Mundial de Clubes

John Kennedy, o herói: há um ano ele ia para Ferroviária, hoje é ídolo iluminado do Fluminense

Menino vai de emprestado a rebaixado no Paulistão para herói de Libertadores, gol em Mundial de Clubes e elogios de Fernando Diniz

O 19 de dezembro de 2022 foi de novidade para John Kennedy. O atacante deixava o Fluminense pela primeira vez desde que chegou a Xerém rumo a Araraquara, no interior de São Paulo, onde defenderia a Ferroviária. Um ano depois, a data reservou para o jogador de 21 anos uma história e tanto. O 2023 não é mágico só para o Tricolor, mas também para o agora camisa 9 e ídolo do Flu, que marcou o gol do título da Libertadores e da classificação à final do Mundial de Clubes.

Foi por conta de problemas extracampo que o Fluminense decidiu que John Kennedy precisava respirar novos ares. Escolheu a dedo a Ferroviária, de estrutura de futebol empresarial e muitos funcionários que passaram por Xerém, além de outros conhecidos de Fernando Diniz e sua comissão técnica.

Super Odds na Dafabet »

De volta do empréstimo, o atacante começou a procurar seu espaço. Bem treinado, atropelou concorrentes e chegou a ser titular em um dos momentos cruciais da temporada: o mata-mata da Libertadores. Meses depois, decidiria a competição com um golaço e se tornaria herói e ídolo.

Exatamente um ano após ir para Araraquara, acorda em Jeddah, na Arábia Saudita, classificado à final do Mundial de Clubes — com um gol na semifinal para garantir a vaga do Fluminense.

Herói da Libertadores, John Kennedy brilhou também no Mundial de Clubes um ano após deixar Fluminense rumo à Ferroviária - Foto: Icon sport
Herói da Libertadores, John Kennedy brilhou também no Mundial de Clubes um ano após deixar Fluminense rumo à Ferroviária – Foto: Icon sport

John Kennedy vai da água para o vinho na Ferroviária

No clube, o diretor de futebol Paulo Angioni, que sempre se dedicou pessoalmente ao jovem, foi o último a ser convencido, após decisão de Mário Bittencourt avalizada por Fernando Diniz. Fred, recém tornado dirigente, também apoiava o empréstimo. Eles estavam certos.

 

Ver esta publicação no Instagram

 

Uma publicação partilhada por John Kennedy (@jkennedy)

Foram seis gols em 11 jogos no Campeonato Paulista, e embora a Ferroviária tenha sido rebaixada, o atacante atraiu a atenção do futebol brasileiro. O Coritiba queria comprá-lo, o Athletico queria um empréstimo, assim como São Paulo e Cruzeiro entraram em contato com sondagens. Mas o menino já estava decidido a fazer história.

Papo com Diniz selou volta de John Kennedy ao Fluminense

Se tudo corria bem dentro de campo, o Fluminense precisava de uma mudança fora dele. E John Kennedy se apressou em mostrar que as coisas seriam diferente. Primeiro, enviou uma mensagem a Fernando Diniz pelo WhatsApp, onde pediu uma nova chance.

Fernando Diniz abraça John Kennedy após o título da Libertadores do Fluminense: treinador tem relação especial com heroi da final - Foto: LUCAS MERÇON / FLUMINENSE F.C
Fernando Diniz abraça John Kennedy após o título da Libertadores do Fluminense: treinador tem relação especial com jovem – Foto: LUCAS MERÇON / FLUMINENSE F.C

Depois, já no CT Carlos Castilho, teve uma reunião longa com o treinador para convencê-lo de que os problemas ficariam para trás. Diniz, a essa altura, já entrara em contato com colegas da Ferroviária. E todos foram uníssonos: o menino tinha cumprido o combinado e estava pronto para deslanchar.

O Fluminense, que sabia a joia que tinha nas mãos, apostou novamente em John Kennedy. E o resto é história em 2023.

Treino em dobro e ‘casamento’: John Kennedy muda fora de campo

É possível notar a transformação física de John Kennedy em poucos olhares. Antes franzino, o atacante ficou mais forte, e isso o ajudou muito dentro dos gramados. Ainda veloz e móvel para a posição, ganhou outra dimensão jogando de costas para o gol, como um pivô, e passou a usar melhor ainda o corpo para deslocamentos.

Mas talvez o principal tenha sido o relacionamento amoroso fora de campo. A história com Viviane Barros já começara, e o atacante virou realmente outro homem depois disso. Depois de Davi Lucas, aos 18 anos, o jovem foi pai novamente, dessa vez de Vallentina, já aos 21. A filha e a mulher alteraram os rumos da história.

E ela geralmente sabe antes, porque o namorado promete o que vai fazer em campo.

 

Ver esta publicação no Instagram

 

Uma publicação partilhada por John Kennedy (@jkennedy)

John Kennedy mudou os lugares da cidade que frequentava, se afastou de antigos amigos e passou a ficar mais próximo de familiares e de Fábio Leonardo, ex-fisioterapeuta do Fluminense que hoje é um assessor pessoal do jogador. Um “pai” para o jovem além de seu empresário Marcel Giannecchini, de quem também se aproximaria ainda mais.

‘Jogador que pode decidir Copa’, diz Diniz no Mundial de Clubes

Quem acompanha com afinco as divisões de base do futebol brasileiro sabe que John Kennedy é diferenciado ao menos desde o sub-17. Nunca houve dúvida dentro ou fora dos muros de Xerém do que o atacante poderia fazer em campo. Nos grandes momentos, foi um carrasco do Flamengo e um dos melhores do país na posição com sua idade.

O Fluminense enfim conseguiu domar o urso — e com merecimento, por que fez da frase estampada no CT Vale das Laranjeiras, em Xerém, um mantra.

“Faça uma melhor pessoa que teremos um melhor jogador”

Tanto que, após John Kennedy balançar as redes sobre o Al Ahly, na semifinal do Mundial de Clubes, Fernando Diniz, que nunca desistiu do jovem, foi só elogios.

— John Kennedy é um jogador certamente com muito potencial, de ser brilhante. Brilhante mesmo, de jogar em seleção brasileira, de decidir Libertadores, de decidir Copa do Mundo. Potencial ele tem, a gente não sabe se vai acontecer, temos que ver. É um cara predestinado. Sabe fazer gol e, além disso, tem uma atração entre ele e o gol. Se percebe com poucos toques que há uma diferença. Ele virou um cara muito mais profissional, está muito mais treinado. É um cara que decide jogos. É um jogador especial. Eu espero que ele consiga crescer cada vez para dar conta do potencial que ele tem.

Foto de Caio Blois

Caio Blois

Jornalista pela UFRJ, pós-graduado em Comunicação pela Universidad de Navarra-ESP e mestre em Gestão do Desporto pela Universidade de Lisboa-POR. Antes da Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
Botão Voltar ao topo