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Um guia para você acompanhar a reta final das divisões de acesso pela Europa – versão 2021/22

Falamos das principais divisões de acesso das cinco grandes ligas, além de um resumão do mais interessante ao redor do continente

Nas divisões de acesso, comemorar um título nem sempre é o mais lembrado. A confirmação da promoção geralmente é o mais saboroso, seja pelo fim de um longo sofrimento ou pela esperança de dias melhores. E, nas próximas semanas, várias equipes ganharão ótimas perspectivas ao redor da Europa. Os campeonatos concluem suas disputas e muitos dos potenciais promovidos estão próximos da festa. Entre eles, diversos clubes tradicionais, alijados da primeira prateleira, e outros que precisaram se reconstruir após graves problemas.

Abaixo, fizemos um guia para acompanhar as principais divisões de acesso nas grandes ligas e também um resumão das competições em países secundários. Esta é a última parte de uma “trilogia alternativa”, em que falamos de times que se candidatam a feitos nas copas nacionais e também equipes “lado b” prontas a concluírem histórias legais nas ligas.

Segunda divisão inglesa

Duas vagas diretas e outra nos playoffs de acesso

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O Fulham se tornou um grande ioiô do Campeonato Inglês. Os Cottagers tiveram dois acessos e dois descensos nas últimas quatro temporadas, sempre variando entre Premier League e Championship. Ao que tudo indica, a equipe voltará à elite para 2022/23. Os londrinos estão na zona de acesso direto desde o meio do primeiro turno e atualmente somam uma confortável vantagem de 14 pontos no G-2. Restando só mais nove partidas, a festa acontecerá em breve. Marco Silva assumiu o time nesta temporada e o que mais impressiona é o desempenho ofensivo, com 90 gols em 37 partidas. Aleksander Mitrovic faz uma campanha absurda e, com 35 gols, debulha recordes. Harry Wilson e Neeskens Kebano são outros nomes importantes da linha de frente. Já a revelação é o talentoso Fábio Carvalho. Resta saber se o destino será diferente na primeira divisão.

O favorito para a segunda vaga é o Bournemouth, que passou cinco temporadas honrosas na Premier League e atualmente está em seu segundo ano na Championship. As Cherries acumulam seis pontos de vantagem na zona de acesso direto e também passaram o campeonato praticamente inteiro no G-2. Os rubro-negros têm a melhor defesa da competição, com 31 gols sofridos. No banco de reservas, Scott Parker pode registrar seu primeiro sucesso na carreira de treinador. Já a principal figura da equipe é o centroavante Dominic Solanke, autor de 23 tentos na campanha. Alguns bons nomes dos tempos de Premier League permanecem, como Jefferson Lerma e Philip Billing. Já entre os reforços mais recentes está o veterano Gary Cahill.

A briga mais aberta é mesmo pela classificação aos playoffs de acesso. Do terceiro ao décimo, a diferença é de apenas seis pontos – com alguns times com jogos por fazer. O Huddersfield vem em terceiro, motivado por uma longa série invicta quebrada só recentemente. O Luton Town é uma grata surpresa na quarta colocação, para quem estava na quarta divisão em 2017/18. Em quinto, o Sheffield United tenta o regresso imediato e vem embalado pelos gols do ídolo Billy Sharp. Já a sexta posição é do Blackburn, que conta com a ótima fase de Ben Brereton Díaz no ataque. Middlesbrough, QPR, Nottingham Forest e Millwall completam o grupo dos dez primeiros, com destaque aos feitos de Boro e Forest na FA Cup, que podem motivar.

Fulham: 27 temporadas na elite, a última em 2020/21
Bournemouth: cinco temporadas na elite, a última em 2019/20

Luton Town: 16 temporadas na elite, a última em 1991/92
Huddersfield: 33 temporadas na elite, a última em 2018/19
Sheffield United: 62 temporadas na elite, a última em 2020/21
Blackburn: 73 temporadas na elite, a última em 2011/12

Middlesbrough: 62 temporadas na elite, a última em 2016/17
QPR: 23 temporadas na elite, a última em 2014/15
Nottingham Forest: 56 temporadas na elite, a última em 1998/99
Millwall: duas temporadas na elite, a última em 1989/90

Terceira divisão inglesa

Duas vagas diretas e outra nos playoffs de acesso

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Diferentemente do que acontece na Championship, a League One vê uma disputa bastante acirrada para apontar os seus acessos. A dianteira é do Rotherham United, outro célebre ioiô das divisões inglesas. Os Millers chegaram a conquistar dois acessos consecutivos até a Championship em 2014, mas, nos cinco últimos anos, ou caíram ou subiram entre segunda e terceira. É o que tende a acontecer de novo, com a vantagem de quatro pontos, restando mais sete partidas à equipe. Depois de um início de campanha ainda instável, o nível de desempenho cresceu na virada dos turnos e rendeu a liderança já em 2022. O técnico Paul Warne supera as mudanças de divisão e está por lá desde 2017. Já o destaque individual fica ao atacante Michael Smith.

