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A sujeira chegou na cúpula: Blatter é acusado por corrupção, e até Platini foi envolvido

O discurso de Joseph Blatter para defender-se das acusações de corrupção contra a Fifa feitas pelo FBI, as autoridades suíças, e basicamente qualquer um que presta atenção era dizer que não podia escolher quem trabalhava para ele ou controlar todo mundo. A primeira parte do seu argumento foi derrubado quando seu braço-direito Jérôme Valcke, o colega mais próximo que tinha, foi afastado por envolvimento em um esquema de venda de ingressos. A segunda perdeu força nesta sexta-feira, quando o procurador-geral da Suíça anunciou que está investigando criminalmente o ainda presidente da entidade máxima do futebol.

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Blatter tem que enfrentar duas acusações, de má gestão e apropriação indébita de recursos. De acordo com o escritório do procurador-geral, em 2005, o dirigente assinou um contrato com a União de Futebol do Caribe, cujo presidente era Jack Warner, que era desfavorável para a Fifa. Uma denúncia da Rádio Pública da Suíça explica que o suíço vendeu a Warner os direitos de transmissão da Copa do Mundo da África do Sul por US$ 250 mil (R$ 1 milhão), e a do Brasil por US$ 350 (R$ 1,4 milhão). Em seguida, segundo estimativas, o dirigente caribenho revendeu esses direitos por US$ 18 milhões (R$ 72 milhões) e US$ 20 milhões (R$ 80 milhões), respectivamente.

Blatter também teria violado seu dever fiduciário e agido contra os interesses da entidade. Por isso, está enquadrado no artigo 158 do Código Criminal da Suíça, que prevê multa ou prisão por até três anos por ter causado, por ações próprias ou por omissão, prejuízos financeiros à propriedade de terceiros que ele administrava. Caso descubra-se que ele tenha feito isso em enriquecimento próprio, a pena pode chegar a cinco anos atrás das grades.

Sua outra pedra no sapato envolve também seu provável sucessor na Fifa. O procurador-geral acusa Blatter de ter pago US$ 2 milhões, o equivalente a cerca de R$ 8 milhões, para o presidente da Uefa, Michel Platini, favorito para vencer as próximas eleições. A quantia saiu dos cofres da entidade e seria referente a serviços prestados pelo francês à entidade entre janeiro de 1999 e junho de 2002. O pagamento foi executado em fevereiro de 2011, três meses antes de Blatter ganhar seu quarto mandato consecutivo com 186 votos dos 203 eleitores. Ele se enquadra no artigo 138, que prevê pena de até cinco anos ou multa para quem apropria-se da propriedade que pertence a outra pessoa, mas que lhe está confiada.

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A Justiça suíça esteve presente na sede da Fifa, nesta sexta-feira, para interrogar tanto Blatter como Platini, depois da reunião do Comitê Executivo. A entrevista coletiva do presidente foi cancelada, o que é quase sem precedentes. Os policiais levaram documentos e computadores para averiguação. Isso tudo aconteceu no mesmo dia em que a Fifa enviou à Procuradoria do país todas as contas de e-mail de Jérôme Valcke. Após vice-presidentes serem presos, assim como dirigentes influentes da Fifa, o primeiro peso realmente pesado a cair na lona foi Valcke, semana passada. Agora, surge uma acusação criminal contra Blatter, e até mesmo Michel Platini está implicado.

É tudo muito fácil de se entender. Blatter está sendo acusado de usar a Fifa para o seu benefício, e como consta na constituição suíça, o administrador não pode confundir a propriedade dos outros com a dele própria. Mas Blatter, Valcke, Platini, Marin e muitos outros sempre esqueceram eram meros guardiões. O futebol não lhes pertence, e arrisco dizer que a partir de agora nunca mais eles vão se esquecer disso.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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