Com ex-Vasco e donos argentinos, esse clube quer ser a sensação do futebol húngaro
O ZTE, clube histórico da Hungria, ganhou nova vida com donos argentinos, um técnico português e um elenco recheado de jovens sul-americanos. Conheça o projeto que está chamando atenção na Europa Central.
O Zalaegerszegi Torna Egylet Football Club, fundado em novembro de 1919, pertence desde meados de 2025 a dois empresários argentinos: Damián Pedrosa e Andrés Jornet. Após anos ligados ao Talleres de Córdoba e a outras funções pela CONMEBOL em toda a América do Sul, os dois decidiram assumir um clube na Europa.
«Meu parceiro Andrés Jornet, que é diretor de futebol do ZTE, já tinha um conhecimento profundo da indústria do futebol profissional, especialmente na América do Sul, e estava muito atento a oportunidades que nos permitissem desenvolver um projeto sustentável na Europa», explicou o presidente Damián Pedrosa.
«Quando analisamos a Hungria, percebemos rapidamente que ela reunia condições muito interessantes: estabilidade institucional, um campeonato competitivo, boa infraestrutura e uma posição estratégica no coração do futebol europeu. O ZTE chamou especialmente nossa atenção por sua história, seu vínculo forte com a cidade e seu grupo fiel de torcedores. Vimos aí uma oportunidade real de construir um projeto moderno, com ambição esportiva e institucional.»
Para Pedrosa, o plano é claro e os objetivos, bem definidos. «No curto prazo, o objetivo é consolidar um modelo esportivo claro e continuar tornando a equipe competitiva no campeonato húngaro.»
Maxsuell, o exemplo brasileiro
No centro desse projeto está a contratação inteligente de jovens jogadores das divisões inferiores da América do Sul, principalmente do Brasil e da Argentina. «A América do Sul continua sendo uma das regiões do mundo que mais produz talentos no futebol. É, portanto, um mercado que acompanhamos de perto, especialmente países como Brasil e Argentina. Mas nosso departamento de scouting não se limita a uma região», explicou Pedrosa.
O elenco conta atualmente com 6 brasileiros e 3 argentinos. Maxsuell Alegria, de 22 anos, chegou em agosto de 2025 e não se arrepende de ter embarcado nessa aventura.
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«Eu estava no Vasco da Gama. Meu contrato de empréstimo estava chegando ao fim e o Vasco não contava muito comigo, então voltei para o Nova Iguaçu. Joguei 4 ou 5 jogos e surgiram propostas. Nada se concretizou. Foi aí que o ZTE apareceu. A proposta se confirmou, as negociações foram fechadas e fiquei muito feliz em poder jogar em um campeonato europeu de bom nível. Achei que era uma ótima oportunidade de dar um salto na carreira e ganhar visibilidade. Fechamos um acordo de empréstimo com opção de compra. Arrumei as malas e embarquei para a Hungria», contou o jogador.
«Eu nunca tinha saído do Brasil, essa é minha primeira experiência fora do país. Tive um pouco de dificuldade no começo. Um novo país, uma nova cultura, uma nova língua, um novo clima. Fazia frio quando cheguei, e eu sou do Rio, então foi uma mudança radical no início. Mas acho que minha adaptação acabou indo bem. Meus companheiros me ajudaram muito. Fui me encaixando no estilo de jogo da equipe com a ajuda dos parceiros e da comissão técnica. Quando cheguei, não havia tantos brasileiros como agora. Tinha o João Victor, mas também havia argentinos, costaricanos, mexicanos. Eles me receberam bem e me ajudaram a me adaptar. Outros brasileiros chegaram depois e ficou ainda melhor. A gente se dá bem dentro e fora de campo. Saímos juntos, comemos juntos, jogamos videogame juntos. É importante para a gente, que está longe da família. É quase como encontrar uma família aqui.»
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Um ex-PSG embarca na aventura
Com 4 gols e 5 assistências em todas as competições, o jogador nascido em Goiânia é um dos grandes responsáveis pela boa temporada do ZTE, que ele espera ver terminar em grande estilo. «Espero que a gente consiga conquistar coisas grandes com esse time, temos potencial para isso. Seria incrível garantir uma vaga na Conference League e ganhar a Copa da Hungria. Acredito que se continuarmos nesse caminho, tudo vai dar certo», garantiu.
Um jovem francês acaba de se juntar à aventura: Queyrell Tchicamboud, meia de 21 anos formado no Paris Saint-Germain. «Quando ouvi falar dessa oportunidade, refletimos cuidadosamente sobre a decisão. O projeto do ZTE é excelente no longo prazo e pode oferecer uma base sólida não só para o clube, mas também para nós, jogadores, no nosso desenvolvimento», contou.
«A infraestrutura é muito boa, tudo está preparado para que a gente se concentre só no futebol. O clube é bem organizado e o ambiente é familiar. Todo mundo me recebeu com calor e simpatia, o que tornou a transição e a chegada muito mais fáceis. Claro que é um ambiente novo, uma cultura diferente à qual preciso me acostumar, mas sinto que posso trabalhar em um contexto tranquilo e estável. O campeonato é claramente muito competitivo e equilibrado. Com relativamente poucas equipes na primeira divisão, a tabela pode mudar rápido. Cada jogo conta, e dá para perceber isso na postura de todos os times», explicou, cheio de ambição. «Quero me provar aqui. Sei que preciso conquistar meu espaço, e trabalho duro todos os dias para merecer tempo de jogo. Meu objetivo é claro: quero jogar. Quero ter o máximo de minutos possível, mostrar do que sou capaz e ajudar o clube a fazer desse período uma era de sucesso na sua história.»
“ZTE’s ball”: a Hungria encantada com o método Campos
Para consolidar o ZTE na elite do futebol húngaro e mirar mais alto, os dois donos argentinos decidiram confiar o comando da equipe ao técnico português Nuno Campos. Ex-assistente de Paulo Fonseca, atual treinador do Olympique Lyonnais, e de Renato Paiva, que levou o Botafogo a um triunfo diante do PSG durante o Mundial de Clubes de 2025, Campos passou ainda pelo comando das categorias de base do Flamengo. Sua missão no clube húngaro é potencializar ao máximo um elenco muito jovem, com média de idade de 22,3 anos, o grupo mais jovem de toda a Europa nas primeiras divisões, produzindo um futebol atraente e ofensivo.
«Sou exatamente esse perfil. Eles estudaram bem minha trajetória e se informaram bem. Me transmitiram muita confiança para fazer esse trabalho. Foi fácil dizer sim», revelou o treinador.
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E após um início um pouco mais lento, os resultados chegaram. Atualmente em 4º lugar no campeonato, Campos e seus jogadores perderam apenas uma das onze partidas disputadas em 2026, com 7 vitórias e 3 empates. O time também está classificado para as semifinais da Copa da Hungria, onde enfrenta o Honved em 22 de abril. «Colocamos nosso jogo em prática e os resultados vieram. Tudo encaixou», comemorou Campos, cujo método passou a ser chamado de “ZTE’s ball” na Hungria.
Esse desempenho dissipou as dúvidas dos observadores no início do projeto. «Desde o começo, sentimos curiosidade e também expectativas naturais em relação ao que queremos fazer. É completamente normal quando um novo grupo de investidores chega a um clube histórico. Com o tempo, acredito que as pessoas entenderam que nosso projeto é sério, estruturado e pensado para o longo prazo», disse Pedrosa com satisfação.
Trading com propósito
Com um técnico ambicioso, jogadores com muita vontade e uma filosofia bem definida, o ZTE vem conseguindo rivalizar com as melhores equipes do campeonato mesmo com um orçamento bem inferior ao da concorrência.
«Para clubes como o ZTE, a chave está em ter um projeto claro, uma gestão profissional e uma estratégia esportiva bem definida. Apostar no desenvolvimento de jogadores, na identificação de talentos e na geração de valor dentro do clube. Com organização, visão de longo prazo e boas decisões esportivas, é possível ser competitivo, crescer e ir reduzindo essas diferenças aos poucos. Não é por acaso que, mesmo tendo o menor orçamento do campeonato, não perdemos nenhum dos cinco jogos contra os dois principais candidatos ao título. Isso prova que o dinheiro é importante, mas não é tudo», afirmou o presidente.
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Animado com a temporada até aqui, o clube húngaro quer terminar o ano em grande estilo para impulsionar os próximos passos do projeto. «No médio prazo, queremos fortalecer ainda mais a infraestrutura do clube, desenvolver o centro de formação e fazer com que o ZTE seja reconhecido pela sua capacidade de contratar bem, desenvolver talentos e vendê-los de forma inteligente», detalhou Pedrosa.
O caminho está traçado. Em janeiro, o ZTE vendeu dois jogadores recém-chegados na metade de 2025, o brasileiro Diego Borges ao Kansas City e o húngaro Csanád Vilmos Dénes ao Courtrai, por mais de 1 milhão de euros cada um. «No longo prazo, a ambição é que o ZTE possa brigar regularmente pelas vagas que dão acesso às competições europeias e se consolidar como um dos projetos mais interessantes da Europa Central», concluiu o presidente argentino.