Champions League

Por que o protocolo antirracismo da Fifa tem problemas sérios a resolver

Vinícius Júnior também criticou regra em mensagem publicada nas redes sociais

Uma parte do protocolo antirracismo da Fifa foi visto nesta terça-feira (17) após Vinicius Júnior alegar ter sido chamado de “macaco” por Gianluca Prestianni, do Benfica, durante a vitória do Real Madrid, 1 a 0. A forma que o caso teve pouca consequência na prática, visto que o jogo pela Champions League seguiu normalmente após dez minutos de paralisação, chamou atenção.

A entidade máxima do futebol instituiu, em 2024, que o primeiro passo após uma denúncia de preconceito racial em campo, vinda de um jogador ou qualquer participante da partida, é o árbitro parar a partida, sinalizando um “X” com os braços a iniciação do protocolo e exigindo em telões e caixas de som no estádio que o comportamento pare.

Também é preciso registrar tudo isso na súmula. Foi o que seguiu o árbitro francês François Letexie ao ser informado por Vini Jr, mas não foi flagrada a mensagem sendo exibida no Estádio da Luz.

O segundo passo do protocolo, se as ofensas continuassem, seria suspender a partida por um período, por exemplo, de 30 minutos ou um hora, com um novo aviso no estádio. Em caso de mais uma reincidência, o terceiro e final passo seria o encerramento da partida.

Valverde e Otamendi conversam com árbitro François Letexie após denúncia de racismo em Benfica x Real Madrid
Valverde e Otamendi conversam com árbitro François Letexie após denúncia de racismo em Benfica x Real Madrid (Foto: Imago)

Uma das teclas batidas por Vinicius Júnior em comunicado nas redes sociais foi a pouca punição nesses casos e um protocolo que não funciona corretamente.

[Os racistas] têm ao lado a proteção de outros que, teoricamente, têm a obrigação do punir. […] Eu recebi o cartão amarelo por comemorar um gol. Ainda sem entender o porquê disso. Do outro lado, apenas um protocolo mal executado e que de nada serviu — apontou em parte da declaração.

A contradição no protocolo antirracismo

Em entrevista à Trivela em novembro do ano passado, Marcelo Carvalho, diretor do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, já questionava o protocolo. “Eu vou ter que ser ofendido três vezes e ficar em silêncio?“, questionou à época, na esteira de casos no futebol brasileiro.

— O recomendado é que, na primeira ofensa, o jogador vá até o árbitro, informe o que está acontecendo. A partir dali, é muito difícil pensar que eu vou ter que ser ofendido mais vezes para o jogo ser interrompido. É cruel com o ser humano. A Fifa faz um procedimento que é cruel com a vítima. Será que eu suporto ser agredido três vezes? — apontou.

O protocolo está no artigo 15 do Código Disciplinar da Fifa, que trata de “Discriminação e Racismo”. As regras também parecem ser pensadas muito mais para uma tentativa de cessar ataques vindo das arquibancadas, principalmente por focar em reincidência e anúncios no estádio. Se um jogador foi racista durante uma partida e causar tantas discussões, por que ele repetiria esse crime?

O Real Madrid também passou pela mesma situação no Mundial de Clubes, disputado no meio do ano passado. Na ocasião, Antonio Rüdiger acusou Gustavo Cabral, do Pachuca, de injúria racial na vitória dos espanhóis por 3 a 1. O caso não teve punições, pois a Fifa alegou não ter encontrado provas.

A ver o que a Uefa fará com a situação entre Vinicius Júnior e Prestianni. A partida de volta, que será muito quente pelo o que ocorreu na ida, está marcada para a próxima quarta (25).

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Vini Jr ganha apoio da comunidade do futebol

Companheiros de Real Madrid como Mbappé, Alexander-Arnold, Cavaminga e Valverde apoiaram Vinicius Júnior e criticaram a fala de Prestianni. Ex-jogadores também se colocaram ao lado do brasileiro, como Rio Ferdinand e Thierry Henry.

Lenda do Benfica, o ex-zagueiro Luisão ficou ao lado do brasileiro. “Foi ato racista sim e eu estou envergonhado com isso”, escreveu em suas redes sociais.

A CBF se solidarizou com o jogador da seleção brasileira em comunicado nas redes sociais.

— Racismo é crime. É inaceitável. Não pode existir no futebol nem em lugar algum. Vini, você não está sozinho. Sua atitude ao acionar o protocolo é exemplo de coragem e dignidade. Temos orgulho de você. Seguiremos firmes na luta contra toda forma de discriminação. Estamos ao seu lado. Sempre.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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