A segunda colocação é do Wigan, outro clube que variou bastante entre League One e Championship desde a última década. Foram três descensos e dois acessos entre uma e outra desde 2014/15. A promoção neste momento, ainda assim, significaria bastante depois que os Latics entraram em recuperação judicial durante a pandemia e foram ameaçados pela queda em 2020/21. O clube encontrou novos proprietários em março de 2021, com a chegada do bareinita Talal Mubarak al-Hammad. Com dois jogos a menos e 79 pontos, o time aparece em boas condições para subir. Um número alto de reforços chegou para a atual temporada, embora o destaque seja o camisa 10 Will Keane, no clube desde 2020. Já o técnico Leam Richardson começou como assistente em 2017 e foi importante em meio à crise da temporada anterior.

O time mais forte pelo acesso direto é o MK Dons, em sua terceira temporada na terceirona. O técnico Liam Manning, de 36 anos, está em seu primeiro ano de trabalho no clube. Mais abaixo, também na zona dos playoffs, Plymouth e Oxford United são os que chamam menos atenção pela tradição. Já o Sheffield Wednesday tenta o acesso imediato após cair na Championship e tem alguns nomes conhecidos, incluindo o atacante Saido Berahino. O técnico é Darren Moore, um dos raros negros a trabalhar no comando da Football League. Já o Sunderland amplia seu drama, no quarto ano na League One, e é o primeiro fora da zona dos playoffs. Ross Stewart vive grande fase no ataque, mas os Black Cats vieram de sequência ruim e até mudaram seu treinador. Outras camisas pesadas como Ipswich, Portsmouth, Bolton e Charlton já aparecem fora da briga. O Wimbledon, pior ainda, corre o risco de cair.

Rotherham United: Chegou ao máximo na Championship, que não disputa desde 2020/21
Wigan: Oito temporadas na primeira divisão, a última em 2012/13
MK Dons: Chegou ao máximo na Championship, que não disputa desde 2015/16

Quarta divisão inglesa

Três vagas diretas e outra nos playoffs de acesso

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O Forest Green Rovers possui um projeto famoso por seu discurso sustentável e por defender o meio ambiente. Em campo, a equipe também dá resultado e, depois de rondar o acesso desde que estreou na League Two há quatro temporadas, o título parece próximo. Os Diabos Verdes lideram com quatro pontos de vantagem e ainda uma partida a menos, ocupando as primeiras posições desde as rodadas iniciais. A situação é favorável para subir mais um degrau inédito. Detalhe para a dupla de ataque formada por Mathew Stevens e Jamille Matt, que já anotou 40 gols na campanha. Já o técnico Rob Edwards dirigia as seleções de base.

A segunda colocação é do Exeter City, primeiro adversário da seleção brasileira na história. Os Grecians estão na League Two há dez anos e perderam três vezes a final dos playoffs no período. O time vem de uma sequência importante de vitórias em 2022, o que aumenta a confiança. Já a zona de acesso direto é completada pelo Northampton, rebaixado na temporada passada e que tem variado bastante entre a terceira e a quarta divisão. É um raro clube da League Two que esteve na primeira divisão, com uma longínqua passagem em 1965/66. Porém, sofreria três descensos em quatro anos naquele momento.

Abaixo disso a briga de foice pelos playoffs é enorme, com quatro pontos separando o quarto colocado do 11°. A zona de classificação aos mata-matas inclui Port Vale, Newport County, Bristol Rovers e Tranmere Rovers. Mas não podem ser descartados Mansfield Town, Swindon Town e Sutton United. Salford e Sutton se sobressaem pelos acessos consecutivos desde as divisões menores, o primeiro administrado pela “Classe de 1992” do Manchester United e o segundo de impacto recente na FA Cup. Vale mencionar ainda as chances de acesso de técnicos famosos pelos tempos de jogador: Joey Barton comanda o Bristol Rovers e Nigel Clough está à frente do Mansfield Town.

