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Como o Equador desmontou o conforto de Marrocos e deixou um aviso ao Brasil de Ancelotti

Com pressão alta, intensidade e protagonismo, seleção de Beccacece travou a saída marroquina e ofereceu pistas úteis à Canarinho

Marrocos, adversário do Brasil na estreia da Copa do Mundo, deixou pistas importantes nesta sexta-feira (27) — e o Equador soube explorá-las. No empate por 1 a 1, no Riyadh Air Metropolitano, em Madrid, a seleção comandada por Sebastián Beccacece conseguiu, por longos trechos, empurrar os marroquinos para um cenário de desconforto com pressão alta, intensidade e coragem para disputar o jogo em campo avançado.

Ainda que tenha cedido o empate no fim, o amistoso ofereceu sinais relevantes para a comissão de Carlo Ancelotti. Sobretudo no primeiro tempo, o Equador foi quem ditou a partida. Adiantou as linhas, sufocou a saída de bola de Marrocos e tentou transformar o amistoso em um duelo jogado no campo do adversário.

A equipe foi agressiva sem a bola e vertical quando a recuperava, usando a mobilidade de Gonzalo Plata por dentro, a velocidade de John Yeboah e Alan Minda pelos lados e a presença de Enner Valencia como referência mais adiantada.

Assinatura de Beccacece e boa observação para Ancelotti

Beccacece, técnico do Equador
Beccacece, técnico do Equador (Foto: Alberto Gardin / Imago)

A atuação teve traços muito claros da identidade construída pelo técnico Beccacece. Seu Equador é uma equipe que busca recuperar a bola imediatamente após a perda, apertar a circulação rival e manter o jogo em alta rotação.

Não é um time desenhado para esperar; é um time que tenta provocar o erro do adversário e impor sua própria temperatura à partida. Contra Marrocos, essa proposta funcionou em diversos momentos e impediu que o rival jogasse com naturalidade.

Ao mesmo tempo, o empate nos minutos finais também carrega um alerta. Depois de uma atuação consistente durante boa parte do amistoso, o Equador viu Marrocos arrancar a igualdade em uma bola parada, com gol de cabeça após escanteio. O detalhe reforça algo importante: incomodar os marroquinos exige mais do que um bom plano inicial — exige sustentação, concentração e competitividade. Trata-se de uma seleção resiliente e aguerrida.

No fim, o Equador não entregou ao Brasil uma fórmula pronta, mas indicou um caminho plausível. Pressionar, encurtar espaços e impedir que Marrocos jogue em ritmo confortável parece ser uma estratégia promissora.

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Como foi Equador 1 x 1 Marrocos

O Equador foi consideravelmente melhor que Marrocos no primeiro tempo. Com mais posse de bola e organização, a seleção sul-americana controlou o jogo, ditou o ritmo das ações e envolveu a sensação africana, mas não conseguiu levar tanto perigo à meta defendida por Bono.

As melhores chances saíram de chute rente à trave de Alan Minda e cabeçada de Gonzalo Plata por cima do gol. Pelo lado marroquino, muita dificuldade na construção com bola e pouquíssima fluidez. Hernán Galíndez, goleiro equatoriano, sequer trabalhou durante os 45′ iniciais.

Se na etapa inicial o gol não saiu, no segundo tempo La Tri precisou de menos de três minutos para balançar as redes. Valencia começou a jogada pelo meio e abriu na direita com Yeboah. Ele tocou para Plata, que pisou na área e deixou para o camisa 9 finalizar no cantinho de Bono.

Foi preciso sofrer um gol para Marrocos acordar e entrar no jogo. Com 13′ no relógio, Hakimi entrou livre na área pela ponta direita, finalizou e Galindez fez a defesa. No rebote, El Aynaoui domina e acabou derrubado por Plata. Pênalti.

El Aynaoui cobrou, Galíndez acertou o canto e espalmou. Hrimat aproveitou o rebote para frente e estufou as redes, mas o juiz anulou o lance por invasão de Marrocos à área equatoriana.

Apesar da frustração, os marroquinos foram buscar o empate para valer. Pouco antes dos acréscimos, Hakimi cobrou escanteio na cabeça de El Aynaoui, que testou consciente para deixar tudo igual e dar números finais à partida.

Próximos jogos de Equador e Marrocos

  • Holanda x Equador — Amistoso — terça-feira, 31 de março, às 15h45
  • Marrocos x Paraguai — Amistoso — terça-feira, 31 de março, às 15h

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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