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Quem poderia imaginar que um cruzeiro seria o auge de Neymar na temporada?

Cruzeiro do jogador do Al Hilal sairá de Santos no próximo dia 26, e fecha com melancolia sua pior temporada dentro dos gramados

Quando Neymar anunciou a promoção de um navio com o seu nome, ainda nos primeiros meses de 2023, seus fãs não imaginavam a temporada que estava por vir. Na época do anúncio, o brasileiro ainda pertencia ao PSG, da França, e se recuperava de uma cirurgia no tornozelo direito, a qual foi submetido no início de março. O momento era de crise: já se sabia que ele não ficaria no clube parisiense, torcedores protestavam e pedia sua saída, além da saída de Messi, tudo isso em meio a polêmicas envolvendo seu até então companheiro de equipe, Mbappé.

Houve até quem se questionou se ele seria liberado para participar da atração. Se estivesse no Paris Saint-Germain, o último jogo de Neymar teria sido no dia 20 de dezembro. E se ele fosse para o Manchester United, como apontavam alguns veículos ingleses? A Premier League não para. Nada de cruzeiro para o craque.

Recuperado da lesão, Neymar atuou por poucos jogos antes da anunciada saída do PSG. Após seis temporadas, com status de jogador mais caro da história do clube, ele saiu deixando a mesma impressão de quando chegou: que poderia ir além.

Chegada ao Al-Hilal foi tratada como decepção

De todos os clubes ventilados como um possível destino do brasileiro, poucos tinham condições de arcar com os custos que essa transação significaria.

Coube ao Al-Hilal, da Arábia Saudita, contratá-lo. Parte do que podemos chamar de ‘big four' árabe, grupo de quatro times (Al-Hilal, Al-Ittihad, Al-Nassr e Al-Ahly) controlados (e mantidos financeiramente) pelo Public Investment Found (PIF) do governo do país do golfo, o clube desembolsou cerca de 100 milhões de euros para contar com o jogador.

Na época da transação, falava-se em um salário de 320 milhões de euros. Ele não foi o primeiro a ir para a Arábia Saudita, é claro, mas com certeza se tornou a maior figura do ponto de virada do futebol no país.

As perguntas surgiam, como não poderia deixar de ser. Neymar voltaria a ser um dos maiores do mundo? Como Neymar renderia em uma liga de menor expressão? Ele vai voltar à Europa? Al-Hilal é uma mancha na carreira do brasileiro? Será esse um caminho rumo à aposentadoria?

Enquanto isso, fora dos gramados…

… A situação também não era das mais calmas. Lidando com a frustração dos fãs, o atacante da seleção brasileira se viu (de novo) envolvido em polêmicas que ganharam as manchetes das páginas de fofoca.

A traição à namorada Bruna Biancardi, na época grávida, admitida publicamente em redes sociais, e outras dezenas de rumores envolvendo diversas mulheres. A separação de Biancardi após o nascimento da filha Mavie. Tudo contribuía para que ele se tornasse cada vez mais uma figura antipática aos olhos do público brasileiro, e menos fiel ao futebol do ex-menino da Vila.

Temporada ruim = apagamento em premiações individuais

Presente no TOP 10 do Fifa The Best em 2020, 2021 e 2022, Neymar passou longe da lista de indicados ao prêmio de 2023.

O mesmo aconteceu na Bola de Ouro, entregue pela France Football, e vencida por Lionel Messi, agora no Inter Miami, da MLS. Aquele que por muito tempo foi um dos jogadores mais festejados do mundo amargava um ostracismo em uma liga considerada pouco competitiva.

Ignorado, ele não brilhou como se esperava nem mesmo em sua estreia na Arábia Saudita, quando chutou a bola em um adversário que estava caído, de propósito. A sua passagem no Al Hilal começava sem inspiração. Foram cinco jogos até desencantar, diante do Nassaji Mazandaran, do Irã, pela Liga dos Campeões da Ásia.

Lesão grave traz momento de (ainda mais) incertezas

A seleção brasileira se tornou um refúgio para Neymar. Ora, era lá que conseguia se isolar de todas as dúvidas e problemas vividos na Europa, e agora, na Arábia Saudita. Neste ano, ele ultrapassou Pelé, e se isolou como maior artilheiro da história do Brasil na goleada por 5 a 1 sobre a Bolívia, estreia de Fernando Diniz à frente da equipe.

Mas a fase da amarelinha também não é das melhores. Em meio a uma série de atuações ruins nas Eliminatórias para a Copa do Mundo – uma vitória contra o Peru, empate com a Venezuela, e derrotas para Uruguai, Colômbia e Argentina -, Neymar sofreu uma grave lesão no ligamento cruzado e no menisco do joelho esquerdo. Um problema tão sério que pode aposentá-lo dos gramados.

Em entrevista concedida à Rádio 98fm, de Belo Horizonte, o médico da seleção brasileira, Rodrigo Lasmar, disse que possivelmente Neymar não estará apto a ser convocado na Copa América, em 2024.

– É muito cedo, não adianta queimar etapas para recuperar antes e correr risco desnecessários. A nossa expectativa é que ele esteja preparado para voltar no início da temporada 2024 na Europa, que é agosto – disse.

Nem mesmo durante a recuperação, o jogador consegue se manter longe dos holofotes. Entre uma foto ou vídeo na fisioterapia, ele se envolveu em mais boatos com mulheres em redes sociais, e mesmo participou de uma campanha de lançamento de um perfume com seu nome pela marca de beleza da influenciadora Virgínia, uma das mais seguidas do país.

E se Neymar…

É claro que as camisas de Neymar continuarão sendo vendidas mundo afora, e as crianças vão continuar sonhando com uma carreira de sucesso – pelo menos até certo ponto – como a do craque. Mas, desprestigiado no meio futebolístico, Neymar virou alvo de piadas nas redes sociais. Chamado de sub celebridade e até mesmo ex-jogador, o camisa 10 da seleção dá a impressão de que poderia ter iniciado uma nova era, uma hegemonia, mas não o fez. E não por falta de capacidade. O sucessor perfeito para Messi e Cristiano Ronaldo que não aconteceu.

Aos 31 anos, ele não tem lugar no futebol europeu, e pode ser que não tenha vida fácil sequer no Al-Hilal, já que o time está embalado (e encaixado) sob o comando de Jorge Jesus no Campeonato Saudita e na Copa do Rei.

O primeiro passo é voltar a jogar. E o que vem na sequência? O retorno ao futebol brasileiro? Ou mais uma polêmica? Talvez, a segunda opção. O “Ney em Alto Mar” zarpa de Santos no dia 26 de dezembro.

 

 

Foto de Denise Bonfim

Denise Bonfim

Denise Bonfim é jornalista e produtora de conteúdo. Participou da cobertura de duas Copas do Mundo e duas Olimpíadas, e soma passagens por Estadão, CNN, Jovem Pan, UOL e Globo.
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