Forest Green Rovers: Chegou ao máximo na League Two, que disputa desde 2017/18
Exeter City: Chegou ao máximo na League One, que não disputa desde 2011/12
Northampton Town: Uma temporada na elite, a última em 1965/66

Segunda divisão alemã

Duas vagas diretas e outra nos playoffs de acesso

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A segunda divisão da Bundesliga vive uma temporada histórica pela quantidade de camisas pesadas na briga pelo acesso. E o Hamburgo, em sua quarta temporada na segundona, talvez não saia de lá de novo. A equipe dirigida por Tim Walter até possui um jogo a menos, mas é a sexta colocada e está a seis pontos da zona de acesso direto. Nem mesmo a presença de bons nomes como Robert Glatzel, Sonny Kittel e Bakery Jatta ajuda, com uma queda de desempenho custosa em fevereiro. Curiosamente, é o time que menos perdeu, mas os excessivos 12 empates atrapalham. Clima bem diferente é vivido pelo rival St. Pauli, que lidera durante boa parte da campanha. Cria do clube, o técnico Timo Schultz faz um trabalho excelente. A equipe apresenta um futebol ofensivo, com o veterano Guido Burgstaller guardando seus gols e o meia Daniel-Kofi Kyereh também em grande momento. Lá se vão 11 anos desde a última aparição dos Piratas na primeira divisão, a maior ausência entre aqueles que disputam a promoção.

Quem compartilha a zona de acesso direto é o Werder Bremen, que chegou a passar por maus bocados no primeiro turno e até trocou de técnico. A escalada a partir de dezembro ocorreu com Ole Werner, treinador de 33 anos que já vinha com moral do Holstein Kiel. Os Verdes conquistaram 10 vitórias nos últimos 12 jogos. O elenco passou por uma reformulação razoável, mas manteve nomes com nível de primeira divisão. Faz a diferença a dupla formada por Marvin Ducksch e Niclas Füllkrug na frente. Já o Schalke 04 precisa de mais consistência. Os Azuis Reais oscilam bastante na campanha e chegaram a mudar de treinador no início de março. Mike Büskens assumiu interinamente, mas a margem de manobra é pequena. Simon Terodde vive mais um ano destrutivo na segundona, com 21 gols, bem assessorado por Marius Bülter na linha de frente. Raríssimos são os remanescentes do desastroso rebaixamento, como o zagueiro Malick Thiaw.

A surpresa é o Darmstadt, que não vinha tão cotado ao acesso, mesmo com passagem recente pela elite. Os alviazuis acumulavam campanhas na metade da tabela e começaram mal essa temporada, até se estabelecerem na briga pelo acesso no fim do primeiro turno. Por fim, o Nuremberg vem de uma melhora recente e merece atenção, com bons jogadores como Christian Mathenia e Mats Möller Daehli. Os grenás são dirigidos por Robert Klauss, antigo assistente de Julian Nagelsmann no RB Leipzig.

St. Pauli: oito temporadas na elite, a última em 2010/11
Werder Bremen: 57 temporadas na elite, a última em 2020/21
Schalke 04: 53 temporadas na elite, a última em 2020/21
Darmstadt: quatro temporadas na elite, a última em 2016/17
Nuremberg: 33 temporadas na elite, a última em 2018/19
Hamburgo: 55 temporadas na elite, a última em 2017/18

Terceira divisão alemã

Duas vagas diretas e outra nos playoffs de acesso

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O acesso na terceirona da Bundesliga está bem encaminhado, sobretudo ao líder Magdeburgo. A tradicional equipe da antiga Alemanha Oriental, campeã da Recopa Europeia em 1973/74, variou entre a terceira e a quarta divisão desde a reunificação do país. A promoção inédita para a segundona virá em breve, com uma vantagem de 11 pontos na zona do acesso direto e ainda uma partida a menos que os principais concorrentes. O técnico Christian Titz chegou a dirigir o Hamburgo na época do descenso, sem conseguir a salvação. A sua redenção é palpável. O ataque possui média de mais de dois gols por jogo, muito graças ao meia Baris Atik, que soma 17 gols e 14 assistências na campanha – líder da competição em ambas as estatísticas. Nos tempos de Oberliga, os alviazuis só não figuraram em uma temporada na elite.

