Mundo

Blatter e Valcke são punidos com mais seis anos de gancho pela Fifa

O ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, foi punido com mais seis anos e oito meses afastado do futebol, segundo anunciado pela entidade nesta quarta-feira. O ex-dirigente já estava suspenso, mas sua suspensão do futebol acabaria em outubro. Aos 85 anos, o dirigente ficará suspenso do futebol até ao menos os 91 anos. O ex-secretário-geral de Blatter, Jérôme Valcke, teve a mesma punição. Com isso, ambos ficam proibidos de qualquer atividade relacionada a futebol enquanto durarem as suspensões.

Segundo informado pelo site The Athletic, Blatter teve COVID-19 e estava com a saúde ruim. Ainda segundo a publicação, ele ficou em coma induzido por uma semana depois de ter feito uma cirurgia no coração em dezembro.

“A Câmara de Julgamento do Comitê Independente de Ética decidiu que Joseph S. Blatter, ex-presidente da Fifa, e o senhor Jérôme Valcke, ex-secretário-geral, culpados de várias violações do Código de Ética da Fifa (FCE)”, diz o comunicado da Fifa.

“As investigações em relação aos senhores Blatter e Valcke cobriram várias acusações, em particular a preocupação em relação a pagamentos de bônus relacionados à competições da Fifa que foram pagas aos mais altos oficiais da administração da Fifa, várias alterações e prorrogações de contratos de trabalho, bem como o reembolso pela Fifa de custos judiciais privadas no caso de Valcke”.

“Como as proibições anteriores de participar de todas as atividades relacionadas ao futebol impostas aos senhores Blatter e Valcke pelo Comitê de Ética independente em 2015 e 2016 ainda vão acabar, as suspensões notificadas hoje irão começar apenas quando as atuais suspensões acabarem (nos dias 8 de outubro de 2021 e 8 de outubro de 2025, respectivamente)”, continua o comunicado da Fifa.

Blatter foi punido pelo Comitê de Ética da Fifa com o ex-presidente da Uefa, Michel Platini, e foi banido por oito anos em 2015 após ter sido considerado culpado de abandono de dever e conflito de interesses, entre outras acusações. Blatter e Platini caíram juntos pelo pagamento da Fifa de uma consultoria ao francês.

Os dois foram suspensos: Blatter, que foi reeleito presidente da Fifa em 2015, e Platini, que era seu sucessor, supostamente, para 2019. Os dois se desentenderam e Platini disse que Blatter “é a pessoa mais egoísta que conheci na vida”. Blatter, no que lhe concerne, disse que a Copa 2022 era para ser nos EUA e Platini provocou o escândalo da Fifa. Tanto Blatter quanto Platini se disseram perseguidos e injustiçados (mas não convenceram ninguém).

Blatter foi alçado à presidência da Fifa pelas mãos de um homem que tem no seu currículo uma série de acusações de corrupção, além de ter transformado a Fifa em uma máquina de tráfico de influências: João Havelange, que gostava mesmo era do poder. O brasileiro, aliás, saiu da Fifa pela porta dos fundos com denúncias que não foram para frente porque a Fifa jogou para debaixo do tapete.

Nascido em 10 de março de 1936, Blatter teve uma longa carreira na Fifa. Começou como diretor técnico em 1975, cargo que ocupou até 1981. Depois, tornou-se secretário-geral da entidade, quando se tornou o braço direito de Havelange. Virou presidente da Fifa em 1998, sucedendo mentor. Foi sendo reeleito sempre usando a mesma estratégia de Havelange, dando poder às federações menores, por serem mais numerosas.

Administrou a Fifa com mão de ferro, aprendida na época de Havelange, para manter o poder até se reeleger em 2015, na semana que tinha explodido o Fifagate. Ele sobreviveu ali, mas já falávamos que dificilmente ele terminaria o mandato. A eleição foi no fim de maio, mas em junho Blatter, pressionado, decidiu renunciar. Comemoramos em editorial na época: nós, os bilhões que amam o futebol pelo mundo, vencemos.

Jérôme Valcke, por sua vez, caiu porque era o operador de uma Fifa corrupta no seu modo de operar. Não quer dizer que hoje não seja, mas houve algumas mudanças, ao menos. O “Padrão Fifa”, por exemplo, caiu: a primeira seleção de sede da Copa na nova gestão tomou o caminho inverso e priorizou lugares com infraestrutura e estádios já prontos, tanto que ganhou a candidatura tripla Estados Unidos, México e Canadá, que não construirá estádios. A secretária-geral que substituiu Valcke é uma mulher, negra e africana, Fatma Samba Diouf Samoura. Não dá para dizer que não é importantante e simbólico, no mínimo. Contamos na época como a saída de Valcke foi importante e porque ele não fará falta ao futebol.

Esta nova suspensão de Blatter é praticamente uma sentença perpétua para o dirigente. Afinal, é difícil imaginar que aos 91 anos ele queira voltar ao futebol. Valcke certamente não deve voltar também, pela nova punição. Platini, porém, pode voltar em breve. Sua suspensão terminou em outubro de 2019 e ele pode voltar a aparecer em breve. Aos 65 anos, ele ainda tem saúde – e aparentemente vontade – de voltar ao esporte que o tornou um ídolo mundial como jogador.

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo