos de grande porte por meio de um sistema especial de cobertura.
— Tudo isso é articulado com um planejamento dentro do calendário esportivo, que abre determinadas janelas para a realização de shows, contando ainda com o trabalho de uma equipe de engenheiros agrônomos dedicada a esse processo — avaliou Taratuty.
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Com isso, o clube consegue preservar um alto padrão do campo sem abrir mão da essência do gramado natural, indo na contramão da tendência que se consolida no Brasil. Ao mesmo tempo, embora receba eventos, o calendário é planejado de forma estratégica para minimizar impactos tanto no desempenho esportivo quanto nas condições do campo.
Obras continuam e River Plate mira marca de 100 mil torcedores
O River Plate ficou com a primeira colocação no ranking de médias de público em jogos no ano passado, com 85.018 torcedores, segundo dados do “Transfermarkt”.
Com ambição de ampliar ainda mais sua capacidade, o River Plate não pretende parar nos atuais cerca de 85 mil lugares e já projeta ultrapassar a marca de 100 mil torcedores. As próximas etapas das obras devem começar nos próximos meses, com investimento superior a R$ 550 milhões.
O projeto inclui não apenas a ampliação das arquibancadas, mas também a instalação de cobertura em todos os setores, adequando o estádio para a disputa da Copa do Mundo de 2030.
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