Mais abaixo, a briga principal se concentra em outros clubes muito tradicionais. O Kaiserslautern é o segundo colocado e parece capaz de trazer um alívio à sua torcida, depois de severos problemas financeiros que o deixaram num limbo, em sua quarta campanha na terceirona e até o risco de rebaixamento recente. Os Diabos Vermelhos começaram o campeonato com só uma vitória nas oito primeiras rodadas, mas bancaram o técnico Marco Antwerpen e deslancharam depois com uma defesa muito segura, que sofreu apenas 17 gols em 30 partidas. Já o Eintracht Braunschweig vem do descenso na segundona e consegue se estabelecer de maneira segura na zona de acesso, com uma campanha até mais forte como visitante. A questão é que, com um jogo a mais, há times no encalço que podem encostar.

Várias equipes permanecem com chances razoáveis até a sétima colocação. O Saarbrücken não joga a segundona desde 2006 e é outra equipe com tradição. O Osnabrück caiu na última temporada. Já o Munique 1860 terá mais uma chance em seu quinto ano na terceirona, depois de passar até pela quarta divisão após problemas administrativos. Também compõe o bolo o Waldhof Mannheim, fora do segundo nível desde 2003. Na rabeira, a notícia triste fica por conta do Türkgücü Munique, que declarou insolvência e abandonou a competição em março, com todos os seus resultados anulados.

Magdeburgo: 43 temporadas na elite alemã-oriental, a última em 1990/91
Kaiserslautern: 44 temporadas na elite, a última em 2011/12
Eintracht Braunschweig: 21 temporadas na elite, a última em 2013/14

Saarbrücken: cinco temporadas na elite, a última em 1992/93
Osnabrück: nunca passou da segundona, a última em 2020/21
Munique 1860: 20 temporadas na elite, a última em 2003/04
Waldhof Mannheim: sete temporadas na elite, a última em 1989/90

Segunda divisão italiana

Duas vagas diretas e outra nos playoffs de acesso

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A Serie B se destaca pelo equilíbrio nessa temporada. E alguns candidatos ao acesso há tempos não disputam a elite. A começar pela líder, a Cremonese, fora da primeira prateleira desde 1995/96. Os grigiorossi tiveram alguns momentos de relevo na elite entre as décadas de 1980 e 1990, mas passaram boa parte deste século na terceirona. Desde 2017/18 na segunda divisão, o time ocupava posições intermediárias até o salto atual, com a campanha consolidada na virada do ano. Antigo assistente de Rafa Benítez, Fabio Pecchia assumiu em janeiro de 2021, já tendo um acesso com o Verona no currículo. Consegue desenvolver vários jovens, com um trabalho recente também na Juventus Sub-23. A segunda posição fica com o Pisa, outro a figurar na Serie A durante os anos de ouro do Calcio, mas longe da elite desde 1990/91. Os nerazzurri chegaram a falir em 2009 e disputam a Serie B desde 2019. Foram líderes durante grande parte do primeiro turno, mas caíram um pouco no segundo. O técnico Luca D’Angelo está na casamata desde 2018, ainda nos tempos de terceirona.

Mesmo abaixo disso, todos estão vivos pelo acesso direto. A diferença entre o primeiro e o quinto é de apenas cinco pontos. Com o investimento de Silvio Berlusconi e a tutela de Adriano Galliani, o Monza tenta mais uma vez o acesso inédito, que tantas vezes escapou em sua história. Os biancorrossi se recuperaram depois de um primeiro turno em que nem apareciam na zona de acesso. O técnico Giovanni Stroppa trabalhou recentemente na Serie A com o Crotone. Já a lista de medalhões inclui Gabriel Paletta, Luca Caldirola e Gastón Ramírez. A quarta posição é do Lecce, na primeira divisão há duas temporadas. Quem vem rendendo muito é o artilheiro Massimo Coda, autor de 18 gols. O rodado Marco Baroni é o técnico. Também está no páreo o Brescia, outro rebaixado em 2020. O vice-artilheiro do time é o interminável Rodrigo Palacio, rendendo bem aos 40 anos, com a companhia de Valon Behrami. Mas há uma grande bagunça interna, que resultou nas idas e vindas do técnico Filippo Inzaghi até sua demissão.

Vale lembrar que, na Serie B, seis times passam aos mata-matas de acesso. O terceiro e o quarto na tabela entram nas semifinais, enquanto do quinto ao oitavo integram uma repescagem. Assim, a lista de clubes vivos é longa e ainda abarca Benevento, Frosinone, Ascoli e Perugia. Nesta temporada, a decepção fica por conta do Parma, que investiu muito e está a dez pontos da zona dos playoffs, mas já sem risco de rebaixamento. Quem deve cair é o Crotone, atual vice-lanterna. Vicenza e Alessandria são tradicionais na zona vermelha.

