‘Para mim, neste momento, a Noruega é a melhor seleção da Europa’
Técnico de Senegal, Pape Thiaw exalta força da seleção nórdica e projeta tamanho do desafio senegalês em 'grupo da morte' da Copa do Mundo
A pouco mais de dois meses do início da Copa do Mundo, uma declaração de Pape Thiaw chamou atenção pela força e pelo tamanho do elogio. Técnico do Senegal, Thiaw colocou a Noruega, futura adversária de sua equipe na fase de grupos, no topo do futebol europeu e tratou a seleção nórdica como referência técnica no momento atual do continente.
A fala veio em meio a um ambiente de confiança dentro da delegação senegalesa, embalada pelo recente título da Copa Africana de Nações — apesar da decisão da Confederação Africana de Futebol (CAF) de revogar o título senegalês, consagrando o Marrocos como campeão. Ainda assim, Thiaw optou por adotar um discurso de respeito máximo a um dos principais oponentes que sua equipe encontrará no Grupo I do Mundial.
— A Noruega dispensa apresentações, sobretudo com os jogadores que tem a nível internacional. Creio que são uma equipe excelente. Para mim, neste momento, são mesmo a melhor equipe da Europa — afirmou o treinador, na véspera do amistoso contra Gâmbia, marcado para esta terça-feira (31).
Thiaw também destacou o estágio competitivo do time norueguês, mesmo em um cenário recente de ausência de seus principais nomes. “Estão demonstrando um grande nível, apesar de terem perdido o último jogo sem as suas duas estrelas”, acrescentou, em referência a Erling Haaland e Martin Odegaard.
Senegal encara Noruega e França em ‘grupo da morte’ na Copa
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A projeção de Thiaw ajuda a dimensionar o tamanho do desafio que Senegal terá pela frente na Copa. Inserida em um dos grupos mais exigentes do torneio, a seleção africana terá pela frente França e Noruega na primeira fase, além de ainda aguardar a definição entre Iraque e Bolívia (repescagem) para completar a chave.
O cenário, naturalmente, impõe um grau elevado de dificuldade. A França carrega o peso histórico e a profundidade de elenco; a Noruega vive ascensão competitiva e reúne nomes em alta no futebol europeu.
Ainda assim, o discurso do treinador passou longe de qualquer conformismo. Ao mesmo tempo em que valorizou os adversários, Pape Thiaw fez questão de reforçar que a equipe não viajará ao Mundial apenas para participar. A intenção, segundo ele, é ser relevante dentro do torneio.
— Agora vamos nos preparar bem. Temos quatro jogos antes de enfrentar a Noruega. Teremos tempo para os estudar adequadamente, mas vamos ao Mundial para deixar a nossa marca, não apenas para jogar contra a França.
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Quais as chances de Senegal no grupo da Copa?
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Em termos de perfil, o Senegal chega como uma seleção fisicamente intensa, competitiva e acostumada a jogos de alta exigência. Historicamente, a equipe se notabiliza por uma estrutura sólida sem a bola, imposição nos duelos e capacidade de acelerar transições com agressividade — características que costumam encaixar bem em torneios curtos, nos quais organização e disciplina podem compensar eventuais diferenças técnicas.
Ao mesmo tempo, o time tem buscado ampliar o repertório. As conquistas continentais recentes ajudam a sustentar a sensação de crescimento e maturidade competitiva, sobretudo no aspecto mental. Trata-se de uma seleção que parece mais confortável em partidas grandes e mais preparada para suportar cenários de pressão.
Dentro de um grupo tão pesado, essa casca pode ser um trunfo importante. Contra equipes como França e Noruega, o Senegal dificilmente terá margem para relaxamento ou desorganização. Por isso, a consistência coletiva tende a ser tão decisiva quanto o brilho individual.
Em tese, os senegaleses têm ferramentas para competir, encurtar espaços e dificultar a vida de rivais tecnicamente superiores. Contudo, para ir além, precisarão também ser eficientes com a bola, aproveitar momentos de transição e mostrar frieza nos dois lados do campo.
No fim das contas, a declaração de Pape Thiaw sobre a Noruega diz muito sobre o respeito que existe no grupo, mas também ajuda a enquadrar o próprio Senegal: uma seleção que sabe o tamanho da montanha à frente, porém chega à Copa convencida de que pode muito bem incomodar qualquer adversário.