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Um guia para você acompanhar a reta final das divisões de acesso pela Europa – versão 2021/22

Falamos das principais divisões de acesso das cinco grandes ligas, além de um resumão do mais interessante ao redor do continente

Nas divisões de acesso, comemorar um título nem sempre é o mais lembrado. A confirmação da promoção geralmente é o mais saboroso, seja pelo fim de um longo sofrimento ou pela esperança de dias melhores. E, nas próximas semanas, várias equipes ganharão ótimas perspectivas ao redor da Europa. Os campeonatos concluem suas disputas e muitos dos potenciais promovidos estão próximos da festa. Entre eles, diversos clubes tradicionais, alijados da primeira prateleira, e outros que precisaram se reconstruir após graves problemas.

Abaixo, fizemos um guia para acompanhar as principais divisões de acesso nas grandes ligas e também um resumão das competições em países secundários. Esta é a última parte de uma “trilogia alternativa”, em que falamos de times que se candidatam a feitos nas copas nacionais e também equipes “lado b” prontas a concluírem histórias legais nas ligas.

Segunda divisão inglesa

Duas vagas diretas e outra nos playoffs de acesso

O Toulouse não conquistou o acesso na temporada passada, após o rebaixamento em 2019/20, mesmo com a chegada de novos donos. Desta vez, os violetas não devem passar aperto e ponteiam com tranquilidade a Ligue 2. A liderança se dá praticamente de ponta a ponta, com apenas três derrotas, e o ataque marcou 69 gols em 30 partidas, uma ótima média. Pesa a experiência do técnico Philippe Montanier, de currículo extenso por clubes como Rennes, Lens e Real Sociedad. Rafael Ratão e Rhys Healey são nomes importantes na linha de frente, mas o destaque é o meia Branco van den Boomen, com 12 gols e 18 assistências – e, sim, o nome do holandês homenageia o lateral brasileiro carrasco da Oranje em 1994. O elenco chama atenção pelo alto número de estrangeiros, mais de 60% do grupo. A segunda colocação é do Paris FC, que recebe investimento do Bahrein e se consolida na zona de acesso direto nas rodadas mais recentes. O clube da capital é dirigido por Thierry Laurey, que passou cinco anos no Strasbourg e faturou a Copa da Liga. Já um nome conhecido é o atacante Morgan Guilavogui, artilheiro da equipe.

Na Ligue 2, apenas três times vão aos playoffs de acesso. O terceiro colocado é o Ajaccio, que não disputa a elite desde 2014. O técnico Olivier Pantaloni, inclusive, segue no cargo em toda essa jornada na segundona, ao ser contratado pouco depois do rebaixamento, há quase oito anos. Impressiona o rendimento defensivo, com apenas 15 gols sofridos, mas também somente 26 anotados em 30 rodadas. O Auxerre é outro tradicional, em quarto, já completando dez anos fora da primeira divisão. O técnico Jean-Marc Furlan está há três anos no cargo e nessa temporada conta com os gols do veterano Gaëtan Charbonnier. Já o Sochaux, em declínio desde o fim da parceria com a Peugeot, está na segundona desde 2014. Antigo ídolo do clube e também da seleção senegalesa, Omar Daf entrou na comissão técnica em 2013 e assumiu o time principal em 2018. Florentin Pogba é um dos esteios na zaga.

Toulouse: 32 temporadas na elite, a última em 2019/20
Paris FC: três temporadas na elite, a última em 1978/79
Ajaccio: 13 temporadas na elite, a última em 2013/14
Auxerre: 33 temporadas na elite, a última em 2011/12
Sochaux: 66 temporadas na elite, a última em 2013/14

Outras divisões de acesso pela Europa

A National League, a quinta divisão inglesa, deve contar com a conquista de um clube de peso. O Stockport County jogou a Football League por 106 anos, até o rebaixamento em 2010/11. Os Hatters passaram até pela sexta divisão, mas superaram os problemas administrativos e devem retornar à League Two. E se apenas o líder sobe direto, os playoffs ainda podem ter o Wrexham (tradicional clube galês, gerido pelos atores Ryan Reynolds e Rob McElhenney), o Chesterfield (outro acostumado à Football League, responsável por revelar Gordon Banks) e o Notts County (o clube de futebol mais antigo do mundo, rebaixado da Football League pela primeira vez em 2018/19).

A quarta divisão da Itália costuma reunir clubes de história que buscam se reerguer. Entre os mais fortes ao acesso estão o Novara e o Rimini. O Messina foi excluído. Já na Espanha, um dos líderes na nova quarta divisão é o Córdoba, que estava na elite em 2014/15. Entre as filiais, as mais cotadas são Espanyol B e Osasuna B, líderes de suas chaves regionais. Numancia e Compostela estão na zona dos playoffs. O Recreativo de Huelva é aquele em melhores condições de subir na quinta divisão, entre os tradicionais, enquanto Valencia Mestalla e Atlético de Madrid B ponteiam suas chaves.