Cremonese: sete temporadas na elite, a última em 1995/96
Pisa: sete temporadas na elite, a última em 1990/91
Monza: nunca passou da segundona, onde figura atualmente
Lecce: 16 temporadas na elite, a última em 2019/20
Brescia: 23 temporadas na elite, a última em 2019/20

Terceira divisão italiana

Três vagas diretas e outra nos playoffs de acesso

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A terceira divisão italiana costuma conceder vida longa a muitos times, já que os playoffs de acesso envolvem 28 sobreviventes. Porém, somente o campeão de cada uma das três divisões regionais sobem direto. Estes, ao que parece, estão encaminhados. Quem está quase lá é o Bari, líder do Grupo C com uma vantagem de dez pontos, faltando apenas quatro rodadas. Os Galletti declararam falência recentemente e passaram pela Serie D em 2018/19. Aurelio de Laurentiis está por trás da reconstrução atual. É um elenco com vários jogadores com passagens por divisões superiores, incluindo o artilheiro Mirco Antenucci. Pela tradição dos biancorrossi, a segundona é o mínimo a se exigir.

Outra situação segura é do Modena, com cinco pontos de vantagem na dianteira do Grupo B. Os Canarini também precisaram ser refundados e passaram pela Serie D em 2018/19. A equipe permaneceu grande parte de sua história na segundona, com 50 temporadas, a última delas em 2015/16. O técnico Attilio Tesser possui dois acessos na Serie B desde 2017, com Cremonese e Pordenone. O único time com chances reais de provocar uma reviravolta é a Reggiana, igualmente vinda da Serie D em 2018/19, mas que chegou a passar pela Serie B brevemente na última temporada. Luca Cigarini é a referência no meio.

Por fim, o Grupo A é ponteado pelo Südtirol, com quatro pontos de vantagem. O clube da região fronteiriça com a Áustria é um participante costumeiro da Serie C, com 12 participações desde o acesso inédito em 2010/11, mas nunca disputou a Serie B. O técnico Ivan Javorcic chegou nesta temporada, após um longo trabalho na Pro Patria. O artilheiro Daniele Casiraghi (sem parentesco com Pierluigi Casiraghi) atuou nas seleções de base. O único com chances de ultrapassagem é o Padova, rebaixado da Serie B em 2018/19. Seu treinador é Massimo Oddo, num elenco que inclui nomes como o goleiro Antonio Donnarumma e o artilheiro Fabio Ceravolo. De resto, vale citar a luta pelos playoffs de times como Pro Vercelli, Cesena, Pescara, Avellino, Palermo, Foggia e Catanzaro. Outros como Catania e Siena sequer na zona de classificação estão.

Südtirol: nunca passou da terceirona, onde figura atualmente
Modena: 13 temporadas na elite, a última em 2003/04
Bari: 30 temporadas na elite, a última em 2010/11

Segunda divisão espanhola

Duas vagas diretas e outra nos playoffs de acesso

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Três equipes principais tentam os dois acessos diretos na Espanha. A liderança é do Eibar, clube pequeno e bem administrado, que passou sete temporadas consecutivas na elite a partir de sua estreia em 2014/15. O rebaixamento na temporada passada foi compreensível, mas os bascos já se reerguem de imediato para tentar o retorno. Gaizka Garitano retornou ao comando nessa temporada. O técnico levou os azulgranas da terceira à primeira divisão e, depois de sair, teve seu trabalho mais relevante no Athletic Bilbao. Muitos reforços chegaram, incluindo Fernando Llorente, mas a artilharia é de Stoichkov – que, apesar do apelido, não é filho do craque búlgaro. Fran Sol foi outra boa adição recente.

Logo abaixo, a briga pela segunda posição é mais acirrada. Atualmente quem ocupa é o Almería, que teve momentos de destaque na elite ao longo deste século, mas já vai para a sétima campanha na segundona – com duas quedas recentes nos playoffs. O treinador é Rubi, com passagens por Espanyol e Betis. Já o destaque em campo é o artilheiro Umar Sadiq. Os andaluzes lideraram durante boa parte da campanha, mas uma sequência ruim em janeiro queimou a gordura. Na cola está o Valladolid, do presidente Ronaldo, que busca o retorno logo após o descenso. Os pucelanos conseguiram preservar parte considerável do elenco, incluindo Shon Weissman e Roque Mesa, entre os destaques na segundona. O técnico é Pacheta, que estava no Huesca, mas fez sucesso no Elche.

