Leste Europeu

Novos tempos: O exilado Shakhtar assumirá o estádio do falido Metalist até o final do ano

O Campeonato Ucraniano sofreu mudanças drásticas durante os últimos anos. Consequências da guerra civil que assolou parte do país e da crise econômica que acabou afetando muitos clubes. O Shakhtar Donetsk é o maior exemplo. Força hegemônica a partir da década passada, os Mineiros precisaram se exilar de sua própria cidade, na região de Donbass, o principal foco do conflito. Seu estádio foi bombardeado, sua sede foi invadida e o presidente Rinat Akhmetov, opositor dos separatistas, viu sua fortuna encolher de U$15,4 bilhões para U$3,4 bilhões entre 2013 e 2016, segundo números da Forbes. Ainda assim, o magnata continua investindo em sua paixão. E o clube irá assumir o estádio do Metalist Kharkiv, dissolvido pela federação na última temporada por conta de suas dívidas.

Durante as últimas três temporadas, quando precisou deixar a Donbass Arena, o Shakhtar Donetsk estabeleceu base em diferentes cidades. O time passou a treinar na capital Kiev, em relativa segurança quanto aos ataques mais intensos. Já as partidas aconteceram majoritariamente em Lviv, mas também em Zaporizhia e Kiev. A mudança para Kharkiv, no fim das contas, acaba sendo conveniente para as duas partes. Primeiro, porque ocupa um potencial “elefante branco” da Euro 2012. Depois, porque aproxima o Shakhtar de seus torcedores. Kharkiv, em região na qual os conflitos já foram apaziguados, fica a 300 km de Donetsk, 900 km a menos que a distância até Lviv.

Levando em conta a proximidade, o Shakhtar considera até mesmo que os seus torcedores habituais voltem a ocupar as arquibancadas com maior frequência. Não à toa, quem sair de Donbass receberá um desconto de 20% nos ingressos. Além disso, o clube retomará projetos de sócio-torcedor congelados anteriormente e também montará uma loja oficial na nova “casa”. O contrato de locação do estádio se manterá, pelo menos, até o final de 2017, embora Kiev permaneça como sede temporária do elenco para treinamentos e concentração.

“Kharkiv possui muitos torcedores do Shakhtar. Somos gratos às autoridades de Kharkiv e da região, bem como à federação, por possibilitarem esta mudança. Ela nos deixará mais próximos de nossos torcedores e acredito que podemos fazê-los felizes, com nossas espetaculares atuações e bons resultados”, declarou o gerente-executivo, Sergei Palkin. Construído em 1926 e reformado para a Eurocopa, o Estádio Metalist possui capacidade para 40 mil espectadores, avaliado pela Uefa com quatro estrelas.

Depois de duas temporadas sem o título do Campeonato Ucraniano (justamente depois do exílio), o Shakhtar parece pronto para reconquistar a taça. A equipe de Paulo Fonseca lidera a liga com 13 pontos de vantagem sobre o Dynamo Kiev e ainda não perdeu na competição. Já na Liga Europa, os Mineiros também demonstram força, com a melhor campanha da fase de grupos – seis vitórias em seis jogos, além de 21 gols marcados e apenas cinco sofridos. Nos 32-avos de final, os ucranianos pegarão o Celta de Vigo. O Metalist, por sua vez, se cindiu em duas equipes diferentes, ambas nos níveis amadores do futebol local. Uma delas é presidida por Serhiy Kurchenko, dono quando o clube faliu.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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