A quarta divisão da Alemanha, regionalizada, tem alguns potenciais acessos de peso. Clubes tradicionais nos níveis menores podem subir, entre eles o Preussen Münster, o Rot-Weiss Essen, o Fortuna Colônia, o Ulm e o Kickers Offenbach. Ainda assim, a história mais relevante é a do Dynamo Berlim, que lidera sua divisão regional com oito pontos de vantagem e deve ir para os playoffs. A antiga potência da Alemanha Oriental não joga nem a terceirona desde 1999/00. Stuttgarter Kickers, Blau-Weiss Berlim, Rot-Weiss Erfurt e Wormatia Worms são times de renome que vêm bem para a promoção na quinta divisão. Na França, a terceira divisão é liderada pelo Laval, que já figurou na primeira divisão entre os anos 1970 e 1980; na quarta divisão, podem subir o Versailles e o Bergerac, de boas campanhas na última Copa da França.

Em Portugal, o Rio Ave não surpreende na liderança da segundona após o rebaixamento no último ano, mas o Casa Pia é o segundo colocado e pode voltar pela primeira vez desde 1938/39. Já a terceirona tem na briga União de Leiria e Vitória de Setúbal. E a fase final da quarta divisão vê o Belenenses e o Olhanense em busca da redenção. Rebaixado na última temporada, o Emmen lidera a segundona da Eredivisie. Quem também está na briga é o Volendam, clube tradicional que não joga a primeira divisão desde 2008/09. É acompanhado de perto pelo Excelsior, fora da primeira prateleira desde 2018/19. A corrida pelos playoffs envolve vários times frequentes na elite, como o Roda JC, o ADO Den Haag, o De Graafschap e o NAC Breda. A história diferente é do FC Eindhoven, campeão nacional em 1954 e rival do PSV, que não joga a Eredivisie desde 1977.

Força nacional no início do Século XX e campeão da liga em 1918, o Floridsdorfer se destaca na segunda divisão do Campeonato Austríaco e pode voltar à elite pela primeira vez desde os anos 1950. A segundona da Bélgica é liderada pelo Westerlo, figurinha carimbada na elite desde a virada do século, enquanto a segunda posição é do RWD Molenbeek, que buscar herdar as tradições do clube homônimo, campeão nacional em 1975 e falido em 2002. Tradicional rival da Union St. Gilloise, líder da primeira divisão, o RWDM47 foi adquirido recentemente por John Textor, dono do Botafogo. Três vezes campeão nacional, o Aarau lidera a segundona da Suíça e tenta o retorno após sete anos. Mais longa é a ausência do Winterthur, também três vezes campeão, fora do primeiro nível desde os anos 1980. Ainda está no páreo o Vaduz, representante de Liechtenstein, que caiu no último ano. Completa a lista de postulantes o Schaffhausen, que jogou a primeira divisão até 2007.

Tradicional na elite da Escócia, o Kilmarnock lidera e deve voltar depois de um ano. Mais inusitada é a possível volta do Arbroath, responsável pela maior goleada do futebol de elite, num 36 a 0 em 1885, e fora da primeira desde 1975. Já o Queen’s Park, primeira potência do país, está na zona dos playoffs da terceirona. Antigos campeões nacionais, Lyngby e Hvidovre são candidatos às duas vagas do acesso na segundona dinamarquesa. O Hvidovre, responsável por revelar Peter Schmeichel, foi rebaixado da primeira divisão em 1997.

A segundona do Campeonato Russo tem o Torpedo Moscou e o Alania Vladikavkaz na luta pelos playoffs, dois clubes que já foram campeões nacionais, enquanto o SKA Rostov-on-Don é uma força do passado buscando a promoção na terceirona. A Ucrânia, sem definição sobre sua retomada, via sua segundona ser liderada pelo Metalist Kharkiv – refundado em 2019 e que subiu na terceirona passada. Na Bulgária, a segundona tem a liderança do Etar Veliko Tarnovo, herdeiro do clube campeão nacional em 1991. Já a República Tcheca deve resgatar na segundona o Zbrojovka Brno, equipe campeã tchecoslovaca em 1977/78 e costumeira na primeira prateleira. Um nome forte na segunda divisão da Hungria, na liderança, é o Vasas – seis vezes campeão nacional e rebaixado em 2018. O segundo colocado é o Diósgyöri, que possui presenças marcantes na elite.

A Macedônia do Norte pode ter a volta do Sileks, três vezes campeão nos anos 1990, mas chama atenção mesmo a situação do Vardar, potência nacional que é apenas o terceiro em seu grupo regional e se distancia da promoção. A zona de classificação na segundona da Polônia inclui o Widzew Lodz, quatro vezes campeão nacional. Desde o rebaixamento em 2013/14, o clube precisou se reconstruir na quinta divisão e conquistou três acessos a partir de então. Já a terceirona tem o Ruch Chorzów, de 14 taças na liga, que vive o ioiô entre as divisões de acesso.

O hexagonal decisivo da segundona da Romênia tem o Petrolul Ploiesti, quatro vezes campeão nacional e que se refundou na quarta divisão a partir de 2016/17. Já a Universitatea Cluj, campeã uma vez em 1923, passou pelo mesmo processo a partir de 2016/17. Mas o interesse maior fica com o Steaua Bucareste, o clube refundado pelo exército que tomou os direitos do antigo Steaua (atual FCSB) e vem de dois acessos consecutivos. A fase final da terceirona inclui o Otelul Galati, campeão em 2011 e em reconstrução longa após sua refundação. Por fim, na Turquia, o líder da segunda divisão é o Ankaragücü, clube importante da capital e rebaixado no último ano. Também está na briga pelos playoffs o Istanbulspor, equipe menor de Istambul, mas que possui 23 temporadas na elite – a última em 2004/05.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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