Abaixo disso, a luta pelos playoffs se estreita. O Girona é mais um que vem batendo na trave em suas tentativas de retornar à elite, treinado por Míchel, preservado mesmo depois do início de campanha claudicante. Christian Stuani continua marcando seus gols, vitais na recuperação na tabela. O Tenerife está longe da elite desde 2009/10 e conta com a melhor defesa do campeonato. Já a Ponferradina, que nunca chegou à elite, é a mais ameaçada de deixar os playoffs. Seu capitão e artilheiro é o brasileiro Yuri, firmado como ídolo por lá desde 2009. O Real Oviedo (que jogou até a quarta divisão em sua crise recente) e o Las Palmas (de impacto recente na primeira divisão) são os principais postulantes fora da zona dos playoffs.

Eibar: Sete temporadas na elite, a última em 2020/21
Almería: Seis temporadas na elite, a última em 2014/15
Valladolid: 45 temporadas na elite, a última em 2020/21

Terceira divisão espanhola

Duas vagas diretas e duas nos playoffs de acesso

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Essa é a primeira temporada da nova terceira divisão, com 40 clubes divididos em dois grupos regionalizados. O campeão de cada chave conquista o acesso direto, enquanto outras oito equipes (do segundo ao quinto) vão para os playoffs. E as situações de cada grupo são bem distintas.

O Grupo 1 tem a liderança do tradicionalíssimo Racing de Santander. Os verdiblancos tiveram severos problemas financeiros desde seu rebaixamento na primeira divisão em 2011/12. Ao longo da última década, o clube variou entre a segunda e a terceira divisão, mas sempre caiu de imediato assim que atingiu a segundona. Essa é mais uma tentativa, com uma confortável vantagem de 12 pontos na liderança. Um dos destaques da equipe é Pablo Torre, meia de 18 anos emprestado pelo Barcelona. O distante perseguidor é o Deportivo de La Coruña, tentando sair do buraco em que se meteu. Os galegos eram os líderes até entrarem em espiral em fevereiro, com a crise agravada pela derrota no clássico com o Celta B – que terminou com confusão. O veterano Miku Fedor é uma das principais fontes de gols, enquanto Álex Bergantiños resiste como capitão. Racing de Ferrol, Rayo Majadahonda, Celta B e Logroñés se candidatam aos playoffs.

O Grupo 2 está bem mais parelho. A primeira posição é do Albacete, que teve sua relevância na virada do século, mas não joga a primeira divisão desde 2004/05. Desde então, o Queso Mecánico variou entre a segunda e a terceira divisão, com o rebaixamento no último ano. O elenco atual foi totalmente modificado para a terceirona. Quem está na cola é o Andorra, clube do país vizinho que historicamente disputa as divisões de acesso na Espanha. Os andorranos chegaram a figurar na terceirona entre os anos 1980 e 1990, mas chegaram ao fundo do posso da sétima divisão a partir de 2004. A equipe conquistou três acessos desde 2015 e em 2018 foi adquirida por Gerard Piqué, que auxilia na atual ascensão. O treinador é Eder Sarabia, antigo assistente de Quique Setién. Outro vivo pelo título é o Villarreal B, que liderou boa parte do torneio. Como filial, tem seu elenco composto basicamente por jovens. Atlético Baleares e San Fernando completam a zona dos playoffs, enquanto Real Madrid Castilla e Barcelona B estão no meio da tabela. Sevilla Atlético e Betis Deportivo lutam para não cair.

Racing de Santander: 45 temporadas na elite, não disputa desde 2011/12
Deportivo de La Coruña: 46 temporadas na elite, não disputa desde 2017/18

Albacete: sete temporadas na elite, não disputa desde 2004/05
Andorra: nunca passou da terceira divisão, que disputa atualmente
Villarreal B: nunca passou da segunda divisão, a última em 2011/12

Segunda divisão francesa

Duas vagas diretas e uma nos playoffs de acesso

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O Toulouse não conquistou o acesso na temporada passada, após o rebaixamento em 2019/20, mesmo com a chegada de novos donos. Desta vez, os violetas não devem passar aperto e ponteiam com tranquilidade a Ligue 2. A liderança se dá praticamente de ponta a ponta, com apenas três derrotas, e o ataque marcou 69 gols em 30 partidas, uma ótima média. Pesa a experiência do técnico Philippe Montanier, de currículo extenso por clubes como Rennes, Lens e Real Sociedad. Rafael Ratão e Rhys Healey são nomes importantes na linha de frente, mas o destaque é o meia Branco van den Boomen, com 12 gols e 18 assistências – e, sim, o nome do holandês homenageia o lateral brasileiro carrasco da Oranje em 1994. O elenco chama atenção pelo alto número de estrangeiros, mais de 60% do grupo. A segunda colocação é do Paris FC, que recebe investimento do Bahrein e se consolida na zona de acesso direto nas rodadas mais recentes. O clube da capital é dirigido por Thierry Laurey, que passou cinco anos no Strasbourg e faturou a Copa da Liga. Já um nome conhecido é o atacante Morgan Guilavogui, artilheiro da equipe.

