Mundo

Fifa insiste em discriminar e jogadoras processam entidade por gramado sintético na Copa

As jogadores reclamaram da decisão da Fifa de realizar a Copa do Mundo em gramados artificiais, a entidade bateu o pé dizendo que não ia mudar e as principais estrelas resolveram tomar uma atitude: processar a entidade. A teimosia da Fifa não parece ter uma explicação lógica. O torneio está programado para o Canadá em 2015, mas algumas das maiores estrelas resolveram brigar para que os gramados tenham grama natural.

LEIA TAMBÉM: Mulheres perguntam à Fifa: por que vamos jogar em campos de gramados sintéticos?

O processo foi aberto na quarta-feira, em um tribunal de direitos humanos em Ontario, no Canadá, onde será a Copa do Mundo. Entre os principais nomes do processo, estão Abby Wambach, Alex Morgan, ambas da seleção americana, e Nadine Angerer, estrela da seleção alemã. O processo diz que forçar as mulheres a jogar em gramado artificial sem fazer o mesmo para os homens é discriminação de gênero. E elas obviamente têm razão.

A Fifa está tentando usar a Copa do Mundo feminina como um teste para os gramados artificiais para, eventualmente, usar em torneios masculinos também. Só que a Fifa sabe que se fizer isso em um torneio importante do futebol masculino, a gritaria será tanta que ela não aguentará segurar a onda. Então, fizeram com o principal torneio feminino do futebol mundial.

Esse é um grande problema, porque não há jogador no mundo que goste de jogar em gramados artificiais. Os resultados são mais desgaste nas articulações e causa muito mais lesões. Tanto que são vários os atletas que embarcaram na luta pelas mulheres, incluindo uma das maiores estrelas do esporte dos Estados Unidos, Kobe Bryant, que tuitou o seguinte:

No mês passado, uma das grandes estrelas do futebol mundial, Gareth Bale, teve que jogar pela seleção de Gales contra Andorra, em gramado artificial. Antes do jogo, a estrela do Real Madrid minimizou o fato. “Alguns jogadores e pessoas não gostam, mas é normal. Mas nós temos um trabalho a fazer e quando você está jogando pelo seu país, não importa que jogo é ou o que é jogado, nós iremos dar 100% e tentar vencer o jogo”, disse ele. Bom, o discurso mudou depois do jogo (no qual, aliás, ele brilhou e deu a vitória à Gales):

“Eu não posso descrever o quão ruim, cheio de bolhas e duro o campo estava”, disse Bale. “Nós dissemos no começo que o mais importante era ganhar os três pontos. Outros times irão achar difícil vir aqui, então para nós conseguir os três pontos foi importante. Nós queremos nos classificar e você tem que vir a lugares assim e conseguir vitórias”, afirmou o jogador.

Pois é, jogar em gramado artificial é uma opção para países onde a neve castiga demais, mas não pode ser uma opção para um torneio tão importante quanto a Copa do Mundo. Talvez a Fifa não esperasse que as mulheres reagissem pedindo o lógico e justo. É evidente que é uma enorme discriminação fazer um teste na Copa do Mundo feminina.

VOCÊ PODE SE INTERESSAR TAMBÉM:

– Mandaram bem demais no cartaz da Copa do Mundo Feminina de 2015

– Brasil feminino tomou uma sapecada da Alemanha e não é coincidência

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo