Antes tarde do que nunca: Fifa cria Departamento de Futebol Feminino, comandado por uma mulher
A Fifa anunciou que a criação de um departamento de Futebol Feminino na entidade e quem irá comandá-lo: Sarai Bareman, neozelandesa que foi jogadora e trabalhava como vice-secretária geral da Confederação de Futebol da Oceania (OFC). Já era tempo, considerando que o Futebol Feminino virou modalidade olímpica em 1996 e possui uma Copa do Mundo organizada pela própria Fifa desde 1991. Antes tarde do que nunca, diz o ditado.
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A Federação Paulista de Futebol (FPF) criou em julho o Departamento de Futebol Feminino da entidade. A ex-capitã da seleção brasileira, Aline Pellegrino, foi quem assumiu o cargo de gestora da área e nos contou em entrevista como pretende fazer para melhorar a modalidade.
A Fifa deveria estar liderando esse processo já há muito tempo, mas sabemos que a entidade sempre deu de ombros para o futebol feminino. Basta lembrar do caso da Copa do Mundo de 2015, quando a entidade permitiu o uso de gramados sintéticos – algo que na Copa do Mundo masculina é proibido. As jogadoras reclamaram, protestaram, mas não adiantou.
Feitas as ressalvas, é de se comemorar a criação de um departamento na Fifa para cuidar do Futebol Feminino no mundo e que responda diretamente ao vice-secretário geral da entidade, o croata Zvonimir Boban, que por sua vez está sob o comando da secretária-geral, a senegalesa Fatma Samba Diouf Samoura.
A modalidade tem peculiaridades, especialmente porque passou a maior parte do século 20 proibida. No Brasil, por exemplo, a prática só saiu da ilegalidade em 1980. Até então, era proibida por lei. A Football Association (FA), da Inglaterra, só retirou a proibição da prática de futebol por mulheres em 1971.
Ou seja: o futebol feminino tem décadas e décadas de atraso em relação à modalidade masculina. Há muito trabalho a ser feito e é importante separar os interesses do futebol feminino do masculino – até porque o primeiro tende a ser engolido pelo segundo, que tem uma escala muito maior e já recebe naturalmente muito mais atenção.
A escolha da neozelandesa parece acertada. Além de ex-jogadora, ela já trabalhava como dirigente de futebol e, além disso, já estava no Comitê de Reforma da Fifa, como a própria entidade informou no anúncio. Ela será parte da Diretoria de Gestão da Fifa e irá assumir o cargo no dia 14 de novembro.
Sarai Bareman foi responsável pela gestão financeira e reconstrução estratégica da OFC, depois de ter começado como gerente de operação da entidade. Ela era a única mulher no Comitê de Reforma da Fifa e defendeu a mudança dentro da entidade, colocando mulheres qualificadas para posições de liderança. As mudanças nesse sentido foram aprovadas no Congresso da Fifa de fevereiro.
“Com base no compromisso da Fifa para continuar a apoiar e promover o desenvolvimento do futebol feminino, bem como das mulheres no futebol, Sarai traz uma experiência em finanças e administração de futebol para o papel de chefe do Departamento de Futebol Feminino. Ela também traz uma paixão para o jogo, tendo jogado desde a infância. Incentivado por ser pai, um treinador, ela buscou seu amor pelo jogo ao mais alto nível, representando a seleção feminina na Samoa”, diz o comunicado da Fifa.
O que se pode esperar sobre isso é que Bareman tenha liberdade para trabalhar e poder para fazer mudanças pelo futebol feminino, estudando as demandas das jogadas, técnicos, ligas e federações ao redor do mundo e sendo uma voz representativa dentro da Fifa – algo que não existia. A criação do Departamento de Futebol Feminino é certamente para ser comemorada.
Para usar um outro ditado, gato escaldado tem medo de água fria. Por isso, é bom esperar para ver o que acontece e se teremos mudanças. Nós queremos acreditar que sim.
Abaixo, um tuíte de Sarai Bareman com o presidente da Fifa, Gianni Infantino.
Just chillin with the Pres talking women in football. This is man that walks the talk! #womeninFIFA #genderequality pic.twitter.com/dBOP1ivjN9
— Sarai Bareman (@SarBareman) 9 de junho de 2016