Na Ligue 2, apenas três times vão aos playoffs de acesso. O terceiro colocado é o Ajaccio, que não disputa a elite desde 2014. O técnico Olivier Pantaloni, inclusive, segue no cargo em toda essa jornada na segundona, ao ser contratado pouco depois do rebaixamento, há quase oito anos. Impressiona o rendimento defensivo, com apenas 15 gols sofridos, mas também somente 26 anotados em 30 rodadas. O Auxerre é outro tradicional, em quarto, já completando dez anos fora da primeira divisão. O técnico Jean-Marc Furlan está há três anos no cargo e nessa temporada conta com os gols do veterano Gaëtan Charbonnier. Já o Sochaux, em declínio desde o fim da parceria com a Peugeot, está na segundona desde 2014. Antigo ídolo do clube e também da seleção senegalesa, Omar Daf entrou na comissão técnica em 2013 e assumiu o time principal em 2018. Florentin Pogba é um dos esteios na zaga.

Toulouse: 32 temporadas na elite, a última em 2019/20
Paris FC: três temporadas na elite, a última em 1978/79
Ajaccio: 13 temporadas na elite, a última em 2013/14
Auxerre: 33 temporadas na elite, a última em 2011/12
Sochaux: 66 temporadas na elite, a última em 2013/14

Outras divisões de acesso pela Europa

A National League, a quinta divisão inglesa, deve contar com a conquista de um clube de peso. O Stockport County jogou a Football League por 106 anos, até o rebaixamento em 2010/11. Os Hatters passaram até pela sexta divisão, mas superaram os problemas administrativos e devem retornar à League Two. E se apenas o líder sobe direto, os playoffs ainda podem ter o Wrexham (tradicional clube galês, gerido pelos atores Ryan Reynolds e Rob McElhenney), o Chesterfield (outro acostumado à Football League, responsável por revelar Gordon Banks) e o Notts County (o clube de futebol mais antigo do mundo, rebaixado da Football League pela primeira vez em 2018/19).

A quarta divisão da Itália costuma reunir clubes de história que buscam se reerguer. Entre os mais fortes ao acesso estão o Novara e o Rimini. O Messina foi excluído. Já na Espanha, um dos líderes na nova quarta divisão é o Córdoba, que estava na elite em 2014/15. Entre as filiais, as mais cotadas são Espanyol B e Osasuna B, líderes de suas chaves regionais. Numancia e Compostela estão na zona dos playoffs. O Recreativo de Huelva é aquele em melhores condições de subir na quinta divisão, entre os tradicionais, enquanto Valencia Mestalla e Atlético de Madrid B ponteiam suas chaves.

A quarta divisão da Alemanha, regionalizada, tem alguns potenciais acessos de peso. Clubes tradicionais nos níveis menores podem subir, entre eles o Preussen Münster, o Rot-Weiss Essen, o Fortuna Colônia, o Ulm e o Kickers Offenbach. Ainda assim, a história mais relevante é a do Dynamo Berlim, que lidera sua divisão regional com oito pontos de vantagem e deve ir para os playoffs. A antiga potência da Alemanha Oriental não joga nem a terceirona desde 1999/00. Stuttgarter Kickers, Blau-Weiss Berlim, Rot-Weiss Erfurt e Wormatia Worms são times de renome que vêm bem para a promoção na quinta divisão. Na França, a terceira divisão é liderada pelo Laval, que já figurou na primeira divisão entre os anos 1970 e 1980; na quarta divisão, podem subir o Versailles e o Bergerac, de boas campanhas na última Copa da França.

Em Portugal, o Rio Ave não surpreende na liderança da segundona após o rebaixamento no último ano, mas o Casa Pia é o segundo colocado e pode voltar pela primeira vez desde 1938/39. Já a terceirona tem na briga União de Leiria e Vitória de Setúbal. E a fase final da quarta divisão vê o Belenenses e o Olhanense em busca da redenção. Rebaixado na última temporada, o Emmen lidera a segundona da Eredivisie. Quem também está na briga é o Volendam, clube tradicional que não joga a primeira divisão desde 2008/09. É acompanhado de perto pelo Excelsior, fora da primeira prateleira desde 2018/19. A corrida pelos playoffs envolve vários times frequentes na elite, como o Roda JC, o ADO Den Haag, o De Graafschap e o NAC Breda. A história diferente é do FC Eindhoven, campeão nacional em 1954 e rival do PSV, que não joga a Eredivisie desde 1977.

Força nacional no início do Século XX e campeão da liga em 1918, o Floridsdorfer se destaca na segunda divisão do Campeonato Austríaco e pode voltar à elite pela primeira vez desde os anos 1950. A segundona da Bélgica é liderada pelo Westerlo, figurinha carimbada na elite desde a virada do século, enquanto a segunda posição é do RWD Molenbeek, que buscar herdar as tradições do clube homônimo, campeão nacional em 1975 e falido em 2002. Tradicional rival da Union St. Gilloise, líder da primeira divisão, o RWDM47 foi adquirido recentemente por John Textor, dono do Botafogo. Três vezes campeão nacional, o Aarau lidera a segundona da Suíça e tenta o retorno após sete anos. Mais longa é a ausência do Winterthur, também três vezes campeão, fora do primeiro nível desde os anos 1980. Ainda está no páreo o Vaduz, representante de Liechtenstein, que caiu no último ano. Completa a lista de postulantes o Schaffhausen, que jogou a primeira divisão até 2007.

Tradicional na elite da Escócia, o Kilmarnock lidera e deve voltar depois de um ano. Mais inusitada é a possível volta do Arbroath, responsável pela maior goleada do futebol de elite, num 36 a 0 em 1885, e fora da primeira desde 1975. Já o Queen’s Park, primeira potência do país, está na zona dos playoffs da terceirona. Antigos campeões nacionais, Lyngby e Hvidovre são candidatos às duas vagas do acesso na segundona dinamarquesa. O Hvidovre, responsável por revelar Peter Schmeichel, foi rebaixado da primeira divisão em 1997.

A segundona do Campeonato Russo tem o Torpedo Moscou e o Alania Vladikavkaz na luta pelos playoffs, dois clubes que já foram campeões nacionais, enquanto o SKA Rostov-on-Don é uma força do passado buscando a promoção na terceirona. A Ucrânia, sem definição sobre sua retomada, via sua segundona ser liderada pelo Metalist Kharkiv – refundado em 2019 e que subiu na terceirona passada. Na Bulgária, a segundona tem a liderança do Etar Veliko Tarnovo, herdeiro do clube campeão nacional em 1991. Já a República Tcheca deve resgatar na segundona o Zbrojovka Brno, equipe campeã tchecoslovaca em 1977/78 e costumeira na primeira prateleira. Um nome forte na segunda divisão da Hungria, na liderança, é o Vasas – seis vezes campeão nacional e rebaixado em 2018. O segundo colocado é o Diósgyöri, que possui presenças marcantes na elite.

A Macedônia do Norte pode ter a volta do Sileks, três vezes campeão nos anos 1990, mas chama atenção mesmo a situação do Vardar, potência nacional que é apenas o terceiro em seu grupo regional e se distancia da promoção. A zona de classificação na segundona da Polônia inclui o Widzew Lodz, quatro vezes campeão nacional. Desde o rebaixamento em 2013/14, o clube precisou se reconstruir na quinta divisão e conquistou três acessos a partir de então. Já a terceirona tem o Ruch Chorzów, de 14 taças na liga, que vive o ioiô entre as divisões de acesso.

O hexagonal decisivo da segundona da Romênia tem o Petrolul Ploiesti, quatro vezes campeão nacional e que se refundou na quarta divisão a partir de 2016/17. Já a Universitatea Cluj, campeã uma vez em 1923, passou pelo mesmo processo a partir de 2016/17. Mas o interesse maior fica com o Steaua Bucareste, o clube refundado pelo exército que tomou os direitos do antigo Steaua (atual FCSB) e vem de dois acessos consecutivos. A fase final da terceirona inclui o Otelul Galati, campeão em 2011 e em reconstrução longa após sua refundação. Por fim, na Turquia, o líder da segunda divisão é o Ankaragücü, clube importante da capital e rebaixado no último ano. Também está na briga pelos playoffs o Istanbulspor, equipe menor de Istambul, mas que possui 23 temporadas na elite – a última em 2004/05.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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