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Platini detona Blatter: “É a pessoa mais egoísta que já conheci na vida”

Rebobinando o tempo até chegar no início dos anos 2010, quem iria imaginar que, um tempo depois, Michel Platini e Joseph Blatter estariam trocando farpas publicamente? O ex-presidente da Fifa e o da Uefa eram grandes parceiros de negócios e amigos pessoais antes da bomba estourar no colo de ambos e a história do Fifagate se desenrolar. Hoje, com suas imagens relacionadas a esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro, além de estarem banidos das atividades ligadas ao futebol, os dois cortaram relações e acusam um ao outro pelas sanções que sofreram. Falando com a imprensa pela primeira vez desde que foi suspenso, Platini quebrou o silêncio detonando o “egoísta e invejoso” Sepp Blatter.

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“Eu não sei o que fiz de errado. Só sei que não dá para acreditar no que Blatter diz. Ele sempre te dirá exatamente o que você quer ouvir, mas ele é um animal político excepcional”, declarou o francês ao Le Monde. “No fim de tudo, ele tentou salvar a própria pele. Blatter não defende ninguém mais além dele mesmo. Ele nunca me defendeu. É a pessoa mais egoísta que já conheci na minha vida. Ele realmente pensou que iria envelhecer, morrer e ser enterrado na Fifa”, acrescentou. “Blatter sempre disse que eu seria seu último couro cabeludo. Sei que ele tinha fixação por mim até o comentário que eu fiz de ‘já basta’, em maio de 2015. Isso sem falar da inveja que ele tinha de mim quando eu era jogador”.

Os dois dirigentes foram punidos em 2015 em função de um pagamento indevido feito por Blatter para Platini, no valor de R$ 8 milhões, referente a um trabalho realizado no fim de 1999 e no início dos anos 2000 (embora a grana só tenha sido passada em 2011). Na época da punição, o suíço tentou driblar o Comitê de Ética da Fifa sobre esse caso de oferta de benefícios a outros dirigentes, mas nada adiantou. Como consequência, os ex-mandatários pegaram um gancho de oito anos do futebol, tempo que poderia ter sido ainda maior caso o comitê tivesse conseguido recolher provas concretas que pudessem combinar o caso com o artigo do Código de Ética da Fifa que fala sobre suborno e corrupção.

No final de 2015, Sepp atacou Platini e a Uefa em entrevista à agência de notícias russa TASS. E afirmando coisas bem semelhantes ao que o francês disse agora. “Principalmente após a Copa do Mundo de 2014, a Uefa não me queria mais como presidente. Então, ela decidiu orquestrar um ataque contra mim. As outras confederações estavam comigo, mas ela tentou me derrubar. E não conseguiu, porque mesmo com esse tsunami, eu fui reeleito como presidente. No começo, era apenas um ataque pessoal de Platini contra mim. Mas desde que ele se tornou político, o ataque passou a ser da entidade inteira contra minha pessoa. Tudo por inveja e ciúme, já que desde que me tornei presidente da Fifa, a tornamos uma grande companhia comercial”.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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