Fiscalize Catar 2022Mundo

Blatter diz que Copa de 2022 era para ser nos EUA e Platini provocou escândalo da Fifa

Joseph Blatter está na Fifa desde 1978, mas foi só 20 anos depois que ele assumiu o cargo máximo, de presidente. Antes, foi secretário-geral da entidade na última parte da gestão de João Havelange. Agora, foi obrigado a se afastar da sua posição, suspenso pelo Comitê de ètica da própria Fifa. Em entrevista à agência russa Tass, o suíço falou sobre o escândalo que o tirou da entidade e sobre a sua vontade em voltar à entidade. Sim, como presidente.

LEIA TAMBÉM: A cobertura da Trivela no Fifagate, o escândalo que abalou a entidade

Suspenso de qualquer atividade de futebol, Blatter afirmou que ele se tornou alvo dos ataques por causa da Uefa. “Nos últimos três anos, e especialmente após a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, a Uefa não me queria como presidente. Mas as outras confederações estavam comigo. Só a Uefa tentou me tirar. Eles não conseguiram. Mesmo com esse tsunami, eu fui reeleito presidente. E quem esteve envolvido nessa situação de ataque ao presidente da Fifa? Política. A União Europeia”, disse Blatter. Ao ser questionado por que a União Europeia o atacaria, se era política, dinheiro ou influência, o suíço foi direto. “Porque no começo era só um ataque pessoal. Era Platini contra mim”.

Apesar de ter começado por Platini, segundo Blatter, depois os ataques se tornaram política. E ele se tornou a bola em um jogo de disputa de poder. “Sim, ele [Platini] começou isso, mas depois se tornou política. E quando se torna política, não é mais Platini contra mim. Passa a ser aqueles que perderam a sede da Copa do Mundo. Inglaterra contra Rússia. Eles perderam a Copa do Mundo. E os Estados Unidos perdeu a Copa do Mundo contra o Catar. Mas você não pode destruir a Fifa. A Fifa não é um banco suíço. A Fifa não é uma empresa comercial. Então, o que eles fizeram junto com a Suíça, eles criaram um ataque contra a Fifa e contra o presidente da Fifa. Eu tenho certeza que quando a Uefa disse que não me queria, eles não sabiam que isso acabaria tendo tanta importância política”, declarou.

O próprio Blatter se contradiz, porém, na pergunta seguinte. Ele afirma que a Fifa é uma entidade muito organizada e que está funcionando muito bem, até melhor do que os “opositores” do futebol alemão. Sim, ele diz que a Fifa é mais organizada do que o futebol alemão. E mais: diz que desde que ele assumiu, ele tornou a Fifa uma grande empresa comercial e isso causa inveja e ciúmes. Ele mesmo, que disse, na pergunta anterior, que a Fifa não era uma entidade comercial.

Quando perguntando se ele achava que tinha sido um erro fazer a escolha das sedes das Copas de 2018 e 2022 simultaneamente, o suíço fez críticas àquele que era o favorito a ser o seu sucessor, Michel Platini. Foi o francês, segundo ele, que mudou os rumos da eleição a favor dos catarianos.

“Em 2010 nós tivemos uma discussão sobre a Copa do Mundo e então fomos para uma decisão dupla. Para as Copas do Mundo, estava acordado que nós iríamos para a Rússia, porque nunca tinha ido para a Rússia, leste europeu, e em 2022 nós voltaríamos aos Estados Unidos. E assim, nós teríamos a Copa do Mundo nas duas maiores forças políticas. E tudo ia bem até o momento que [Nicolas] Sarkozy chegou à reunião com o príncipe do Catar, que agora governa o país [Tamin bin Al Thani]. No almoço seguinte com o senhor Platini, ele disse seria bom que a Copa fosse para o Catar. E isso mudou todo o padrão. Houve uma eleição por voto secreto. Quatro votos da Europa saíram dos Estados Unidos, então o resultado foi 14 a 8. Se você colocar esses quatro votos, teria sido 12 a 10. Se a Copa fosse dada aos Estados Unidos, nós estaríamos falando apenas da maravilhosa Copa do Mundo de 2018 na Rússia e não falaríamos de nenhum problema na Fifa”, disse Blatter.

Blatter fala sobre o acordo que havia na eleição como se isso fosse absolutamente normal. É uma eleição, não é? Deveria ser uma votação secreta, portanto, com análise de cada um dos membros do Comitê Executivo. É só uma demonstração que a eleição era, na verdade, um grande acordo. Não que surpeeenda, porque sempre tivemos essa impressão. O que surpreende é que o dirigente ache que isso é o normal.

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo