‘Ele não é apenas fantástico dentro do campo, mas também fora dele. Ganhamos na loteria’
Dirigente do Bayern de Munique exaltou figura responsável por temporada avassaladora e sua posição como líder
Na briga por todos os títulos da temporada, o Bayern de Munique segue avassalador. E muito do sucesso dentro de campo passa por Vincent Kompany, que resgatou a alcunha de rolo compressor dos Bávaros. Só que o papel do treinador belga vai muito além da filosofia de jogo.
Em entrevista ao canal “Sport1”, o presidente do Bayern, Herbert Hainer, fez questão de elogiar Kompany por seu posicionamento em defesa de Vinicius Jr., que denunciou Gianluca Prestianni por xingamento racista durante o jogo de ida dos playoffs da Champions League entre Benfica x Real Madrid.
O técnico dos Bávaros foi perguntado em coletiva na sexta-feira (20) sobre o caso, e a resposta de 12 minutos englobou apoio ao atacante brasileiro, crítica ao posicionamento de José Mourinho e uma reflexão sobre o preconceito que ultrapassa o futebol.

Hainer exaltou o belga por ter feito uma intervenção “inteligente, bem ponderada e certeira”, cujo discurso “despertou muitas pessoas, mas também deu muita coragem”. O dirigente do Bayern de Munique incentivou a figura de porta-voz de Vincent Kompany em temas que são de interesse público.
— Vincent Kompany não é apenas fantástico dentro do campo, mas também fora dele. (Ele) nos faz muito bem. Ganhamos na loteria — declarou Herbert Hainer.
O que Kompany disse sobre a denúncia de racismo de Vinicius Jr?
Após marcar o golaço da vitória dos Merengues sobre as Águias no Estádio da Luz na última terça-feira (17), Vinicius Jr. comemorou dançando com a bandeirinha de escanteio, logo à frente do setor da torcida organizada. Os portugueses entenderam o ato como uma provocação, o que deu início à confusão.

Pouco antes do reinício da partida, o camisa 7 do Real Madrid bateu boca com o atacante argentino do Benfica, que cobriu a boca com a camisa para dizer algo. Ao ouvir o xingamento de Prestianni, Vinicius Jr. imediatamente foi até o árbitro comunicar que foi chamado de “mono” — “macaco” em espanhol.
O protocolo antirracismo da Fifa foi ativado e a partida foi paralisada por cerca de 10 minutos. O camisa 25 dos Encarnados alega que não cometeu injúria racial e foi mal-compreendido pelo atacante brasileiro. A Uefa está analisando o incidente para dar um veredito.
Entretanto, para o treinador belga, não há motivos para Vinicius Jr. ter mentido sobre algo tão sério. Kompany também lamentou que torcedores portugueses foram filmados fazendo gestos racistas nas arquibancadas e relembrou dos momentos como jogador que ficou sujeito a situações semelhantes de preconceito.
— Quando se vê como Vini Junior reage, a reação dele não pode ser encenação. É uma reação emocional. Não vejo nenhum benefício em ele ir até o árbitro e assumir esse sofrimento. Não há absolutamente nenhum motivo para ele fazer isso. Acredito que ele fez isso porque achou que era a coisa certa a fazer — começou Kompany.
Posicionamento espetacular 👏
— Trivela (@trivela) February 20, 2026
Perguntado sobre a injúria racial que Vini Jr. sofreu de Gianluca Prestianni, na partida entre Benfica e Real Madrid, pela Champions League, o técnico do Bayern Vincent Kompany foi firme em apontar todos os erros que aconteceram no Estádio da Luz… pic.twitter.com/61UH4BTYYY
O técnico dos Bávaros também destacou que Kylian Mbappé, conhecido por sua postura mais “diplomática”, demonstrou claramente que o que viu e ouviu foi uma ofensa discriminatória por parte de Prestianni. O belga também desaprovou a postura do treinador do Benfica, que sugeriu que tudo aconteceu devido à celebração do camisa 7 dos Merengues.
— José Mourinho ataca o caráter ao mencionar o tipo de comemoração para descredibilizar o comportamento de Vinicius Junior naquele momento. Para mim, é um grande erro de liderança. É algo que não podemos aceitar — disse Vincent Kompany.
Por fim, o técnico belga ainda reprovou as falas de Mourinho, que indicou que as Águias não são racistas porque o maior ídolo é Eusébio, um jogador negro. Kompany ressalta que o ícone português também pode ter sido vítima de racismo em sua época, quando era mais difícil se posicionar abertamente.
— Você sabe pelo que jogadores negros tiveram que passar nos anos 1960? Ele estava lá para viajar com Eusébio em todos os jogos fora de casa? (…) Não estou julgando Mourinho como pessoa, mas ele cometeu um erro — concluiu o treinador do Bayern.



